terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Espírito natalício

Um director passeia-se pela empresa para a ver a carburar e apanha os consultores a jogar ténis na Wii. Um cliente nosso está a promover um pack Wii+projector e enquanto se testa e não testa nos meios, vai-se jogando por aqui. Conclusão: juntei-me a eles.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tendências das R.P. para 2009 versão 1.1

Como disclaimer inicial: é mais fácil comentar por cima.

O João Villalobos definiu no Imagens de Marca as tendências para 2009.

Concordo no essencial. E acrescento o meu contributo.

- Reputação, focalização nos objectivos, rentabilidade dos consultores e parcerias extravasam o ano de 2009, são estruturais.

- Prevenção e gestão de crise sim, mas não só. Aproveitar as oportunidades de crise. Da nossa e da dos outros. Leitura rápida e fácil do Marketing de Crise, de Martins Lampreia. Basta últimas 80/90 páginas.

- Trocava "consultoria, não assessoria" por consultoria, com assessoria.

- Na Web 2.0 é investir para colher mais tarde. A importância é crescente, a base muito pequena. Algum know-how do lado das consultoras, cliente ainda pouco receptivo. Será ano de envagelização. Próximos doze meses é para estar no vermelho aqui.

- Angola com muito potencial, mas risco e investimentos elevados. Negócio das RP com unidade de conta baixa, o que dificulta a entrada. Fazer a soma aos custos de escritório e de ter pessoas deslocadas lá (casa, segurança, motorista, etc.). Sem clientes âncora negociados antes de abrir a porta e/ou sem alguma parceria muito forte não vai entrar ninguém. Será preciso esperar pelo já certo aumento da oferta imobiliária para equilibrar com a procura e pela descida dos custos contextuais.

- Quem se tenha preparado com tempo, terá bom ano na comunicação política.

- Sustentabilidade e responsabilidade social serão afectadas pelo mau ano económico, mas continuarão a ser uma tendência forte da gestão de reputação.

Postalito de Bernie


O postalito de Boas Festas de Bernie Ecclestone (este da foto é falso) reaviva o escândalo sexual de Max Mosley, presidente da FIA, em Março último. O cartão exibe a jovem promessa do mundo porno, Max Mosley, o próprio, a chicotear o membro de uma das equipas. "O habitual castigo da equipa", lê-se no cartão.

Sentido de humor aqui.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A minha Qimonda

Ferreira Fernandes comenta a minha crise.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sugestões de Natal

Gostava de deixar algumas sugestões de compras para estas semanas. Deixo coisas que já conheço, li ou vi, mas que são lançamentos recentes, com excepção dos blogs.

Livros: Júlio César, de Adrian Goldsworthy; Colapso, Jared Diamond; e para algo mais de lazer o segundo título da saga Millenium, de Stig Larsson.

DVD`s: Deserto vermelho, de Michelangelo Antonioni; No Vale de Elah, do Paul Haggis (o melhor filme americano do ano passado e para se perceber porque é que na conjuntura do Iraque nunca poderia ganhar Óscares); Luzes de Sexta feira (na Fox está como sextas sob pressão – que grande série); recomendo a caixa com as 3 temporadas da moderna Battlestar Galáctica (melhor série de ficção científica de sempre com diálogos geniais e até campanhas políticas).

Blogs: DoFundoDaComunicação, Lugares Comuns do LPM, Piar, Buzzofias e Food for Thought na comunicação. Dos outros só há dois que acompanho regularmente: o Corta-Fitas e o do Paulo Gorjão.

Bom Natal e Fantástico 2009 para todos os leitores.

Uma boa notícia

Um dos meus colegas jovens lobos do Semanário, não teve a referência correcta que a nossa amizade merece, apenas porque ainda não sabia.
O Francisco Almeida Leite é o novo editor adjunto de política do Diário de Notícias. Um bom jornalista e bom blogger no Corta-Fitas e com grande sentido estético nas fotografias que ali coloca. Um abraço e desejo de grande trabalho.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

EAS 2008 – Douglas Pinkham – Pres. Public Affairs Coucil (5)

Foi o único a falar com papéis e sem qualquer suporte gráfico de apoio. Ficou de mandar a apresentação, para quem desse cartões, por e-mail. Já me mandou, por isso, se algum leitor quiser eu poderei reencaminhar esta intervenção.
A maioria dos americanos tem a percepção que os lobbistas «pagam aos políticos». Os americanos continuam a «entender que não é necessário o Governo, ao contrário dos europeus».
Disse uma das frases mais engraçadas sobre o posicionamento dos consultores: tem que se estar «at the table», se não estás, provavelmente, estás «in the menu».
E chamava a atenção para um pormenor muito importante. A maior parte dos CEO`s americanos (entrando também no “Grassroots activism”) faz lobby ou está em “boards” de associações.
E este número é que é assustador: 300 milhões de e-mails e cartões foram recebidos pelos congressistas e senadores. No nosso Parlamento, ainda muitos deputados nem sabem mexer no e-mail, e muitos deles nunca responderam a nenhum eleitor.
São muitas diferenças.

EAS 2008 – Chris Cooper, Partner, MHSC Partners (4)

Este “key note speaker” substituiu um dos que estava no programa inicial e que mais interesse tinha em ver que era o director de Public Affairs da Daimler.
Começou com um humor idiota e passados 15 minutos, numa intervenção falhada, mais de um terço da sala começou a sair (só me lembro de uma coisa assim nos congressos partidários quando abandonam o palco as principais figuras), entre os quais, eu.
Como a seguir se seguiam 90 minutos de jovens a falar do futuro da Europa, aproveitei para ir ver o museu do Tintin e dos criadores de banda desenhada, nomeadamente a última mesa de trabalho do Edgar P. Jacobs, criador de Blake e Mortimer, que adoro. Um museu simples, mas muito engraçado que recomendo aos amantes da BD, pois tem lá tudo.
É um ponto de atracção numa cidade que, para lá da Grand Place, sempre achei horrível e sem alma.

EAS 2008 – Jere Sullivan, Edelman Bruxelas (3)

Outra expressão ainda pouco utilizada por cá: Grassroots campaigning. Tem a ver com lobby e sobretudo com esta interrogação:
«How can i engage people?».
Pela sua experiência europeia, o que o conferencista explicava era que na «Europa, depois de elegerem os seus representantes, as pessoas deixam de fazer lobby. Nos EUA há lobby sempre, aliás, por lá existe a máxima: «if you need something, write to your congressman».
Mostrou com diversos exemplos a crescente ligação dos grupos por «issues» e não por grupos geográficos. A identificação temática de «a person like yourself».
Daí a importância do – tal - «microtargeting».
Na parte final, questionei-o como explicava que um dos gurus das «microtendências», Mark Penn, estratega de Hillary Clinton, não tenha detectado melhor do que a candidatura de Obama os caminhos a trilhar. A resposta foi que o Mark Penn tinha feito um magnífico trabalho.
Repliquei: até pode ter sido feito um bom trabalho, mas não foi magnífico…PERDEU.
Mas foi uma das melhores apresentações com bastantes exemplos práticos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Aplausos para o fisco mutante


Portugal não se sai bem nos rankings internacionais da competitividade. Um dos dedos aponta consecutivamente, ano após ano, aos custos de contexto.

Os custos de contexto incluem a Justiça que não funciona, a Administração Pública que demora 17 anos a aprovar processos - os 17 anos são reais, de um cliente nosso, que é o exemplo utilizado por todos, para se ter chegado à solução dos PIN -, a imprevisibilidade das regras, etc..

O problema das leis mutantes é que minam a confiança dos agentes económicos. Um gestor começa o ano e toma decisões financeiras, económicas, operacionais e fiscais com base no meio ambiente que o envolve, do qual fazem parte as regras do jogo. Inenarrável que o árbitro altere o jogo a um minuto do seu final.

Atente-se nesta aberração, que corrompe a previsibilidade que ajuda na tomada de decisão. No nosso caso isto significa alguns milhares de euros de impostos a mais este ano.

Para não achincalhar, embora apeteça, recorro a uma figura de estilo.

É com agrado que recebo esta medida de apoio às empresas para minimizar os efeitos da crise.

Porque não incidir a nova taxa com retroactivos a cinco anos? Era maior a colecta para o Tesouro.


PS: Alô! Há para aí algum sindicato que represente as empresas!?

EAS 2008 – Christie Findlay Campaigns & Elections) (2)

Basicamente foi uma análise da campanha eleitoral americana.
O factor a salientar é que Obama reconheceu cada uma das tribos, compreendeu-as e trabalhou para cada uma delas. Obama «member of the global tribe».
E explicou as 3 vertentes da sua campanha:

On Line Tribes/ Branding/ Microtargeting.

Aliás, «microtargeting» provavelmente foi a expressão mais dita durante dois dias, o que me leva a antever que não faltarão nos próximos tempos uns paladinos do «microtargeting».
Nomeadamente, aqueles que gostam muitas vezes de falar em Relações Públicas e Comunicação e nunca trabalharam em lado nenhum.
Sobre os republicanos apreendo as suas duas melhores manobras, segundo a “key note speaker”: um relógio, o «Joe Biden gaffe clock» (que por acaso foi comentado por cá) e a melhor: qualquer pessoa que metesse a palavra “Superbowl” (e acho que todos sabem o que significa por lá a final do campeonato de futebol americano) aparecia um "emplastro" chamado John McCain.

European Agenda Summit (EAS) 2008 – o início (1)

Foi a Rita Branco que recebeu da organização o convite para saber se a YoungNetwork estava interessada em ir assistir ao evento que juntava uma série de profissionais europeus e americanos de comunicação – mas com preponderância para o lobbying.

Depois, por decisão do JD, fui dois dias para Bruxelas. Não vi nenhum representante português de outras agências e até, agora, posso recomendar esta série de conferências a outros colegas profissionais para o futuro.

Nos posts que se seguem, deixo algumas das notas que tirei, vou meter algumas expressões em inglês e é uma partilha de algumas coisas que eu acho relevantes para o sector, espero que sirvam a todos e também para alguns estudantes que nos acompanham.

A acompanhar

O Filipe Alves saiu do Sol, foi para a Lusa e agora irá para o Diário Económico. É um jovem talento do jornalismo económico, que vai crescer bastante e a quem auguro grande futuro.

A emoção de Obama

Gosto bastante de falar com alguns jornalistas. O Vítor Matos, da Sábado, é um deles. Um bom jornalista, sénior e sério, e que a bom tempo foi enviado pelos seus directores para acompanhar a campanha americana.
Fez a América de Barack Obama e de John McCain e viveu algumas emoções e histórias que ficarão por contar. Ainda por cima tem o seu blogue – o Elevador da Bica – em manutenção.
Contou-me algo que muitos ainda não têm presente. Obama – e ele esteve no último comício em Chicago, o da vitória – é um profissional, com uma técnica perfeita e quase sem emoções.
Mas a sua mola é a capacidade de emocionar. São as técnicas de muitos pastores e congregações espalhados pela América mais profunda.
A sua alavanca no discurso é a emoção, sem se emocionar. Fazendo ele um paralelismo com Portugal, dizia-me que nunca viu ninguém fazer isso, até porque a nossa tradição é diferente.
Já viu muitos emocionarem-se, mas nenhum a comandar emoções como viu em Obama.

Mesquitas na Europa e uma curiosidade

Noticiava o “ABC” no domingo que alastram os protestos na Europa contra a construção de centenas de mesquitas. Só em França, são duzentas as que estão a ser construídas. É um fenómeno que tem de ser acompanhado com muita atenção pela União Europeia.
E deixo uma curiosidade: de passagem por Bruxelas há duas semanas (de que vos darei conta em alguns posts), fiquei a saber que na Bélgica francófona o nome que foi mais registado é…julgavam que seria François, Michel, Jean…é Mohamed.

O, mas O, Soundbyte

«O Brasil não tem partidos, tem caciques» Diogo Mainardi, no Manhattan Connection da Globo.

Influência em Goa

Sugiro a leitura deste texto sobre outsourcing no jornalismo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Zapping

Vou mudar de canal. Ficção por ficção vou ver um filme.

Alegre dá exemplo da Grécia...

...para justificar o estado das coisas criado pelos "governos de direita" portugueses, PS e PSD.

Está a falar com a Ana Lourenço na tela, mas ainda não percebo o que diz. A Frente de Esquerda é que é um movimento e o PS governa à direita, segundo Manuel Alegre.

Espera, espera...

Acabo de ouvir, Manuel Alegre quer o PS sem maioria absoluta, para que se tenha de coligar ao Bloco.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Oxigénio...

...para Manuela.

Com o passo de Alegre.

Viver da ilusão

Manuel Alegre olha para Barack Obama com uma “desmedida esperança”. Vivem iludidos. O novo presidente não é de circos.

Menos de 100% é pouco

A demogagia da esquerda circence contada ninguém acredita. Um Estado que gasta 50% do PIB e que cresceu desmesuradamente nas últimas duas décadas visto a olho nú, mas também por qualquer estatística do INE, é para Manuel Alegre um monstrinho a alimentar.

Para o poeta o estado do país é "resultado de duas décadas de um sistema capitalista que não foi questionado e que retirou progressivamente poder ao Estado".

Fazer o quê? Está-lhes no sangue.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A coragem dos gestos *

O Governo português, fraco e submetido a qualquer pressão internacional, decidiu não receber o Dalai Lama, quando este passou por Lisboa.
Nicolas Sarkozy, ameaçado de boicotes a várias marcas e empresas francesas na China, não hesitou em se encontrar com aquele líder simpático e que o mundo respeita, sem grandes alaridos e de maneira discreta. Quem marca a agenda é ele e a França e qualquer pressão internacional tem a resposta que merece: nenhuma. Mas o gesto ficou.
Por cá, um estudo sobre a reforma institucional em Portugal – perspectiva das elites e das massas – diz que apenas 28,5 por cento dos eleitores estão satisfeitos com a democracia em Portugal.
O estudo não foi feito esta semana, pois então seria ainda pior o resultado. Lembro-me há uns anos atrás de um trabalho de um semanário que acompanhou uma sexta-feira de trabalho do “beato” Francisco Louçã no Parlamento. E tal como alguns, o líder do BE foi lá apenas assinar o livro de ponto porque tinha mais que fazer. Uma ida ao estrangeiro ou um “treininho” no Holmes Places da Defensores de Chaves, onde habitualmente cultiva o corpo.
Esta semana fica o incrível número de 31 por cento de faltas do líder parlamentar do PSD e mais uma debandada geral numa votação muito importante (a maior parte do PSD).
Depois de escutar as justificações e saber da justiça de elas, Manuela Ferreira Leite só tinha de engatilhar: «comigo, sem justificação, os senhores deputados que faltam não serão candidatos na próxima legislatura».
Manuela mostraria liderança e autoridade. Mas, por cá, não há destes gestos.

*Publicado hoje no OJE

E o Dantas?

O Calafate descreve hoje os tempos idos do Semanário, e faz-nos ter inveja de não ter estado lá, com eles.

Marca os 25 anos com muitos destaques e uma omissão, relembra um leitor atento, anónimo mas parceiro de redacção desses tempos, no comentário ao post.

O Dantas... O que é feito dele?

25 anos de Semanário

O Alexandre e o LPM já se pronunciaram sobre esta efeméride. Vou homenagear o jornal onde comecei – e na altura ainda era lido e tinha números – em 1995, com algumas memórias.
1. A Clotilde. Simpática e muito divertida telefonista.
2. A Paula Gustavo (hoje directora-geral da media Consulting) que foi a 2ª pessoa que eu vi.
3. A minha primeira conversa com o director – o José Mendonça da Cruz – entro tímido na sala dele e ele diz-me: «chama-me Zé e trata-me por tu». Frase que costumo dizer às novas colegas estagiárias da YN para lhes retirar a pressão.
4. O Álvaro Mendonça, um grande director, que teve a coragem de apostar em mim para editor-internacional, acumulando com política (fazia PS na altura), aos 25 anos e ainda com pouca tarimba.
5. O “sargentão” Adriano Oliveira, a boa disposição do Sérgio Vieira e a excentricidade e loucura diária saudável do Eduardo Miragaia.
6. Os meus dois primeiros professores de “notícia”: a Helena Mensurado e o José Teles. A quem ficarei eternamente grato.
7. Os jovens lobos do Álvaro que apostou tudo sem medo: eu, David Dinis (hoje editor executivo do DE), Daniel Adrião (adjunto político do secretário de estado Obras Públicas), Francisco de Mendia (Cunha Vaz), Pedro Santos Guerreiro (director do Jornal de Negócios), Vítor Costa (editor economia Público), Francisco Almeida Leite (DN), Diogo Madeira e Tiago Cortez (Estradas de Portugal), Henrique Botequilha (Lusa). Espero não ter esquecido ninguém nesta ordem aleatória.
8. As duas primeiras pessoas que contratei na vida para trabalharem comigo, de quem muito me orgulho e que têm fantásticas carreiras: a Joana Machado (LPM) e o Diogo Queiroz Andrade (peço desculpa por não saber o nome da empresa, mas está ligada à produção de conteúdos).
9. O clima de grande união e amizade, com muito profissionalismo e também saudável diversão (depois do trabalho).
10. Um abraço ao Rui Teixeira Santos, Paulo Gaião e Dulce Varela, que continuam a fazer navegar o barco. E que eu continuo a ler todas as sextas. Pois no meio de muitos cenários, estão lá boas informações, pois as fontes não são profissionais da comunicação mas são óptimas na área política.
A força das instituições também é feita de memórias dos que contribuíram para a sua história. Estas são as minhas, mas há outras e que, concordo, dariam um livro.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É Natal! É Natal!

Ok ok, ainda não é propriamente Natal. Mas como profissional de comunicação, não posso deixar de me preocupar, com a crescente diminuição de comunicação da data… ou melhor, com a ineficácia crescente da sua comunicação.

O Natal precisa urgente de voltar a comunicar de forma eficaz! Urge um relançamento bombástico da data! Uma imagem ‘lavada’ e mensagens adequadas aos dias de hoje! Tem de se voltar a credibilizar o Natal e a conceder-lhe a notoriedade perdida!

De ano para ano tem-se perdido a magia da ocasião. De ano para ano diminuem os postais festivos que recebemos. De ano para ano diminuem os e-mails de Boas Festas. De ano para ano diminuem os presentes (é a crise, será?). De ano para ano vêem-se menos acções de solidariedade, que apesar de aumentarem em número, perdem-se no ‘ruído’ da azáfama diária. De ano para ano há menos paciência para ruas e centros cheios de gente, refeições fartas, família ajuntada e afins.

Não querendo puxar a brasa à minha sardinha, (essa bela expressão!), o Natal precisa definitivamente de abrir concurso a agências de comunicação, para que o apoiem nesta ambiciosa incursão de definição de nova estratégia de RP e relançamento mediático.

PS – Também se aceitam adjudicações directas na YN

BOM NATAL!

Psicologia dos gestores da massa


Com a crise instalada, muitas são as empresas que cortam. Neste final de ano, uma das faces visíveis da tesourada são as festas de Natal. Não há dinheiro, não há vícios. Cancele-se a festa!

Este acto de gestão, tomado como lógico por gestores e colaboradores, é demasiado questionável.

Primeiro, é contraditório. Porque se corta agora e não se cortou antes, quando os resultados estavam pintados a azul? Apenas porque havia dinheiro para gastar? E as empresas dão, então, um doce aos colaboradores? É este o sentido? Qual a razão por detrás da festa de Natal? É que se não existe nenhuma razão forte para que ela aconteça, cortem. Não apenas este ano, cortem para sempre.

Segundo, é inoportuno. Por outro lado, se existem razões fortes para que ela se faça - tais como motivação, reforço de espírito de grupo, endosso de mensagens, manutenção de quadros, reputação, etc. – e que impactem directa ou indirectamente os resultados, do curto ao longo prazo, vale a pena fazer. E é sobretudo importante fazê-la este ano, quando os colaboradores estão mais desconfortáveis com a situação, mais receosos com o futuro das suas empresas, e respectivas consequências para os seus postos de trabalho. Agora é que eles precisam de alento e segurança, não quando estão a crescer a dois dígitos e o mundo parece perfeito.

Terceiro, é perder a oportunidade. Como muitas empresas vão na onda, este ano impacta mais fazer. É um sinal de quem confia no seu futuro e no futuro dos seus, de quem se sente preparado para sair mais forte da tempestade. O sinal que separa os audazes das avestruzes. Esconder a cabeça não é uma opção.

Quarto, é hipotecar o futuro. O público mais estratégico numa empresa é o interno. Investir nos colaboradores é a forma mais inteligente de chegar aos outros stakeholders. Garantir que os colaboradores estão com a empresa, que passem a sua mensagem e os seus valores ao mercado, que sejam os seus embaixadores em toda a linha, e que estejam alinhados com os objectivos é o melhor seguro para o futuro.

A psicologia não é só de massas, é também de gestores. Gestores que por uma variação de um ou dois pontos percentuais do PIB voltam da Lua para Terra, entre um fechar e um abrir de olhos.

Trabalhar blogs

Na terça à noite, com o JD, fui ao jantar da Plataforma de Reflexão Estratégica – Construir Ideias.
Um facto a salientar: a transmissão em directo do debate em muitos blogs de referência. Publico a lista dos envolvidos que me foi enviada pelo grande responsável, o Vasco Campilho, desta magnífica operação de comunicação.
31 da Armada, Atlântico, A Baixa do Porto, Corta-Fitas, Psicolaranja, Mas Certamente que sim, Câmara de Comuns e o do próprio Vasco Campilho.
Saliento a intervenção de João Salgueiro, a menos forte de Daniel Bessa e a excelente intervenção final do Pedro Passos Coelho. Em grande forma, de improviso, a lançar um programa para Portugal.
Mas é interessante a preocupação e ligação às redes sociais, fica o registo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Verso de contra-capa

No verso da contra-capa do relatório The World in 2009, da revista The Economist, temos uma publicidade directa da Macedónia, que acende a luz na cabeça dos investidores.

A página de pub, crua, sem pudor, reza o seguinte:

. Precisa de cortar custos? Invista na Macedónia (ilustra com uma tesoura)

Depois vem o menu:

. 0% de impostos para lucros reinvestidos
. Trabalho competitivo a 400 euros/mês (salário bruto médio)
. Acesso a base de clientes de 650 milhões (acordos multilaterais e bilaterais com Turquia e Ucrânia de comércio livre)
. Estrangeiros podem alugar ou comprar propriedades directamente

A letras mais pequenas escreve-se, entre outras vantagens para empresas de base tecnológica, estas:

. 0% de impostos sobre as empresas nos primeiros 10 anos (10% nos anos seguintes)
. 5% de impostos sobre o trabalho nos primeiros 5 anos (10% nos anos seguintes)
. Sem IVA ou impostos aduaneiros para as exportações
. Subsídios até 500 mil euros nos custos de construção

Acresce para rematar a política fiscal e monetária. Alguns dos tópicos:

. Estabilidade macroeconómica: inflação baixa e moeda estável
. Taxa de crescimento elevada: 6% no primeiro semestre de 2008

Deixo-vos o site onde farei mais pesquisas: www.investinmacedonia.com

É com estes que temos que competir. Aproveite-se o exemplo.

Comunicação? Excelente. Conteúdo é tão poderoso que vale por si. É deixá-lo fluir.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Prever para quê

O relatório The World in 2009, do The Economist, dá-nos uma visão global do que será o próximo ano.

Mas para quê ler este se o de 2008 não previu a implosão do Lehman, os problemas do Freddie e da Fannie, o colapso da economia, a invasão da Geórgia, o petróleo a 147 no pico do calor e abaixo dos 40 dólares este mês e que Boris, o mayor de um só nome, estaria sentado na City Hall. Além do mais, previu que o mundo seria por esta altura governado por uma mulher.

Mas, como se desculpa o editor, Daniel Franklin, a página 92, se falhámos a crise que acontece uma vez na vida, “tivemos mais sorte noutras áreas”.

A razão fundamental para continuar a ler este documento todos os anos é a de que ele nos dá uma perspectiva de um conjunto de assuntos e eventos que moldarão o mundo nas próximas estações.

PS: Não sei se já está, mas normalmente o report é também traduzido para português.

Música

“Croatia will conclude its accession negotiations with the EU, but membership will be delayed until 2011 at the earliest. The UE feels it may have opened the door too quickly to Bulgaria and Romania, and want to avoid a repeat. The pro-agrarian stance of the Croatian Peasants Party, on whose votes the Croatian Democratic Union-led government relies, could complicate accession talks. Rising productivity will keep economic growth above 3%.”

Números para 2009:

. Crescimento: 3,5%
. Inflação: 3,5%
. População: 4,5 milhões
. PIB per capita: 14.020 dólares (Paridade Poder Compra: 18.120 dólares)

in The World in 2009, The Economist

Ruído

“The Socialist Party (PS) government will press on with a wide-ranging reform of the public sector that has delivered notable budget savings. But the pace of change will slow as the political focus shifts to elections towards end of 2009 and the prospect of more anti-reform protests becomes less palatable. The PS is well placed to exploit opposition weakness and win re-election. The economy will suffer amid a wider EU and global slump.”

Números para 2009

. Crescimento: 0%
. Inflação: 2,2%
. População: 10,7 milhões
. PIB per capita: 22.680 dólares (Paridade Poder Compra: 23.250 dólares)

in The World in 2009, The Economist

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Excitement em torno da dúvida

Já não é a primeira vez que me mostro confuso sobre notícias do meio. Preciso da ajuda dos jornalistas do Briefing, do Meios e Publicidade e dos leitores para me esclarecerem, se for possível.

Comecem por ler esta e esta notícias de ontem. Agora leiam esta de 8 de Julho de 2008 (também foi publicada pelo Jornal de Negócios). Cinco meses separam-nas.

Caso possam ajudar a compreender o que é público mas não faz sentido, provavelmente, por falta de informação, desde já agradeço.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Desmentida num futuro próximo

Má comunicação aquela que alivia hoje para ser desmentida num futuro próximo.

Serviço completo

Consultoria de comunicação aqui. Robusta, integrada e completa. Comme il faut.

Peço desculpa aos leitores pela publicidade desencapotada, mas às vezes tenho que dar largas à minha imaginação de copy.

IVA londrino

O IVA baixou, no Reino Unido, 2,5 pontos percentuais para incentivar o consumo e, por essa via, dinamizar a economia. A taxa máxima passou de 17,5 para 15%.

A medida, que entrou em vigor esta segunda e durará um ano, é uma forma de "injectar" dinheiro na economia, aproveitando a época natalícia tão propícia ao consumo.

Os lojistas, sem tempo para trocar as etiquetas, deixam recados nos escaparates: “Não houve tempo de alterar os preços nos produtos, mas quando pagar o cálculo do preço será feito com o IVA a 15%”. Na hora de pagar, as compras ficam mais baratas.

Não sei se é por seriedade no cumprimento da directiva governamental, se é por acreditarem que a elasticidade procura-preço lhes é favorável, no pressuposto que baixar o IVA faz disparar de tal forma a venda de unidades de produto, que a receita aumenta, mesmo vendendo mais barato.

Só sei que, como cliente, sabe bem ser bem tratado.

RP de um super-herói

Vi há dias o filme Hancock, com Will Smith. A fita é entre o fraco e o fraquíssimo, embora para nós, do meio, tenha algum interesse por abordar as relações públicas.

Will Smith é Hancock, um super-herói caído em desgraça. Não que ele não voe, salve pessoas e apanhe os maus, mas porque bebe, é arrogante e abusa nos efeitos colaterais (destruição massiva na hora de salvar alguém). As pessoas não gostam dele. O público, verdadeiro poder de um super-herói, desaprova-o.

Com um grave problema de imagem, entra em cena um até aí mal sucedido relações públicas que convence o super-herói a mudar de comportamento e a aproximar-se do público, para melhorar o seu nível de aceitação.

A receita:

- Deixar de ser arrogante
- Ser simpático e agradecido
- Vestir um fato de super-herói
- Evitar danos materiais colaterais
- Aceitar as regras da sociedade (Hancock aceita ser preso)

Não é o que esperamos de um super-herói? O RP vai ao encontro do que o público quer.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Em Bruxelas

Nos próximos dois dias vou estar aqui.
Espero vir com histórias para partilhar com todos os leitores.

Ainda Alexandre Relvas

Este post inofensivo parece que teve grande repercussão em alguns meios.
Mas como não podia deixar de ser, tanto os que conheço como os que não conheço de lado nenhum, decidiram pronunciar-se.
Português é português, por isso volto a repetir o post.
Reparem bem, eu nunca falei em «nenhuma conspiração contra Manuela», dizem os que conheço e os que não conheço.
O que eu digo e muita gente sabe é que Alexandre Relvas tem a ambição de ser líder – legítima, julgo eu – do PSD. É algo que ele vem pensando há muitos anos, já quando esteve na direcção de campanha de Cavaco derrotada contra Sampaio. Isto, porque até os Mourinhos são derrotados.
Digo que ele está a «descolar» de Manuela, como todo o país leu na sua entrevista ao “Expresso”. Por causa disso a Sábado deu-lhe sinal a «descer», esta semana.
E deixo mais algumas notas para os que julgam que pensam:
«À frente do Instituto Sá Carneiro, (Alexandre Relvas) quer assumir protagonismo». Helena Pereira, Sol, 29/11/08.
A melhor jornalista de política do país, a Ângela Silva do Expresso escrevia também este sábado: «Alexandre Relvas, putativo candidato a líder no partido».
É lógico que aquele almoço de «arroz de polvo», não era uma «conspiração contra Manuela», como escreveram os que conheço e os que não conheço.
Mas é, e disto não percebem estas pessoas, um exercício de RP óbvio. E quem factura com isso é ele não é Manuela. Ele está com Manuela «em pista própria», como eu escrevi.
Acresce que também no sábado, o DN, na página 18, com o título de «Alexandre, o Grande», dá conta do mesmo almoço, verdadeiro e de arroz de polvo – não é nenhuma “vichyssoise” – e ainda acrescentou algo que não sabia.
É que o vinho servido era da «própria produção» de Alexandre Relvas.

domingo, 30 de novembro de 2008

Desinteressante

Consultores de comunicação experientes publicarem composições da quarta classe nos seus blogs.

Cumprir a promessa

Texto interessante no Food for Thought. Sobre o que afasta a publicidade das relações públicas. Publicidade é fazer uma promessa. Reputação é cumprir a promessa. Nós, consultoras de comunicação, trabalhamos aqui.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

E agora algo com qualidade

O delicioso blog do melhor post de chocolate do mundo. Chama-se heart shaped sunglasses e convida a leituras açucaradas, numa escrita quente que aconchega.

Alexandre Relvas em pista própria

Para lá da entrevista que deu ao “Expresso”, onde foi notória a vontade de se posicionar para o futuro e de se descolar de Manuela Ferreira Leite, o apoiante da actual líder está a trabalhar para o seu futuro.
Ontem foi a apresentação do IPSD, mas DoFundoDaComunicação sabe que, no próprio dia do evento, Alexandre Relvas almoçou na Logoplaste – entre as 13 e as 15.30 – com diversos bloggers conhecidos.
A ementa foi arroz de polvo, seguida de salada de frutas. Com água ou vinho tinto.
Para quem tem dúvidas de que Alexandre Relvas já não acredita muito em Manuela e quer saltar fora, aqui fica o registo.

A comunicação da Justiça *

A justiça portuguesa tem um défice de comunicação irreparável.
É que se alguém perguntar a qualquer português o que pensa dela, a resposta é simples: «é lenta».
Esta imagem provoca danos insuperáveis, sobretudo quando todos os dias somos brindados via media por novelas provocadas por casos judiciais.
Reparem como o jornal diário mais lido do país (o Correio da Manhã-CM), ao fazer bem o seu trabalho e seguindo as histórias que os seus leitores mais lêem, ajuda na compreensão deste fenómeno.
Há processos que nunca morrem, justiça que nunca é feita, protagonistas – que com ou sem razão – são dizimados na praça pública por uma lei que tarda em sem aplicada.
O povo gosta de lei e ordem, mas derrete-se de prazer também ao ver figuras mediáticas – nomeadamente ricos e poderosos - trucidadas pelas notícias.
Ontem, reparem na primeira página do CM: manchete dizia “clã Oliveira e Costa contra accionistas do BPN”. Há várias semanas que o folhetim se adensa e o povo já adivinha que a culpa vai morrer solteira.
Outra, “Procurador faz prova de dois crimes de Carlos Cruz”. Milhões de caracteres para descrever um eventual crime e afinal parece que só Carlos Silvino irá pagar.
A fechar, “irmã de Carolina Salgado mentiu ao DIAP”, mais um processo sem fim anunciado.
O que temos em comum? Um presidente de um banco, uma figura da televisão, duas “senhoras” ligadas a uma história de futebol.
E o que os une ainda mais? O tempo longo de espera da decisão dos juízes e as histórias de faca e alguidar intermináveis.
É por essas e por outras que a imagem da Justiça precisa de muito melhor decisão. E melhor comunicação também.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Por uma nesga

Não tenho ainda opinião formada sobre a questão de Alcântara, mas ver o Zé a tomar a causa dos contentores, o homem dos 40 processos contra a Câmara (valha que agora tudo corre bem, e ninguém precisa de abrir processos), e a conceder, benevolente, esta* mordomia, não ajuda.

*via Red Light District

Dúvidas que só o avô sabe

Estava na dúvida com o "está assentado" no texto abaixo e liguei ao meu avô.

Não é. O correcto é "está assente" - já corrigido.

Habitualmente é assim nos verbos com duplo particípio passado:

- Forma regular (...ado;...ido) com os auxiliares ter e haver;
- Forma irregular com os auxiliares ser e estar.

Quando o dever chama

Mui estimados leitores,

Tenho-vos tratado mal. Ligo-vos pouco.

Nunca fui homem de me desculpar pela falta de tempo, nem de prometer que agora é que é desta.

Escrever-vos está assente na minha descrição de funções. E tenho-o feito menos do que deveria.

Do alto da minha baixa patente, quero-vos diz que a razão é menos prosaica do que vós podereis pensar.

Pensa o leitor que peno pelo muito trabalho que grassa na agência, que a ausência confirma a presença num outro lugar, num outro objectivo.

(Sinto-me mais cansado, a dormir menos, consequência de noites mais longas)

O problema é mais oriental. Quis o mundo que eu vivesse na mesma altura que os criadores da série Call of Duty.

Comprei o último, seria o quinto da série se o tratassem dessa forma corriqueira, há dois fins-de-semana.

(Há um ano cheguei a casa com uma ps3 debaixo do braço - esta altura do ano é propícia a gastos como este e eu sou bastante influenciável pela comunicação das marcas - e perguntou a Ana: “Tu não tinhas dito que não ias comprar, porque não tinhas tempo?”…pois…mudei de ideias)

E a razão da excitação é que sou bom, e todos temos que ter alguma expertise na vida, para fazer disso vida ou para partilhar no Squidoo do Seth. Descobri que sou bom, muito bom no World at War como já era no Modern Warfare. Ter 290 mil soldados à minha frente no ranking online não me retira a confiança, até porque o meu rácio um soldado caído por cada queda minha é um número respeitável.

Há a métrica de não contratar gestores com handicap no golfe inferior a 15 porque para lá chegar não basta jogar sábado e domingo. Devia haver a métrica de só contratar consultores de comunicação cujo ranking no Call of Duty seja superior ao soldado 250 mil.

(Não sei por quanto mais tempo estarei disponível)

Tentarei ser breve e voltar à minha vida de blogger, sejam os tiros mais certeiros e as noites mais descansadas.

Subscrevo-me com consideração por todos.

Este vosso soldado,

João Duarte

PS: Para os outros mancebos, se quiserem adicionar-me, o meu nome na rede social ps3 é alsurus.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lá vai Lisboa…

Não gosto muito de falar sobre a câmara de Lisboa porque podem dizer que sou parte interessada e não sou. Aliás, mantenho excelente relação com os dois principais opositores nas próximas autárquicas.
Mas vejo que um “novo” elevador, igual ao que gerou polémica em 2001, vai arrancar e será financiado pelo Casino de Lisboa.
E onde está Sá Fernandes? O homem que mais o contestou no tempo de João Soares, procurando o mediatismo fácil, algo em que é especialista.
Ao lado do elevador, reforçado com mais pelouros pelo PS. Agora o elevador já não é polémico…Tal como o terminal de contentores novo também já não é…Tal como se houvesse outro Túnel, igual ao Marquês, também, por certo, já não seria polémico.
Que azia a sua presença deve ter causado a Miguel Sousa Tavares e a Gonçalo Ribeiro Teles no “Prós e Contras”, depois de o terem apoiado loucamente. Ele é o Juca Pirama – do Salvador da Pátria, uma novela da Globo popularizada por Sássá Mutema – que não parava de ameaçar: “Meninos, eu vi!», até chegar ao poder.
Só uma nota: «o meu único interesse é Lisboa», dizia Sá Fernandes. Será que alguma alma caridosa ou algum pobre de espírito ainda acredita neste homem?
É que já nem Louçã…

André dos Açores

Na nova composição do Governo regional de Carlos César, tenho uma novidade que muito me agrada: André Bradford – meu vice-presidente da associação de estudantes de Comunicação Social na Universidade Católica – meu amigo e pessoa de grande talento é o novo secretário regional da Presidência.
Muitas felicidades e cumprimentos também para a Mariana, a mulher. De quem fui “padrinho televisivo”.
Um político a acompanhar.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

«Um problema…o povo»

No Polvo II, durante uma conversa num terraço em Trapani, o advogado Terrasini conversa com o banqueiro Nicola Antinari sobre uma festa popular que se está a ouvir na rua.
«São belas as festas populares, não?», pergunta o advogado. Responde o banqueiro: «sim, são muito belas, mas têm um problema…o povo».
O problema na política que vive muito de círculos fechados é que na maior parte das vezes esquece o povo. E o problema das empresas é que algumas vezes esquece o povo.

Kamu Suna Ballet Company

Neste sábado, optei por não ligar ao Sporting e forçado por amiga dirigi-me ao Teatro Camões para ver um ballet desta companhia no título.
Amar a Terra era a mensagem a ser transmitida ajudada por uma banda rock os Klepht, pelo contratenor Manuel Brás da Costa e por mais músicos.
A base da comunicação era de Dostoievski. «é preciso amar a Terra até ao fim, até aos extremos das suas margens – até ao Céu; é preciso amar o Céu até ao fim, até aos extremos limites do Céu, até à Terra». Foi um espectáculo agradável.
Olhei para o patrocinador exclusivo do Teatro, a Fundação EDP, e questiono-me onde andariam uma série de pessoas ligadas à arte se não houvesse mecenas.
Até porque, como dizia Ricardo Pais ao DN, «Sócrates tem esvaziado a cultura». Uma sociedade que não liga à cultura é uma sociedade fechada e de trogloditas.

Miguel Rodrigues dos Santos e José Sousa Tavares

Acaba de ser lançado o novo livro de José Rodrigues dos Santos, “A vida num sopro”. Contam-me que qualquer semelhança com o “Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares é mera coincidência.

Seiscentas e dezasseis páginas de romance de Rodrigues dos Santos a 23 euros pela Gradiva contra 640 de Sousa Tavares a 29 euros pela Oficina do Livro.

Portugal, nos anos 30, é onde se passa a trama de Rodrigues dos Santos. Já em “Rio das Flores”, segundo a sua sinopse, são “(…) trinta anos de história do século XX as que correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil”.

Consta que ambos são histórias de família, com amores e desamores onde se desafiam os valores tradicionais de época.

Li o “Rio das Flores”, não gostei.

Lerei pela primeira vez Rodrigues dos Santos e veremos, se, como afirmava o filósofo Heráclito, não é mesmo possível banhar-se duas vezes no mesmo Rio…

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Duas peças de estratégia

Fica cada vez mais percebido que o PS não quis chamar Dias Loureiro ao Parlamento para não incomodar Cavaco Silva.
Eram umas tréguas e paz institucional.
A segunda peça estratégica é que tenho a convicção que são próximos de Manuela Ferreira Leite – e que fortemente a apoiaram – que estão a lançar Marcelo. Objectivo: não querem Pedro Passos Coelho, que está a construir tudo com pés e cabeça e que teve um fim-de-semana – nomeadamente Expresso e Correio da Manhã sábado – fenomenal em comunicação. E, no DN de ontem, apenas constatou um facto de quem não tem nada a esconder.

Austeridade emocional *

A política portuguesa tem ciclos. Tem fases mais austeras e com maior autoridade - governos de Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates – seguidas de fase de maior emoção e afeição, António Guterres e Pedro Santana Lopes.
Parece que quando os portugueses ficam cansados de um pai, se voltam para a emotividade de uma mãe. São os ciclos e basta reparar como isso acontece por cá.
Na oposição a Sócrates, não há emoção nem afectividade, muito menos esperança. Manuel Ferreira Leite é ícone de uma austeridade com credibilidade (foi essa imagem que quis criar), mas muito pobrezinha de ideias e a rumar para o abismo do disparate, como o que aconteceu na semana passada.
Para quem viu alguns fóruns populares, os portugueses não reagiram tão mal como isso, pois o nosso país continua herdeiro de um conservadorismo salazarista que tem algum fascínio por ditadores.
Porém, o que é certo é que cada vez mais se sente que José Sócrates tem a vida facilitada à direita e só tem mesmo de se preocupar com a chantagem diária – com ameaças de saída do PS ou constituição de um novo partido – por parte de Manuel Alegre.
Além do mais, a política portuguesa vive uma austeridade emocional (expressão que retiro com a devida vénia a Ana Sá Lopes) que leva a que muitos eleitores ainda não saibam em quem votar.
Assim, a tendência será a abstenção, ou, como voto útil, votar em Sócrates, pois é preferível o certo ao incerto. A réstia de esperança ao mais frio dos infernos.

*Artigo publicado no OJE

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hora Tchiga! *


Mais Guiné-Bissau.

No que aos clientes diz respeito escolhemos a discrição. Se o assunto é política ou public affairs redobramos a discrição. Foi esta a cartilha que escolhemos. Os clientes valorizam. Vêem-nos chegar, explicar que a estrela são eles, que estamos apenas comprometidos em ajudar, e se ao princípio estranham a novidade, os meses passam e habituam-se à ideia de não lerem notícias sobre a parceria na Imprensa. É uma nova forma de comunicar a área cá. Sem espalhafato. Em benefício dos clientes.

A falar, a posteriori, e como excepção, descrevemos genericamente o que fazemos. Sem qualquer problema de tornar público os nossos interesses em cada momento se a isso fossemos obrigados, mas sem o fazer, muito menos como primeira acção de comunicação.

Sem ferir este princípio, que gosto, e juntando-lhe um outro, que é o de comunicar trabalho realizado e não um conjunto de intenções, que tarde ou nunca se concretizam, revelo pela primeira vez que fizemos parte da equipa que levou Carlos Gomes Júnior à esmagadora vitória nas eleições para primeiro-ministro da Guiné-Bissau. Os resultados foram anunciados hoje e o número de deputados aponta a 67, já que 67% dos votantes colocaram a impressão digital à frente do nome do candidato do PAIGC no boletim.

Felicito o novo primeiro-ministro, que obtém um resultado histórico, numa eleição em que Carlos Gomes Júnior e o PAIGC reconquistam o poder.

* Está na hora, em crioulo.

PS: Além da relação na esfera profissional, foi com muito agrado pessoal que conheci Carlos Gomes Júnior e Óscar "Can Can" Barbosa, Secretário para os Assuntos Internacionais do PAIGC.

Doutrina americana

Quando Luís Paixão Martins decide ser doutrinário... sai-lhe muito bem.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Abram alas para o Noddy




Quem diria que seria Manuela Ferreira Leite e o seu fiel escudeiro a abrir mercado para as agências de comunicação regressarem em força à política. Autarcas, opositores internos, membros do aparelho, apoiantes e alguns conselheiros tentarão fazer o contrário da líder na comunicação.

Pacheco Pereira arrisca-se a ficar conhecido no meio como o Noddy, tal a maneira como está a abrir alas para os profissionais. Com as portas a escancararem-se assim nem me importo de ser o Sonso ou o Mafarrico.

Vamos brincar à democracia

Hoje temos. Amanhã não. Depois de amanhã sim. Na sexta não outra vez. Para não fartar.

Em queda livre.

Advérbios de modo não combinam com ritmo



Esta aprendi há muitos anos, logo na minha fase experimental na comunicação. Advérbios de modo cortam o ritmo e a eficácia da mensagem. A evitar.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Aperto-de-mão (iii)

E há regras universais de networking que não vale a pena atirar para o baú. Sei que é tentador ser um broadcaster, sentarmo-nos à frente do PC, comunicar com o mundo, “postar” no blog, actualizar o linkedin e o facebook, twittar para 500 seguidores, mas não chega. Construir relações pessoais é muito mais do que isso.

Desligue o laptop, levante-se, saia para a rua, é hora de dar uns apertos-de-mão. Vá a conferências, marque almoços, seja membro de uma Associação ou Câmara de Comércio, participe em eventos onde estejam parceiros e prospectos, e visite os seus clientes.

Networking. Play it for real!

Aperto-de-mão (ii)

A melhor comunicação é aquela que mistura várias disciplinas e várias ferramentas de comunicação. Devemos olhar para os desafios dos clientes e criar soluções que o ajudem a concretizar os objectivos dos seus negócios. O modelo análise - definição de objectivos - estratégia - plano de acção deve incorporar as soluções de comunicação que melhor servem os clientes, sejam elas relações públicas, Web, publicidade, marketing directo, ponto de venda ou outras.

Dentro das relações públicas, a mesma coisa. As redes sociais e a comunicação 2.0 não servem por si só os clientes, na esmagadora maioria dos casos. São mais uma “arma” a utilizar, nalgumas vezes a principal, e que será apoiada por outras.

Aposta certa

O projecto que o do fundo da Comunicação patrocinou, Até onde vais com 1000 euros, ganhou o prémio Grande Vencedor Super Bock Super Blog Awars 2007-2008.

O do fundo da Comunicação entrou com os mil euros vezes dois para as viagens. Sabe bem quando se acerta na aposta.

Aquele riso

Quando por vezes lemos sobre ganhos de contas que afinal são trabalhos pro-bono...

É mais honesto nesses casos dizer algo como isto.

Aquele sorriso

Destaque da Briefing de hoje, na newsletter:

"Nos Estados Unidos chamamos aos rankings [de agências de comunicação] os 'book of lies", Bill Carlson, presidente da Tucker/Hall e da Public Relations Organisation International.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Aperto-de-mão (i)

Quando temos um martelo nas mãos olhamos para tudo como se fossem pregos. Nos Media Sociais é fácil perceber isso. São vistos, às vezes, por quem os usa, como panaceia para toda a comunicação, no presente e no futuro.

Uma rápida análise à situação actual dos Media Sociais em Portugal:

1. Já são massivamente utilizados lá fora, cá ainda são de nicho;
2. Os meios tradicionais têm aos dias de hoje muito maior audiência e (não que a influência decorra apenas dos números da audiência) influenciam muito mais pessoas;
3. Há gerações inteiras (sobretudo acima dos 40 anos) que não estarão presentes em redes sociais nem agora nem no futuro. E essas também consomem e também votam;
4. A tendência de utilização é exponencial cá e no resto do Mundo;
5. O potencial de comunicação quer pelas audiências quer pelas inúmeras possibilidades é gigante;
6. Alguns utilizadores e prescritores (como nós, por exemplo) já utilizam, experimentam e aprendem, mas os clientes estão bastante mais atrasados neste processo.

Dito isto, as redes sociais na forma como envolvem o emissor e o receptor, nas ferramentas utilizadas, na mensagem escolhida, enfim, no processo de comunicação são disruptivas. Mas não são disruptivas na estratégia de comunicação, onde devem ser integradas com outras formas eficazes de falar com os públicos e envolvê-los.

Temos o exemplo claro: apesar da grande campanha que Barack Obama fez na Web e nos Media Sociais, não esquecer os milhões e milhões de dólares investidos em comícios, convenções e anúncios de TV.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

7 maravilhas de origem portuguesa no Mundo I

Luís Segadães, CEO das New 7 Wonders, que organiza o evento, e António Vitorino, comissário para as 7 maravilhas de origem portuguesa no Mundo. Ontem na Torre de Belém.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

7 maravilhas portuguesas no mundo "partem" da Torre de Belém


Dentro de menos de 11 horas terá início a conferência de apresentação das 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo. A concurso estão 22 locais mágicos, classificados pela UNESCO como património da Humanidade, que marcam a diáspora portuguesa no mundo, e que são prova real que fomos pioneiros na globalização (na foto a Citadela de Fasil Ghebbi, na Etiópia).

A conferência será num local marcado por uma grande simbologia, a Torre de Belém.

A apresentar o projecto teremos o Comissário António Vitorino, e antes de ouvirmos as palavras do Ministro da Cultura que encerrarão a conferência, teremos contributos do Instituto Camões, do IGESPAR, do Ministério da Educação e do próprio promotor do projecto, Luís Segadães.

Tentarei twittar qualquer coisa em directo de lá. Como estarei a moderar a conferência, poderei fazê-lo antes e depois da apresentação. E ainda terei de ultrapassar o problema da rede que não atravessa bem as pedras que dão forma à Torre de Belém.

Um orgulho grande de sermos portugueses, de um lado, e de estarmos associados a este projecto, de outro.

domingo, 9 de novembro de 2008

Apecom mudou de imagem

A Apecom mudou de imagem e apresentou-a aos associados esta semana. Alterou para uma mais moderna.

Segundo a direcção, o trabalho foi oferecido por uma empresa associada. É informação quanto baste para mim.

Todos os associados que queiram e possam contribuir com ideias e com alguns serviços de apoio, contínuos ou pontuais, devem ser bem-vindos.

Promoção do sector nada insólita

Desta vez saiu bem. A peça do Expresso é uma boa promoção ao sector. Tem os habituais insólitos, e do que sei e experimento são isso mesmo, insólitos e improváveis. Mas começamos a viver bem com este traço de escrita. Se por um lado não há peça nos generalistas sem caricaturas insólitas da nossa actividade, por outro também nos destacam cada vez mais, o que revela a nossa importância. Um sector ainda pequeno, mas com um peso nada comparável ao seu tamanho.

Os visados que desta vez falaram com o Expresso deram um contributo válido a todos os que trabalham na área. Ao presidente da APECOM e aos outros, agradecemos.

PS: O título é excelente: um exagero, mas não nos importamos de ficar com o apelido.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Um lugar onde não quero estar

Uma má notícia. Acabo de receber o resultado de um concurso onde passámos à shortlist final, mas não ganhámos. Dito pela empresa que nos convidou: "gostámos do vosso trabalho, passaram à shortlist final, e ficaram em segundo".

Sobre este concurso, que se conhece agora o desfecho, deixo os seguintes comentários:

1. Agradecemos termos sido convidados para o concurso;
2. Não estamos contentes com o nosso resultado;
3. Fomos bons segundo palavras de quem nos avaliou, mas não suficientemente bons para ganhar (e desculpem o pragmantismo, mas era a única coisa que nos interessava);
4. Para ganhar era preciso ser melhor do que o que fomos, daremos tudo para o ser;
5. Desejamos a quem nos avaliou e à agência escolhida o maior dos sucessos.

Em termos estratégicos seria dos clientes mais importantes para ganhar neste segundo semestre. Um tiro no porta-aviões, no nosso porta-aviões.

Estamos a crescer, em Portugal, este ano 43% (dados de 30 de Setembro), mas isso não nos tira o foco do que é importante a médio e a longo prazo, e muito menos nos pode tirar a humildade de saber que temos muito que correr e conquistar.

Um murro no estômago como este nunca vem em boa altura, mas quero que não se esqueça esta derrota. É um lugar onde não queremos estar.

Perdemos por uma simples razão: houve alguém melhor do que nós. Como estive pessoalmente muito envolvido neste projecto, acrescento: houve alguém melhor do que eu. É um lugar onde não quero estar.


PS: Por confidencialidade não divulgarei em momento algum os nomes de cliente nem de outras agências envolvidas.

Eleições americanas

Gostava só de deixar uma palavra, na ressaca das eleições americanas – não é novidade – ao blog que mais consultei sobre o assunto.
O do Nuno Gouveia. Não o conhecia pessoalmente, fez um trabalho positivo e foi positivo no relacionamento com todos os que o comentaram.
E isso, desde que os comentários sejam sérios e identificados, é fundamental para quem escreve com seriedade.
Deixo o repto para me mandar o mail pessoal, para falarmos depois disto.
A sugestão que lhe dou para o futuro é que continue e que se especialize. Fazer uma ligação mais estreita com a vertente comunicação política, acompanhar os “spinnings” e as manobras da Casa Branca – e a sua base de trabalho na coluna à direita é muito forte.
Aliás, ainda me falta escrever sobre isso.
Depois, dar os parabéns aos maiores vencedores portugueses de Barack Obama. O MMS – Movimento Mérito e Sociedade - e os meus amigos do Buzzofias, de que muito gosto, mesmo quando se metem simpaticamente comigo, e que apoiaram de peito aberto o candidato ganhador.
Aliás, também deixo um repto para o futuro. Já está na hora, até por ter alguma qualidade, que as letras AF, JMH, JM, JC, ICS, LLM, FV, etc, ganhem um nome, ganhem vida. Cada um sabe da sua “agenda”, mas ganham credibilidade nos vossos posts. A única coisa que posso revelar é que é um blog de bons profissionais de agências de comunicação (várias) e de jornalistas. E que, pelo que sei, está sempre aberto a novas entradas, desde que com qualidade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A vitória da Marca América

Essa é a principal conclusão de ontem. O valor do “brand USA” revigorou-se e voltou a ser confiável. O mundo queria e suspirava por isso. Obama é esse sinal de confiança, até importante para a recuperação dos mercados e a criação de novos negócios.

Aqui ficam algumas das coisas que registei da longa noite da CNN.

.Obama um grande candidato: um “natural”, como se diz no desporto, referido por Bill Bennett.

.Uma das melhores campanhas de sempre, estratégia de David Axelrod e a mais gastadora de sempre 1600 milhões de dólares.

.Vitória (quatro anos depois) do “chairman” do Partido Democrata, Howard Dean, arrasado por Kerry em 2004. Uma vez que os seus métodos de arrecadação via Internet e de mobilização através das redes sociais esteve na vanguarda do que Obama ontem conseguiu.

.O primeiro holograma na televisão, na CNN, de um jornalista em directo, no caso, Chicago. Jessica Yellin sentia-se como a «princesa Leya».

.David Castellanos, consultor republicano, notava que «a maioria silenciosa de Nixon, mais tarde redescoberta por Reagan, foi ultrapassada pelas minorias silenciosas».

.«Republican Brand» está nas ruas de amargura com Bush, como nunca esteve, assinalava James Carville.

.Factor raça não contou nem o factor idade. Votou-se em Obama «porque sim», comentava Bill Schneider.

.Ohio mais uma vez decisivo. Foi a partir daqui que a vitória estava consumada, depois ainda caíram Florida, Virgínia, Carolina do Norte.

A tentação de Obama no futuro

Obama continua a ser um tiro no escuro, mas tem uma equipa com o melhor que a América tem.
É uma espécie de nova “Camelot” dos tempos de Kennedy. Tanto em política externa como nos gurus da economia que tem consigo,
Creio que Obama, face à crise que o mundo atravessa, terá a tentação de recuar a Franklin Delano Roosevelt. Pondo o Estado como força motriz da recuperação económica, um novo New Deal, com um vasto programa de obras públicas e de optimismo.
Tal como disse ontem que esta foi a «vossa vitória», ele vai dizer que este é o «vosso» país, uma espécie de recuperação do discurso de JFK em Berlim. O que podem vocês fazer pela América.
Obama, acredito, vai tentar ter traços de Roosevelt, pinceladas de carisma de JFK (já o conseguiu) e a surpresa é que será um duro como um grande Presidente chamado Harry Truman.
Eu aposto assim.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Lampedusa na Casa Branca

Simples o que se vai passar a partir de amanhã. Se ganhar McCain – muito difícil – tudo vai ficar na mesma.
Se ganhar Obama, temos o que escreveu Tomasi di Lampedusa no “Leopardo”: «vai mudar tudo, para ficar tudo na mesma».

Obama e «os heróis esquecidos da América»

Ontem, em directo na CNN, vi Barack Obama construir uma das mais belas peças de oratória que ouvi em muito anos.
Em directo da Carolina do Norte, o senador do Illinois homenageava a avó que não suportou o cancro e não viu o resultado que o neto terá hoje.
Relembre-se que a mãe de Obama também morreu de cancro e ele não pôde acompanhar os seus últimos dias. Desta vez, Obama interrompeu a campanha para visitar a sua avó.
Obama falou dos americanos que não são mediáticos e não aparecem nos jornais. Mães, pais, avós, que lutam para a sobrevivência e sucesso das suas famílias, «os heróis esquecidos da América».
Neste último dia, Obama cresceu dois pontos nas sondagens nacionais.

PS: há algum tempo que o Nuno Gouveia – que construiu um grande blog sobre as eleições americanas – aceitou o meu repto e escreveu sobre a relação dos media com os gigantescos “staffs” dos candidatos. Ainda estou para também teorizar sobre o mesmo, vai ficar para o pós 4 de Novembro.

Quem é quem

Eleições americanas: verifique os nomes dos braços direitos e esquerdos dos candidatos no Behind the Candidates.

Os ataques de Menezes

Sou amigo de Luís Filipe Menezes há alguns anos. Tenho muita simpatia, é um bom político e um grande autarca, um dos melhores do país.
Tenho pena da maneira como lhe correu a sua liderança, mas quem se rodeia em áreas estratégicas de alguns incompetentes e amadores já sabe que é mais difícil a vida. Numa área tenho a consciência tranquila, porque sei que foi devidamente avisado.
Agora, pelo menos uma vez por semana, Luís Filipe Menezes arrasa Manuela Ferreira Leite. Começou com uma genial entrevista a Mário Crespo onde mostrou ideias e de como se deve fazer oposição a sério.
Porém, o que é demais chateia. E agora está a ser um pouco insistente, por muito boa razão que possa ter.
Menezes devia ter em atenção um velho adágio de Confúcio: «antes de partir para uma viagem de vingança, cave duas sepulturas».

Portugal é gente! *

Uma das coisas mais intrigantes no nosso país é a falta de vergonha, a falta de preocupação com o futuro, o gosto pelo supérfluo.
Portugal é um país paupérrimo que continua a surfar na crista da onda. Vários sinais de endividamento, de pessoas que vendem casas, carros e hipotecam o seu futuro, mas um constante estado de espírito de alheamento.
É Carla Matadinho que pinta o cabelo e diz que está mais “sofisticada”, é Isabel Figueira que quer ter o peito maior ou Luciana Abreu que vai usar “calças e blusa” em vez de calções e decotes. É a novela roubada de Miguel Sousa Tavares e os estivadores que ameaçam Miguel Sousa Tavares.
É mais um punhado de histórias irrelevantes, o ópio de um povo que dá audiências a Tertúlias Cor-de-Rosa e a revistas “del córazon” com um jet-set que é apenas “jet 4”, falido, medíocre que sobrevive a pedinchar de festa em festa.
Portugal é um país frágil, sem soluções, adiado, sem perspectivas nem futuro.
Mas ainda mais enredado porque na oposição assistimos diariamente a um exercício de contabilidade. É tempo de dizer ao PSD que Portugal não são números, é gente.
Gente que precisa de uma palavra de alento, de esperança. Hoje, continua a parecer – e as sondagens assim o indicam – que o “vendedor de sonhos” continua a ser José Sócrates. Quando esses sonhos já não pegam.
Manuela Ferreira Leite – e os seus especialistas em comunicação – já descortinou que o silêncio foi um erro.
Está a tentar acertar, mas tem de fazer muito mais e melhor, porque o tempo passa e menos tempo há de voltar a acreditar numa alternativa.

* Publicado sexta-feira no OJE

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Enough of dirty talk

Excelente Patrícia. É mesmo isso. O ambiente externo é apenas uma das variáveis do negócio, aquele pretexto fora do nosso controlo para bloquear todas as decisões, a desculpa para justificar os resultados. Obrigado por este momento de lucidez.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Felicidades Adelino para o JN

Fiquei muito satisfeito por saber, hoje, e é quase uma "cacha", que o novo editor de política do Jornal de Notícias é o Adelino Cunha.
Bom jornalista (ex-Capital e ex-Independente) e também bom escritor, de que recomendo o livro sobre a ascensão de Cavaco Silva, vai ter uma oportunidade interessante num dos maiores jornais portugueses.
Desejo muitas felicidades, sobretudo, porque ele merece.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A simpatia que eu tenho

Esta semana:

. Citar nos posts que escrevi oito blogs de comunicação portugueses em quatro dias
. Sete dessas citações em tom positivo
. Uma dessas citações em tom neutro
. Dois links para Twitters
. Apresentação de uma campanha de responsabilidade social
. Apresentação de uma campanha viral muito bem feita de uma empresa sem relação comercial com a YoungNetwork

E pensavam vocês que eram só críticas. Fixaram mais as críticas não foi? Não se preocupem, isso é comunicação.

Escreva mais que a gente gosta

Diz-nos a Filipa Trigo, do Sem Filtro, que não é bonito aproveitarmo-nos da situação, referindo-se ao desfecho Lift/Imago.

Na parte que me toca: como também não aproveitei para guardar o elogio na gaveta quando soube da eventual fusão, sinto-me à vontade para criticar agora. Tenho só de acertar o tom para garantir que cumpro o Código de Estocolmo (as referências que faço à Imago violam o código, no artigo 4.3, Conduta em relação aos colegas, uma empresa não deve: depreciar a reputação (...) de outro membro da Associação). Terei que encontrar um compromisso entre o Código e a coerência do meu discurso.

Também aqui o registo neutro da notícia da fusão no do fundo da Comunicação.

PS: E, Filipa, escreva mais que a gente gosta! Ajude-nos a curar o síndrome do macho alfa. ;)

A simpatia que eu não tenho

Ler texto simpático da Domingas a propósito das notícias Lift/Imago. De facto, como ontem escrevi, acontece. Não será o fim do mundo, e se calhar as consequências são mais da desilusão que fica face à expectativa do mercado do que outra coisa.

Também eu gosto da concorrência, e da Domingas, uma referência na comunicação já no tempo em que eu era jornalista.

Tento ser dos que criticam e dos que gabam. Para ter credibilidade na hora da crítica, mas também na hora do elogio.

Sá no bolso de Costa

Este já está no bolso de António Costa. Falta a mais importante.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Fiasco

A notícia de hoje da suspensão das negociações entre Lift e Imago só pode ser encarada como um fiasco. Após meses de conversações e sucessivos adiamentos de anúncios (penso que primeiro era em Agosto, depois em Outubro), e muitos planos depois, afinal já não há nova agência. Acontece. Não foi nem será a primeira vez.

A minha perspectiva de consolidação do mercado (aqui e ali), se por um lado é reforçada, já que nem a eventual e propalada fusão existiu, por outro é abalada, na medida em que ficam duas agências disponíveis, sem as amarras que enunciei.

Pessoalmente, acho a ruptura mais perigosa para a Imago. É a agência do outro tempo, a que esteve no topo e que sofreu a erosão dos anos. Já não é a mesma de há dez anos, e prevejo que o declínio continue até ser apenas uma botique, que segurou meia dúzia de bons clientes de outrora. Hoje ainda é mais do que isso, dentro de cinco anos não será.

A Lift liderou o processo, percebi-o por dois factores: conhecimento das duas agências e pela comunicação da operação. Foi o Salvador que liderou a comunicação desde o início, quem mais apareceu e quem melhor traçou o cenário que a junção permitiria. Agora não, quem explica com mais detalhes o desenlace infeliz é Carlos Matos, mais uma razão para pensar que o Carlos está fora de forma, apesar de ser um dos bons comunicadores do mercado. Em crise, cuidados redobrados na utilização do líder, para evitar o desgaste. Foi cumprido à risca: ficou o Salvador atrás da cortina e veio o Carlos para o palco. Correctíssimo.

A Lift seguirá, para já, o seu caminho sozinha, um caminho que tem sido feito de passos seguros.

Tenho pena pelo negócio. Apontei alguns riscos, mas acreditei no potencial. E queremos concorrentes mais fortes no mercado.

PS: Assim, vai ser mais difícil ter cá o Salvador. Pode ser que a parte da Burson se concretize.

As “pressões” sobre os jornalistas

Há uns anos, um director de um jornal disse-me: «qualquer que seja o assessor de imprensa de um PR ou PM, eu atendo sempre».
Tenho a certeza que esta prática é seguida pela maior parte dos directores dos media portugueses.
Logo, ao atender, como é que saberia se era uma pressão legítima ou ilegítima, uma conversa de rotina ou uma gestão de crise, mera agenda ou manobra de “spinning”?
Quem é mais poderoso? Eu sempre ouvi que a «última palavra é do jornalista». É essa a força do “gate keeper” que se foi atenuando com o tempo.
Assim, qual é a diferença entre pressões legítimas ou ilegítimas, quando se tem o poder? Dá-me vontade de responder à Jackson Pollock, quando lhe perguntaram como é que sabe que acabou um dos seus quadros: «como é que sabe que acabou de fazer amor?».
Não há virgens púdicas na relação poder político/poder mediático. Mas não só aqui.
É perfeitamente normal existirem conversas entre assessores/consultores e jornalistas. É que ambos querem o mesmo: boas notícias, bons conteúdos.
Por que é que não se fala de “namoro comunicacional”, que é em 90% dos casos a realidade diária da relação entre agentes de comunicação?
Como aqui se diz, então como é que ficam os poderosos? É que, neste momento, diria que nenhum director de imprensa escrita estaria nos dez homens mais poderosos do país.
Quanto mais nos falarem de «pressões ilegítimas», algo que é exponenciado por jornalistas, mais fica a ideia de «ruínas que proclamam o esplendor passado de um antigo monumento».
E quanto mais se falar de «pressões ilegítimas», mais nos permitem a imagem de Calimeros. Não conheço nenhuma imagem de poder assim.

A política e os touros

Uso diariamente quatro Moleskines diferentes, com funções diferentes, que costumo preencher sempre na minha letra certa, a preto. É um velho hábito a escrita nos meus cadernos.
Em pesquisa para um trabalho, num caderno de 2006, revejo notas de uma entrevista do “diestro”, Enrique Ponce, ao El Pais, onde contava o que diz, na praça, a um touro: «digo-lhe que se porte bem. E com o olhar digo: anda, ajuda-me um pouquinho».
Sobre a política era claro: «a política é um touro com génio».

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Cofina e o Sol

A crise ataca todos e até um dos principais e mais bem geridos grupos de media em Portugal.
A Cofina mexe no Meia-Hora, corta no Record e CM e quer largar o Sol.
O semanário tem coisas boas e outras péssimas. Por exemplo, a parceria com a FLAD, que é de prestígio, que abriu com Rui Machete e Carlos Gaspar (e bem), mas depois, esta semana, traz um texto fraquíssimo de um neófito que escreveu o seu primeiro textinho num jornal na vida e corre para mostrar à família.
Além disso, já perdeu Paulo Portas, José Eduardo Fialho Gouveia (notável a fazer crítica de televisão), mas mantém Catalina Pestana que tem crónicas fracas e mesmo Margarida Rebelo Pinto, no jornal, não “vende”.
Agora pode entrar o também muito experiente Alberto Rosário. Mas o que é certo é que, mesmo com a máquina da Cofina, o Sol quando sai ainda não é para todos.

Centímetros

Por alturas de campanha presidencial americana, é tradicional aparecerem não sei quantos estudos sobre os candidatos.
Um deles é sobre a altura. Lembro-me que mais de 75% das vezes ganha o candidato mais alto (assim será Obama) e lembro-me do pânico que esta estatística provocava aos estrategas de W. Bush no confronto com Kerry.
Diz o povo que homem pequeno ou velhaco ou bailarino, mas a minha experiência fala de que os menos beneficiados pela estatura têm alguns complexos e tentam sempre projectar domínio, força, “gigantismo”.
Por isso, achei piada a uma breve do “Correio da Manhã” que revelava que uma empresa de Sevilha faz uns sapatos especiais que dão mais sete centímetros aos seus utilizadores.
Entre eles Sarkozy, Aznar e Tom Cruise (Marques Mendes – por quem tenho simpatia há muitos anos – nunca descobriu esta empresa). A projecção da imagem é fundamental seja nos palcos da política como de Hollywood.

Ferrari

Quando a Ferrari anuncia que pode abandonar a Fórmula 1, se houver um motor único, acho que o DN acertou em cheio na próxima promoção.
Vai dar réplicas dos melhores 20 modelos da marca do cavalinho rampante. Tenho a certeza que vai ser um sucesso.

Reflexão importante

José Caria, do Be Aware of the Dog, destaca um texto da Frontline que vale a pena ler.

Passarei por lá para apoiar



Recebi da Lara Loureiro este email:

"O Movimento Xi-Coração vai realizar, dia 31 de Outubro às 23H, a festa XIC Halloween. Vai ser no SKONES – Discoteca do Restaurante Kais, em Lisboa. O objectivo é angariar fundos para criar a associação para podermos continuar as acções que já iniciamos com a entrega de pijamas a crianças desfavorecidas."

(...)

"O Projecto…

Somos uma associação sem fins lucrativos cujos objectivos principais são a contribuição para a melhoria do bem estar de crianças desfavorecidas, em zonas mais carenciadas, de Norte a Sul do país, lutando pela dignidade do nosso futuro: as nossas crianças.
Para concretizar os seus objectivos, a associação participa e promove a realização de eventos de índole cultural, educativo, artístico e social.
Uma iniciativa de talento e com talento.
A nossa Missão não é mudar o mundo, mas queremos aconchegá-lo. Queremos chegar aquelas crianças que menos têm.
Queremos dar abraços independentemente da época do ano, eternizando o momento e, com simples acções, transformar verdadeiramente algumas vidas.
O Movimento Xi-Coração tem como objectivo angariar fundos para que se possa associar a Instituições de Solidariedade Social que apoiem as crianças, levando até estas roupas, agasalhos, fraldas, artigos de higiene ou roupa do lar, entre outros artigos e tantas outras necessidades.
A recolha e a entrega dos artigos é feita pelas próprias pessoas que compõem o Movimento, garantindo que nada fica pelo caminho e numa tentativa de combater a infoexclusão, fazendo destes pequenos momentos, acções de formação lúdica e de animação cultural."

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Estou a ficar aceso

Se hoje de manhã conheci a Garagem da Lili para deixar o carro na revisão, descobri agora que posso "tomar um drink" no Bar da boa. Através do Twitter do Ricardo Teixeira.

Dardos e Links irrelevantes

Recebemos do Piar os Prémios Dardos, que consiste na atribuição de um troféu virtual por outro blog citando-o, criando uma espécie de corrente de citações, com o objectivo de linkar os blogs, gerar tráfego e notoriedade. Agradecemos.

Mas estes prémios fazem-me lembrar aquelas chain letters do início dos tempos internáuticos, aquelas que ninguém lia passado pouco tempo e eram tidas como spam ao fim de outro. Quem não foi desafiado a enviar 15 emails a 15 amigos para ter sorte para toda a vida? Ou foi tentado por um esquema de pirâmide, fácil, onde bastaria mais 50 envios para se habilitar a um chorudo prémio? E o Bill, o Gates, não vos propôs nada?

Os blogs devem ser citados ou lidos pelo interesse, não porque oferecem dinheiro ou brindes aos leitores, nem por simpatia recíproca com outros blogs. Forçado não dá reputação.

Além do mais, mesmo que fosse por simpatia, citar 15 ou 100 blogs não revela nada, não comunica para orientar as percepções. Qual é o teu clube preferido? O Sporting, o Benfica, o Porto, o Milan, a Juve, o Barça, o Real, o Bayern, o Chelsea e também o Manchester porque está lá o Ronaldo. E de quem mais gostas? Da mãe, do pai, do avô, da avó, da mana, do mano, do outro mano, do primo, da prima e do cão, que tão boa companhia é. E o que mais gostas de fazer na tua função de PR? Gosto de 15 coisas. Escrever, falar com jornalistas, tratar com o cliente, ler sobre tendências, aplicar novas ferramentas, organizar conferências, media training, crise, planeamento estratégico... e mais seis que não me lembro agora. E conta-me as tuas melhores qualidades? Sou organizado, persistente, trabalhador, perspicaz, aprendo depressa, leal, jogador de equipa, tenho know-how que mais ninguém tem, networking is my middle name,... e julgo que estas sintetizam o que sou.

Cansados? Eu também. Fixaram alguma característica? Provavelmente não. Definiram algum perfil? Decididamente não. Para ter impacto, a cada momento comunica-se um tema. Não 15 ou 100.

A mesma coisa para as barras de links que os blogs colocam à direita. Uma coisa é sugerir meia-dúzia de links, outra é colocar todos os que gostamos mais os que gostam de nós, que por simpatia retribuímos. Ok, serve como os favoritos de cada blogger, e estão sempre ali à mão para uma visita, mas a saraivada de preferidos não serve o leitor. E caso não tenham tido tempo de ler as estatísticas dos vossos blogs: o tráfego enviado a outros provém da citação em posts e não pela barra da direita.

Escolher três ou cinco blogs, em vez de 15, tem uma desvantagem muito grande. Obriga a decisões, coisa que alguma teoria bloguítica cujo idílio não prevê confronto, nem escolhas, nem tomada de partido, não consente. Mas teria a vantagem de darmos um sinal ao mercado das nossas escolhas e sermos levados a sério.

Os meus cinco blogs de comunicação portugueses preferidos (ordem arbitrária):

- Lugares Comuns
- Food for Though
- Buzzófias
- Invisible Red
- Will it brand

Claro que se continuasse a listagem iriam aparecer outros conhecidos e que também leio, mas do ponto de vista comunicacional é irrelevante.

Levar o carro à revisão

Descobri a Garagem da Lili hoje, a partir do Twitter do Diogo Caldas. Grande viral da ZON.

Trânsito mais fluído


Meia-Hora vai sair da distribuição nos semáforos. António Zilhão, administrador da Metro News, que detém com a Cofina o título, diz que com esta mudança vai "contribuir para um trânsito mais fluído". Peço à Ana Marcela, do Meios e Publicidade, que confirme se o administrador disse isto sem se rir.

Magalhães

A pedido da “Meios e Publicidade” fiz o seguinte comentário sobre a comunicação do Governo e do Magalhães. Vou resumir as minhas ideias.

.O Governo apostou forte no Plano Tecnológico, que tem sido gerido de forma eficaz por Carlos Zorrinho.

.O Governo sabe que se tornou “sexy” falar de tecnologia e inovação.

.O Magalhães já pegou. O seu brand tem um potencial fantástico (neste momento há milhares de pedidos por responder para se obter um Magalhães).

.O Magalhães é candidato a marca portuguesa do ano.

.O Plano Tecnológico e o Magalhães serão das principais armas de arremesso político a usar pelo Governo.

sábado, 25 de outubro de 2008

Jornalista desportivo explica

É preciso vir um jornalista desportivo - Rui Cartaxana - para nos ensinar a contar.

Também eu já expliquei mais de 500 vezes, interna e externamente, ao longo da minha vida profissional, esta questão numérica. Mas vale a pena voltar a ela.

A confusão nasce de três factores: um, a literatura americana que coloca o billion a seguir ao million; dois, nós, portugueses percebemos pouco de matemática; três, e não temos sensibilidade nenhuma às ordens de grandeza por ignorância.

Para explicar os dois primeiros factores, vale a pena contar em português, e em inglês "americano":

- Unidade: 1
- Dezena: 10
- Centena: 100
- Milhar: 1.000
- Milhão: 1.000.000 (million, em inglês "americano")
- Mil Milhões: 1.000.000.000 (billion, em inglês "americano")
- Bilião: 1.000.000.000.000 (trillion, em inglês "americano")

E para ganhar sensibilidade às ordens de grandeza, saiba que:

- O PIB português é 180 mil milhões euros, portanto esqueça o bilião - não precisa dessa terminologia cá dentro quando falamos de euros
- Orçamento de Estado 2009 é 79 mil milhões de euros
- Qualquer empresa portuguesa que supere os 250 milhões de euros de facturação está nas 100 Maiores, por isso, quando este valor lhe aparecer à frente desconfie

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Palavra de semi-deus

"Não sei para onde vou. Mas vou à frente"

Seth Godin, in Visão

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Lena paga para ver

O Grupo Lena, liderado por Martim Avillez Figueiredo, está a pagar para ver, para ver melhor como o mercado publicitário reage à crise financeira - depois será económica - mundial. Para já o projecto está em stand by. E já não chegará às bancas em Fevereiro, como inicialmente estava previsto.

Quer ser o Ipod do seu sector?

Como fazer que uma coisa seja cool é a questão mais hot dos tempos que correm.

Noah Kerner e Gene Pressman, na última edição da Executive Digest, falam do tema de forma descontraída e muito pragmática:

“As empresas adoram procurar o cool no quintal alheio. Na década de 1950 todos queriam ser a General Motors. Na década de 1960 queriam ser a Xerox, depois a IBM, a seguir a Nike, e a lista continua. Actualmente, o paradigma mudou para outra marca famosa. Hoje, toda a gente quer ser o... iPod do seu sector!

Quem não quer estar por trás de uma ideia original e extraordinária que revolucionou sozinha um modelo de negócio?

Mas, tal como nos disse a lenda da publicidade Martin Puris, esta abordagem costuma ser o primeiro passo para não sermos o iPod do nosso sector. Espreitar para o quintal do vizinho normalmente é um substituto do pensamento próprio. Logo é uma maneira garantida de ficar em segundo lugar.

Da próxima vez que alguém lhe disser que quer ser o iPod do sector, pergunte-lhe o seguinte: antes de inventar o iPod, o Steve Jobs andava por aí a dizer que queria ser o Sony Walkman do sector?”

Muito bom…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sistema e Gomorra

Acabei de ler Gomorra na segunda e vi o filme ontem. Livro muito interessante, filme apenas interessante. Algumas imagens fenomenais, mas para quem leu sabe a pouco.
Mas é um documento fantástico sobre a Máfia dos pobres, a que sobrevive com 700 euros por mês, que é uma organização grandiosa e multinacional, mas depois tem os pobres e remediados que alimentam aquela máquina.
Só uma curiosidade do livro que passo a citar: «Camorra é uma palavra inexistente, uma palavra de esbirro. O termo com que se definem os pertencentes a um clã é Sistema».
Quem diria?...Sistema...

Mais Marketing

Inicia-se a 27 de Outubro, no Centro de Congressos de Lisboa, a X Semana Nacional de Marketing (http://www.appm.pt/snm/).

A acompanhar com interesse, principalmente devido à presença de Martin Lindstrom que virá a Lisboa para debater o tema das sensações emocionais nas marcas.

Este especialista em branding, fundador e CEO da BBDO Interactive Ásia e co-fundador da BBDO Interactive Europe, dá uma interessante entrevista à Marketeer, e faz-nos repensar, pela enésima vez a questão das marcas e de como as vivenciamos. Ok ok, também já me cansam as opiniões de tanga sobre estes temas, mas Martin Lindstrom costuma ser diferente. A aguardar…

«Estamos tão concentrados na visão que nos esquecemos que temos mais quatro sentidos para além desse (…)83% de todas as comunicações apelam apenas a esse sentido, a visão (…) Por vezes, pensa-se que o branding está apenas e só relacionado com a notoriedade e com logótipos mas, na realidade, está relacionado com as emoções (ligações entre pessoas e produtos) e, o mais importante de tudo, com a paixão (fazer com que os clientes se apaixonem pela marca). É isso que faz com que a empresa esteja no caminho certo.»

in Marketeer

Momento dos Açores

Ao contrário dos momentos citados no Buzzófias, para mim o momento mais delirante foi outro.
Para um país que quase veio abaixo com o apoio de Bárbara e de Dinis ao «papá», mas que depois não comentou a primeira página do Expresso com uma «foto na intimidade» de Cavaco a brincar com os netos, beijinhos na tv são sempre de comentar.
Assim, o momento da campanha é quando, ao som de Tony Carreira, Carlos César puxa a sua mulher para dançar terminando como dizem os brasileiros com um «selinho» na boca.
Bonito momento a coroar uma campanha que, segundo os valores a descoberto (mas ninguém referiu o resto), custou dois milhões de euros.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pacheco Pereira

José Pacheco Pereira sempre gostou de teorizar sobre a comunicação social e, sobretudo, dizer mal dela. Foi assim que apareceu do nada.
Todos os media trucidados por ele, acabaram por o promover. E continuam.
Não sei muito bem qualificá-lo. Historiador e homem culto é. Um profundo chato, também.
Em comunicação não sei como defini-lo, mas nunca o faria com a “maldade” do LPM aqui.
Primeiro porque – fora a ironia de LPM – de comunicação o cavalheiro não percebe nada. Consultor “jamais”, “spin doctor” só dele próprio, assessor de imprensa nunca, fonte talvez.
Da política, guardo que desde a sua passagem pela liderança da distrital do PSD de Lisboa ele apanhou todos os trejeitos dos políticos, conviveu de perto com os “lados maus” da política e é um político como outro qualquer. Quanto a faro político, até pelo que me contaram na semana passada num almoço, o que já suspeitava: fraco.
Não tenho nada contra o escriba em questão, gosto de ler Pacheco Pereira na “Sábado” e “Público” onde muitos jornalistas são trucidados pelas habituais crónicas viperinas contra a comunicação social.
Sobre a escolha do candidato do PSD a Lisboa, porque como ainda não sei quem é o candidato oficial – talvez Manuela hoje abra o livro na Constança – nada tenho a dizer.
Mas eu, ao contrário de Pacheco, não apago folhas do meu passado – para o mal e para o bem – e este post está assinado – bem aqui em baixo – por quem tem 13 anos de currículo e hoje está numa agência séria e credível.
E para quem ainda não percebeu, eu vim para ficar.
Aliás, a primeira vez que vi ao vivo Pacheco Pereira foi em 1996, no Congresso de Santa Maria da Feira. Nessa altura (já ninguém se lembra) Pacheco “matava” todos os que usavam telemóveis (essa coisa horrível), por graça nessa vez Pacheco estava num sítio mais afastado e escondido a falar ao…telemóvel (essa coisa horrível).
Pedi ao Beco (Albérico Alves) que imortalizasse o momento. O “Semanário” reproduziu.
São memórias de um consultor de comunicação.

Depois da ameijoa e da corvina, os legumes

Nova ideia de Sá Fernandes: "Os lisboetas deverão poder cultivar a sua horta". O vereador pode puxar dos galões no combate à crise. A ideia da subsistência, tão importante nos dias que correm para enfrentar a crise global, já vem de longe. Antes das leguminosas, já houve o sonho de comercializar a ameijoa e a corvina do Tejo, o azeite e o vinho da Tapada.

A este propósito, como estamos de actividade piscatória camarária no rio? E na Ajuda, continuamos com bom terroir para o vintage?

Também no Público.

Não é novo

Não é uma piada nova, mas não deixa de fazer rir. Jerónimo de Sousa sobre o resultado folgado do PS na Madeira:

- "Não pode deixar de ser lido como um sinal do crescente descontentamento que a política dos governos do PS da República e da Região Autónoma".

Sobre os 3,14% que a CDU obteve:

- Os resultados traduzem "o reconhecimento do papel e intervenção do PCP e da CDU".

Há muita verdade nesta última piada. O resto aqui, na notícia do Público.

Não aprendemos

Portugueses consideram bancos culpados do endividamento.

Não crescemos, continuamos com o espírito irresponsável da adolescência. Escusado responder à questão "quem se endividou?". Fazê-lo, mais do que um ajuste de contas com o passado, seria quiçá o primeiro passo para sair do lodo da vida a crédito. Gastar menos do que se tem, abater a dívida e adaptar o estilo ao orçamento. Seríamos um povo mais são, e, decididamente, menos infantil.

Maminhas firmes II

Lembram-se desta estratégia aqui relatada recentemente? Utilizada agora por Obama, com Colin Powell, trazendo o republicano para o seu lado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Jô, Wilker, Fellini e o improviso na política

Adoro a TV Globo. Esta semana, no Jô, um grande actor, José Wilker, a falar da sua carreira e na maneira de como «é um acto de amor, passar o que está vivendo nem que seja apenas para um espectador».
Porque o actor é um «esquizofrénico, dividido entre o que é e o personagem que está a criar».
E contava como Cácá Diegues – um bom realizador brasileiro – se assemelhava com o que dizia Federico Fellini: «Improviso, claro que improviso. Mas ensaio bastante».
Mais uma achega à máxima de Karl Rove: «Prever muito, improvisar pouco».
Ou, como se sabe na política, os melhores improvisos são os cuidadosamente preparados.

Criar a oportunidade

John Kennedy dizia sempre que o ideograma chinês para crise lançava uma mensagem: sê consciente do perigo, mas reconhece a oportunidade.
Há duas semanas escrevi aqui isto: «o Labour e Gordon Brown em enormes dificuldades, mas com a situação económica a ajudá-lo, a área em que domina».
Hoje, Gordon Brown não está abatido – também não é certo que vá ganhar as próprias eleições – mas tornou-se a principal imagem de um estadista credível e com propostas de referência,
A política é volátil e é, provavelmente, a ciência mais inexacta do universo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Visita de Richard Branson a Portugal no youtube

Vídeo da acção organizada pela YoungNetwork para a Virgin Active em Setembro.

Blog Action Day 2008 by YoungNetwork

video
Música de Gustavo Santaolalla -
"Wings"

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Super-hero in da house"

Os britânicos podem estar orgulhosos - estamos todos - porque estão à guarda do único super-herói. Vamos ver a cambalhota das sondagens na corrida à Downing Street. Cameron não teve culpa. Contra o super-herói não. "Flash Gordon in da house".

A mudança de Madaíl

Gilberto Madaíl mudou de visual.
Deixou o cabelo e a barba cuidadosamente pintados, passando para o cabelo branco natural e a quase inexistente barba.
Passa melhor. A imagem de chinês transmite mais esperteza do que segurança e credibilidade.
A de avô simpático é mais defensável. Porém, não é isso que vai deixar de levar as pessoas a dizer que Queirós só há um…o Eça.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sarah Palin

Só vou reproduzir o “post-scriptum” do artigo do escritor mexicano, Carlos Fuentes, este domingo no “El Pais”: Sarah Palin, Indira Gandhi, Margaret Thatcher, Golda Meir, Ângela Merkel. Sarah Palin?».

O pior de sempre

Na segunda temporada de “Weeds” (Erva), o filho de Mary Louise Parker é obrigado a defender na escola a opção pelo voto popular directo nas eleições presidenciais americanas.
Quando o miúdo se levanta, a sua defesa não podia ser mais sintética, apenas diz: “George W. Bush”.
É o que todo o mundo pensa depois da tragédia do voto na Florida em 2000.

domingo, 12 de outubro de 2008

Sem Renova(r)

Paulo Querido utiliza muito bem as imagens para comparar os dois vídeos. Ler aqui sobre o musical dos guardanapos da Renova, aliás da Improv Everywhere.

Activos tóxicos

Desculpem se não estou a ser imaginativo com a história da comédia, mas sou um novato face aos banqueiros de Wall Street, o que me obriga a tentar, neste difícil momento, com uma manobra evasiva, dispersar a atenção.

Amanhã, cabisbaixo, utilizarei a minha melhor retórica para explicar o inexplicável. Tentar convencer os accionistas que com quatro vezes mais pessoas, e com seis vezes mais clientes, estou a distar seis ou oito posições do primeiro lugar.

Em passos langorosos entrarei na reunião extraordinária à espera de discursos lancinantes da outra parte. Espero todos os cenários: voto de confiança com reforço dos prémios, demissão com choruda indemnização ou venda dos activos tóxicos ao Estado.

A acompanhar.

Não é fácil ser relevante este fds

Num fim-de-semana marcado pelo plágio (aqui e ali) da Renova não é fácil ser relevante no nosso sector com outro tema. Temos de ser imaginativos e a comédia é sempre trunfo que podemos lançar para a mesa.

Saiu bem

No Expresso a peça sobre a LPM em Angola. Não falhámos na previsão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Há um fantasma entre nós

Agora que já cá estamos todos, uma supresa.

Nada contra os ghost writers. É comum nos livros "escritos" por caras populares lá fora. Em Portugal ainda não se faz muito, o mercado está por explorar. O ghost writer, o escritor fantasma, recolhe a informação, redige a obra e passa a outro, ao pseudo-autor, que a assina. E esconde-se para garantir que nunca se deixará descobrir, o que é acautelado por a selagem de um contrato, quando bem feito.

Nos blogs também pode acontecer. Há profissionais nas agências e fora delas que o podem fazer, mas obriga a cuidados não vá o embuste ser descoberto.

E se o descuido for de um director incauto? Um director de agência incauto? Do fundo da Comunicação está em condições de adiantar que o director de uma agência de comunicação portuguesa não escreve os seus textos no seu blog, utilizando não um mas vários escritores fantasmas para postar sob a sua assinatura.

A leitura atenta do blog, o ritmo da publicação dos posts, e um inside de um dos ghosts garantem-nos.

Trauteio, com o ruído de fundo da televisão:

"If there's something strange
in your neighborhood
Who ya gonna call?
GHOSTBUSTERS

...

I ain't afraid of no ghosts"