Este ano, na área política, ficaremos abaixo do objectivo inicial traçado, mas muito melhor do que em 2008.
Este segundo semestre, fruto das duas eleições que se avizinham, vai ser o nosso melhor período.
Nas campanhas em que estamos envolvidos (de três partidos diferentes), o nosso âmbito de actuação varia bastante.
Preferimos, obviamente, ter um lugar estratégico e de intervenção de A a Z.
Já lá chegámos.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Política melhor
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
A coragem dos gestos *
O Governo português, fraco e submetido a qualquer pressão internacional, decidiu não receber o Dalai Lama, quando este passou por Lisboa.
Nicolas Sarkozy, ameaçado de boicotes a várias marcas e empresas francesas na China, não hesitou em se encontrar com aquele líder simpático e que o mundo respeita, sem grandes alaridos e de maneira discreta. Quem marca a agenda é ele e a França e qualquer pressão internacional tem a resposta que merece: nenhuma. Mas o gesto ficou.
Por cá, um estudo sobre a reforma institucional em Portugal – perspectiva das elites e das massas – diz que apenas 28,5 por cento dos eleitores estão satisfeitos com a democracia em Portugal.
O estudo não foi feito esta semana, pois então seria ainda pior o resultado. Lembro-me há uns anos atrás de um trabalho de um semanário que acompanhou uma sexta-feira de trabalho do “beato” Francisco Louçã no Parlamento. E tal como alguns, o líder do BE foi lá apenas assinar o livro de ponto porque tinha mais que fazer. Uma ida ao estrangeiro ou um “treininho” no Holmes Places da Defensores de Chaves, onde habitualmente cultiva o corpo.
Esta semana fica o incrível número de 31 por cento de faltas do líder parlamentar do PSD e mais uma debandada geral numa votação muito importante (a maior parte do PSD).
Depois de escutar as justificações e saber da justiça de elas, Manuela Ferreira Leite só tinha de engatilhar: «comigo, sem justificação, os senhores deputados que faltam não serão candidatos na próxima legislatura».
Manuela mostraria liderança e autoridade. Mas, por cá, não há destes gestos.
*Publicado hoje no OJE
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Duas peças de estratégia
Fica cada vez mais percebido que o PS não quis chamar Dias Loureiro ao Parlamento para não incomodar Cavaco Silva.
Eram umas tréguas e paz institucional.
A segunda peça estratégica é que tenho a convicção que são próximos de Manuela Ferreira Leite – e que fortemente a apoiaram – que estão a lançar Marcelo. Objectivo: não querem Pedro Passos Coelho, que está a construir tudo com pés e cabeça e que teve um fim-de-semana – nomeadamente Expresso e Correio da Manhã sábado – fenomenal em comunicação. E, no DN de ontem, apenas constatou um facto de quem não tem nada a esconder.
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Austeridade emocional *
A política portuguesa tem ciclos. Tem fases mais austeras e com maior autoridade - governos de Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates – seguidas de fase de maior emoção e afeição, António Guterres e Pedro Santana Lopes.
Parece que quando os portugueses ficam cansados de um pai, se voltam para a emotividade de uma mãe. São os ciclos e basta reparar como isso acontece por cá.
Na oposição a Sócrates, não há emoção nem afectividade, muito menos esperança. Manuel Ferreira Leite é ícone de uma austeridade com credibilidade (foi essa imagem que quis criar), mas muito pobrezinha de ideias e a rumar para o abismo do disparate, como o que aconteceu na semana passada.
Para quem viu alguns fóruns populares, os portugueses não reagiram tão mal como isso, pois o nosso país continua herdeiro de um conservadorismo salazarista que tem algum fascínio por ditadores.
Porém, o que é certo é que cada vez mais se sente que José Sócrates tem a vida facilitada à direita e só tem mesmo de se preocupar com a chantagem diária – com ameaças de saída do PS ou constituição de um novo partido – por parte de Manuel Alegre.
Além do mais, a política portuguesa vive uma austeridade emocional (expressão que retiro com a devida vénia a Ana Sá Lopes) que leva a que muitos eleitores ainda não saibam em quem votar.
Assim, a tendência será a abstenção, ou, como voto útil, votar em Sócrates, pois é preferível o certo ao incerto. A réstia de esperança ao mais frio dos infernos.
*Artigo publicado no OJE
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
Os ataques de Menezes
Sou amigo de Luís Filipe Menezes há alguns anos. Tenho muita simpatia, é um bom político e um grande autarca, um dos melhores do país.
Tenho pena da maneira como lhe correu a sua liderança, mas quem se rodeia em áreas estratégicas de alguns incompetentes e amadores já sabe que é mais difícil a vida. Numa área tenho a consciência tranquila, porque sei que foi devidamente avisado.
Agora, pelo menos uma vez por semana, Luís Filipe Menezes arrasa Manuela Ferreira Leite. Começou com uma genial entrevista a Mário Crespo onde mostrou ideias e de como se deve fazer oposição a sério.
Porém, o que é demais chateia. E agora está a ser um pouco insistente, por muito boa razão que possa ter.
Menezes devia ter em atenção um velho adágio de Confúcio: «antes de partir para uma viagem de vingança, cave duas sepulturas».
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008
A política e os touros
Uso diariamente quatro Moleskines diferentes, com funções diferentes, que costumo preencher sempre na minha letra certa, a preto. É um velho hábito a escrita nos meus cadernos.
Em pesquisa para um trabalho, num caderno de 2006, revejo notas de uma entrevista do “diestro”, Enrique Ponce, ao El Pais, onde contava o que diz, na praça, a um touro: «digo-lhe que se porte bem. E com o olhar digo: anda, ajuda-me um pouquinho».
Sobre a política era claro: «a política é um touro com génio».
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Centímetros
Por alturas de campanha presidencial americana, é tradicional aparecerem não sei quantos estudos sobre os candidatos.
Um deles é sobre a altura. Lembro-me que mais de 75% das vezes ganha o candidato mais alto (assim será Obama) e lembro-me do pânico que esta estatística provocava aos estrategas de W. Bush no confronto com Kerry.
Diz o povo que homem pequeno ou velhaco ou bailarino, mas a minha experiência fala de que os menos beneficiados pela estatura têm alguns complexos e tentam sempre projectar domínio, força, “gigantismo”.
Por isso, achei piada a uma breve do “Correio da Manhã” que revelava que uma empresa de Sevilha faz uns sapatos especiais que dão mais sete centímetros aos seus utilizadores.
Entre eles Sarkozy, Aznar e Tom Cruise (Marques Mendes – por quem tenho simpatia há muitos anos – nunca descobriu esta empresa). A projecção da imagem é fundamental seja nos palcos da política como de Hollywood.
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Congresso de Guimarães: Faltou a ALMA (V)
Acima de tudo, neste Congresso, faltou alma, emoção e mais teatro. Os portugueses habituaram-se a isso no PSD. Se não há – e ainda por cima com um campeonato europeu e boa praia – não há audiências.
Por isso, ou volta o circo ou tem de se mudar esta organização, que se torna maçuda e em três dias apenas apresenta 4 momentos emocionantes.
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Congresso de Guimarães: Momento “Torero” (III)
PSL subiu engripado, voz trémula, mas morto por rebentar algumas figuras que, apesar de eleitas, não são apreciadas pelo povo social-democrata.
Quando fala em ética da política, o alvo era António Borges.
PSL muito aplaudido como sempre disparou e ficou a olhar – cerrado – durante longos segundos a observar um amedrontado Borges que, completamente encavacado, nem levantou os olhos.
Se alguém tinha dúvidas sobre o futuro político de Borges, aquela imagem mortífera de um desafio que não teve coragem de enfrentar diz tudo.
PSL, citando Esperanza Aguirre, também no congresso do maior partido de oposição espanhola, continua a ser «um verso solto dentro do poema». E assim continuará, é o seu espírito, é a sua ALMA.
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Congresso de Guimarães: A saída de Cícero (II)
Hoje em dia, vê-se Ângelo Correia como um empresário, presente em conselhos de administração de muitas empresas. Tinha-se esquecido o velho Ângelo (juntamente com António Vitorino, os dois primeiros colunistas da revista que dirigi), culto, tribuno, orador de excepção.
Há muito que estava fora dos palcos de que gosta. Só quem não o conhece não sabe que, aqueles momentos em que lança palavras para uma assistência atenta e sedenta de discursos “à política”, são dos que mais adora.
O homem que canta árias de Wagner – em alemão – em casa, citou S. Paulo: «combatei sempre! Mas pelo bom combate!», falou latim para uma jornalista da RTP que não percebeu nada e fez uma saída de Cícero – o grande orador romano – aplaudido de pé e com um congresso rendido à sua ALMA.
Coisa que não se ouviu falar por aquelas terras.
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Congresso de Guimarães: O PSD e os astros (I)
A não ser ter feito uma capa, em 2000, que lançou o combate no Congresso de Viseu entre Durão Barroso, o “está escrito nas estrelas» (era assim a capa) Pedro Santana Lopes e Marques Mendes, não tenho muito jeito para questões astrológicas.
Na sexta-feira do congresso, uma amiga dizia-me, a propósito de outras coisas, que essa sexta era boa.
Porque o «solstício é óptimo – lua cheia, ou seja, antigos assuntos concluídos e novos princípios».
Fiquei a aprender e, de facto, os velhos assuntos encerrados e novos princípios, de Manuela e Pedro Passos, sempre cuidadosamente enquadrados no domingo – quase como uma sucessão natural – pela realização da SIC-Notícias.
No meu “mapa astrológico”, que tem acertado na maior parte dos líderes ( desde o pós-cavaquismo) – com a excepção de Fernando Nogueira, esperava a vitória de Durão – Pedro Passos Coelho tornou-se a “next big thing” do PSD.
Para quem conhece congressos de diversos partidos, o termómetro da sala estava bem afinado.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008
O que vai dizer Manuela no Congresso
Vai dizer que o Bloco Central não é ideia dela e que só numa situação de catástrofe o defenderá.
Vai falar do social e da classe média.
Vai colocar o PSD no centro esquerda.
Vai defender como arma de oposição o silêncio.
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O que vai dizer Pedro Passos no Congresso
Vai resguardar os seus laços com a sociedade civil.
Vai dizer que se deve fazer oposição clara, mas também ouvir muito mais as pessoas.
Vai colocar o PSD no centro-direita.
Vai defender o risco de ser empreendedor
Vai manter o seu espaço vital de actuação sem atacar a liderança de Manuela.
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
O, mas O, soundbyte
«Todos os partidos que perdem sofrem uma catarse»
Alberto Ruiz-Gallardón
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sexta-feira, 6 de junho de 2008
Alegre despudor
Manuela Ferreira Leite ganhou sem dizer nada, como em toda a sua carreira política. Pedro Santana Lopes continua com espaço dentro ou fora do PSD (e cada vez mais lhe apetece sair) e Pedro Passos Coelho com os apoios da sociedade civil que exibiu e alguns “opinion makers” mais jovens, mostrou que seria o osso mais duro de roer para Sócrates. Mas optou por apenas marcar o seu espaço, e bem que o ocupou, que passou a estar no Olimpo social-democrata.
Mas o PSD está tripartido e mais refém do seu espaço natural.
O que Sócrates temia, aí está. Manuel Alegre nas “ruas” acolitado por Bloco de Esquerda, a companheira Roseta e mais uma série de comunistas que amam Chávez e os tiranetes que esta esquerda acha democrata.
Alegre ameaça: “vamos encher outras salas e outras ruas do País” e fala em “acto renovador” nesta sua atitude de vaidade despudorada, como se fosse o patriarca da esquerda em Portugal.
Alegre tem de esclarecer bem se é apenas o rosto de uma ala, o criador de um novo partido ou apenas guardião de um milhão de portugueses que votaram nele para Belém.
Alegre é um homem ressentido. Um combatente respeitável e que figura na história da democracia, mas um derrotado no PS e no País. Nos Açores disparou: “Carlos César não é um socialista de plástico feito por uma agência de comunicação de um dia para o outro”. Todos sabemos a quem se dirigia.
O Primeiro-Ministro que cativou as elites só receava a perda da maioria absoluta neste cenário. Vamos ver até que ponto Alegre levará esta chantagem. Ele quer o apoio do PS para Belém, Sócrates prefere Cavaco. O momento político mais difícil para o futuro de Sócrates é agora.
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
Brilho nos olhos
Luis Paixão Martins (LPM) decidiu partilhar a sua experiência com a campanha de José Sócrates, o que é importante contribuição para a história do marketing e comunicação política em Portugal.
Ficámos a saber que não foi nenhum efeito estudado, nem de “photo shop”, que colocou o actual PM com olhos verdes em 2005. Apenas a luminosidade de um jardim.
Fico esclarecido. E ainda mais convicto de algo: em tudo na vida, por muito profissionalismo que haja, tem de haver o factor sorte.
Mas também há muito sei que ter sorte dá muito trabalho…
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
O Rei e Zapatero
O “El Mundo” quis fazer um Zapatero confidencial, reportagem, essa, que saiu no domingo passado.
E uma jornalista conseguiu o que, desde a democracia, nunca tinha sido alcançado. D. Juan Carlos pronunciou-se, pela primeira vez, sobre um Presidente do Governo no activo.
Para ele, Zapatero «é um homem muito honesto. Muito recto. Que não divaga. É um ser humano íntegro». E ainda desejou «boa sorte» à profissional que ia realizar esse perfil.
O Rei numa cerimónia pública ainda revelou a ZP: «falei de ti». Que grande comunicação, num momento em que a oposição não existe e o Rei é a força tranquila dum regime estável, de progresso e de sucesso.
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Hillary 2012
Mário Vargas Llosa é um dos meus escritores preferidos.
Com crónicas magníficas, também, aos domingos no “El Pais”, que fazem pensar o que o Peru perdeu ao ter escolhido Alberto Fujimori para Presidente, em vez dele.
Neste domingo, numa prosa sublime, foi até hoje o que melhor explicou a motivação de Hillary Clinton, em se manter numa corrida Democrata que todos acham que Obama já ganhou.
Continua com ataques racistas e duros, desgastando-o e beneficiando Mc Cain, e muitos não percebem porquê.
Hillary quer ser (re)candidata em 2012, mas se o inquilino da casa Branca for Democrata tem poucas hipóteses. Por seu lado, se for um republicano – e ainda por cima com 76 anos na altura – as suas chances crescem.
Aqui se prova porque ela é um «animal político, frio, tenaz, inteligente e sem escrúpulos».
Como escrevi há uns meses atrás, a «Lady Macbeth» dos tempos modernos.
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Jardim e Pinto da Costa
O que têm em comum estes dois homens?
No meu entender duas coisas importantes.
Por um lado, os amores e ódios que despertam, porque não passam despercebidos a ninguém, pelos resultados magníficos que obtiveram.
Depois, porque criaram uma imagem que lhes dava jeito para alcançar os seus objectivos. Uma imagem pública que pouco tem a ver com a realidade.
Alberto João nas suas diatribes contra Lisboa conquistou um povo, negociou com sucesso o que quis e fez tremer – algumas vezes - o poder central em Lisboa.
Não é nenhum troglodita, escreve bem e pensa bem, mas aquele foi o “brand” que criou.
Pinto da Costa, por quem tenho grande simpatia, e que sempre me tratou bem (bem como o meu amigo Antero Henrique), comanda uma organização muito profissional – das melhores do país - é um homem culto, um diplomata e um bom amigo do seu amigo. Pouco tem a ver com a imagem pública que criou.
O discurso anti-capital galvanizou uma cidade - por quem ele fez mais do que qualquer presidente de câmara.
O ano passado considero, mesmo, que o melhor trabalho de PR foi o realizado pela LPM (apesar de ter uma falha, que direi em privado) com o Futebol Clube do Porto (e naturalmente com Pinto da Costa, que atravessava um momento difícil). Em que houve um iniciar de processo de “rebrand” que o fez estar menos em cena, lhe suavizou a imagem com as fotos e o casamento familiar na “Caras”. Só depois da vitória no campeonato se assistiu ao Pinto da Costa que conhecemos.
Como vão ser os próximos passos de Jardim e Pinto da Costa?
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
O que faltou na bagagem do PM
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