Já assisti a diversas conferências de figuras internacionais em Portugal. Giuliani, Blair, Colin Powell, etc.
O que mais gostei foi Clinton, no Pestana Palace Hotel, trazido a Portugal por Luís Delgado.
A sós, apenas Pedro Santana Lopes teve a honra de conhecer o homem que popularizou o vestido azul mais conhecido da política mundial. E a sua mancha.
Clinton foi um show, na pose, amparada lateralmente ao púlpito, enquanto escutava as perguntas. A primeira, lembro-me perfeitamente – e já vão 3 anos – fez António Guterres.
Nas respostas em que falou da Bósnia e de uma história fantástica dos meninos no Ruanda.
Bill Clinton foi um grande presidente, mas hoje o seu valor facial é muito mais baixo. É um derrotado. Al Gore foi o primeiro a perceber que as suas aparições tiravam votos, por isso nunca o quis ao seu lado em 2000.
Era um trunfo junto dos afro-americanos. Toni Morrisson, ex-Nobel da literatura, chegou a dizer que ele era o primeiro presidente negro. Mas 80% do eleitorado negro votou Obama.
Clinton foi um dos principais responsáveis da derrota de Hillary, sobretudo nos estados do sul.
E George Stepanoupoulos, em “All Too Human” foi o primeiro a perceber que Hillary era muito melhor que ele. Mais fria, mais ambiciosa, mais bem preparada, como muito mais paixão pelo poder.
Gosto de Bill Clinton, mas desta vez não tenho interesse.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Clinton outra vez em Portugal
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Anónimo
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segunda-feira, 19 de maio de 2008
Hillary 2012
Mário Vargas Llosa é um dos meus escritores preferidos.
Com crónicas magníficas, também, aos domingos no “El Pais”, que fazem pensar o que o Peru perdeu ao ter escolhido Alberto Fujimori para Presidente, em vez dele.
Neste domingo, numa prosa sublime, foi até hoje o que melhor explicou a motivação de Hillary Clinton, em se manter numa corrida Democrata que todos acham que Obama já ganhou.
Continua com ataques racistas e duros, desgastando-o e beneficiando Mc Cain, e muitos não percebem porquê.
Hillary quer ser (re)candidata em 2012, mas se o inquilino da casa Branca for Democrata tem poucas hipóteses. Por seu lado, se for um republicano – e ainda por cima com 76 anos na altura – as suas chances crescem.
Aqui se prova porque ela é um «animal político, frio, tenaz, inteligente e sem escrúpulos».
Como escrevi há uns meses atrás, a «Lady Macbeth» dos tempos modernos.
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Anónimo
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
"Almost there"
Era este o título da capa da “Economist” desta semana.
Paradoxalmente, Obama tem perdido magia, mas tem conquistado os super-delegados e manteve a liderança entre os Democratas,
Agora fala-se num “ticket” Obama/Hillary, que eu não acredito. Os estrategas do senador só deixaram cair esta hipótese para que a campanha seja mais branda.
Obama derrotou uma poderosa campanha, com muitos meios, de Hillary. Mas ainda falta superar a prova de fogo: uma campanha violenta republicana, se tudo continuar como o dizem as sondagens “too close to call”.
Mantenho que nunca votaria nela, mas Hillary era a melhor candidata, a mais bem preparada, a com mais coragem para romper e fazer reformas. Mas isso não basta. A máxima de Kissinger mantém-se actual.
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domingo, 11 de maio de 2008
Foi-se a presidência. Viva a vice-presidência!
Hillary está fora. Estuda agora como comunicar a derrota para que sirva de trampolim na sua "candidatura" à vice-presidência de Barack Obama. Ver aqui na CNN.
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quarta-feira, 9 de abril de 2008
As duas melhores máximas sobre Hillary
Eu escolheria duas frases para explicar tudo o que aconteceu em um ano a Hillary Clinton, justificando a sua incapacidade inata de despertar afectos.
«Ela é o melhor homem para o lugar de “comander-in-chief”» Jack Nicholson, que é seu apoiante
«Se Hillary fosse um estado, seria o Ohio. Longe de qualquer extravagância, carente de todo o glamour», análise de editorial americano
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
Hillary sem Penn
Por causa de um problema da sua vida empresarial, incompatível com as ideias da candidata que aconselhava, Mark Penn deixou o comando da campanha de Hillary Clinton.
Os maus diriam que seria o regresso da velha máxima de que os ratos…
Não vejo dessa maneira, mas reconheço que Penn teve um estranho papel numa candidata com tudo para ganhar a nomeação democrata. Nomeadamente, em algo em que ele é especialista.
Mark Penn é um caçador de microtendências. Observa a paisagem social, com a perspectiva de encontrar antes dos outros algo que seja um “tsunami social”.
Como explicava há pouco tempo o “La Vanguardia”, «todo o acontecimento que hoje está a modelar o nosso mundo, começou em algum pátio traseiro, quem sabe mesmo à frente dos nossos narizes».
Penn não descortinou as microtendências que empurraram Obama para um movimento social que há décadas não se via nos EUA.
Um especialista em crise. Também acontece.
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segunda-feira, 3 de março de 2008
...Jack Nicholson está contra nós
Resposta de Hillary.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Duelo no Texas
Queria ver este duelo. Fascinante, preparado até ao milímetro.
Por isso, a cara de Obama, a olhar para trás para o seu staff, para saber se ainda falava, no debate da CNN/Univision, foi um momento interessante.
Obama sentiu naquele momento, que Hillary lhe roubou a cena na última declaração.
A pergunta era: qual a maior crise por que já passou? Hillary, abre com humor: «vocês sabem que já passei por muitas crises», mas termina a contar como é abençoada ao ver outros que entram nos hospitais para serem tratados. Quase que se emocionava, como aconteceu, eficazmente, no New Hampshire.
Os comentadores disseram que foi o melhor debate de Obama e que Hillary sempre se sai bem neles.
Gloria Borger da CNN diz que foi a primeira vez que Obama vestiu o fato de “commander-in-chief”. Mas eu que nunca gostei de Hillary, e que já escrevi que ela era a “Lady Macbeth”, provou ontem uma coisa que eu gosto nos políticos: paixão pelo poder. E, de facto, ela está muito bem preparada.
Mas o “momentum” e a revolução cultural da esquerda é Obama. Muitas Cassandras – acho que todas – se enganaram no confronto final. “Mea Culpa” também, mas pelo menos não perdi um jantar no “Gambrinus” como Vasco Pulido Valente. Que apostou com Mário Soares que o próximo Presidente dos Estados Unidos seria Mitt Romney.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
E vão nove; na retórica Obama é imbatível
Nona vitória consecutiva. Ontem mais uma primária para Obama. Hillary Clinton já diz que não bastam discursos brilhantes, reconhecendo que na retórica a luta está perdida para Obama.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
A maldição dos senadores
O DN chamou bem a atenção de que, finalmente, um senador vai ser Presidente dos Eua. É que os mais prováveis têm assento no Capitólio.
Hillary, por Nova Iorque, Mc Cain pelo Arizona e Obama pelo Illinois. E isso já não acontecia desde JFK, já lá vão mais de 40 anos.
Só que se esqueceu de enfatizar o seguinte: os únicos que o conseguiram morreram enquanto estavam no poder. JFK assassinado em 1963, em Dallas; Andrew Harding morreu de enfarte em 1923. Será que a maldição acabou mesmo, ou assistiremos ao nascimento de um novo mártir?
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Iowa 2 - discursos depois dos resultados
Huckabee – “This election is not about me, is about we”. “We the people are the ruling class in America”.
Muito conservador, sem muitas explosões de alegria, com Chuck Norris por trás, e dando a bicada assassina em Romney, ele que foi vítima da maior campanha negativa em televisão por parte de Mitt: «more important than raise money is to raise hope, to raise dreams». A revelação de que a direita conservadora condiciona totalmente a contenda republicana, com o crescimento deste pastor evangélico, no último mês, de mais de 25%.
Obama - George Clooney dizia que ele era uma estrela de Hollywood. E bastava ver o seu discurso de vitória, para se perceber o frenesim que rodeia uma “movie star”.
“We are one nation, one people, the time for change has come”.
“Ordinary people can do extraordinary things: We are ready to believe again”. E sempre com 90 % da assistência branca para não meter medo à América conservadora.
E no seu “site” (o melhor de todos os candidatos), hoje, já estava: “build the momentum: change is coming”.
Romney – Ambiente lúgubre nesta campanha. Aliás, Mitt Romney foi o único que passou o microfone à mulher, durante o discurso.
“Washington is broken”. “We need new faces in Washington”. Esta foi a pedra de toque de quem salientou que Obama, Huckabee e ele, nenhum era de Washington, eram “new faces”.
Edwards – O arranque diz tudo: “status quo lost and change won”. Falou de uma “wave of change” e no púlpito estava: “your time is now”.
É o candidato que desce à América de Roosevelt e de Truman e que pega em casos humanos, pessoais e familiares, como o do seu pai e da sua mulher para falar de uma sociedade de valores mais justa, que respeita a classe média. É em termos oratórios o mais próximo da criação do sonho de JFK.
Hillary – sempre artificial, forçado, mesmo com a presença de Bill e de Madeleine Albright, a multidão a gritar “Hillary”, “Hillary”, parece que não há envolvimento total com a candidata.
No entanto, ela sente-se a mais bem preparada, a melhor para derrotar os republicanos, o ênfase da sua campanha é nestes dois eixos alicerçados com a palavra experiência, que Hillary não atribui a Obama e a Edwards.
A sua frase mais apelativa: «não queremos eleger um presidente, queremos mudar um país» é fraca. Uma conclusão fácil: se Bill Clinton fosse candidato, mesmo com o pecado do vestido azul, trucidava os adversários.
Nota final – Mudança, esperança e luta contra o “status quo” marcam esta primária. Vamos ver como é o resto do país, mas reina ainda a confusão do lado dos republicanos, ao contrário do que estes resultados mostram.
Mas nunca me esqueço de uma das maiores surpresas das primárias. Jimmy Carter, quando ganhou em 1976, apenas dizia: «não sou advogado e não sou de Washington”.
Portanto, o filme do homem novo, não é novo.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
"Under dog" está "out"
Acabei de fazer um périplo pelas páginas oficiais dos candidatos à Casa Branca e constato uma evidência, para lá da confusão que reina do lado Republicano.
Nos Democratas, Hillary mantém-se à frente e é Edwards que cresce um bocadinho. Nos Republicanos, a maior queda é a de Giuliani. Romney pode ganhar as duas primárias, mas Mc Cain, dado como morto há uns meses, reaparece e Huckabee prova que a direita religiosa pode e manda, rendendo-se a este pastor com uma pobre campanha e fracos recursos.
Mas se visitarem as páginas dos Democratas, vê-se que todos apresentam sondagens a dar-lhes a vitória. Edwards então é super-optimista no Iowa, Obama também ganha e Hillary segue a caravana.
À direita, o mesmo registo, mas é curioso, por exemplo em Mc Cain, o enfoque dado ao crescimento dos últimos dias mostrando, principalmente, uma possível vitória no New Hampshire.
Esta ânsia por mostrar resultados ganhadores exibe à evidência que, nos dias de hoje, o efeito “under dog” em sondagens está fora de moda.
Já ninguém tem pena de “loosers”.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
A última
Para quem quiser saber as últimas sondagens americanas consulte www.americanresearchgroup.com e confirma o post anterior.
Nos Democratas, Hillary com grande vantagem sobre Obama, que precisa mesmo de uma vitória numa das três primárias.
Nos republicanos, Huckabee ao lado Giuliani, Romney que apostou forte nos primeiros estados pode surgir como cavalo vencedor.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Ela ou ela, ou ele
Na recta final das primárias americanas o que podemos dizer que mudou desde o início, que expectativas ainda estão ao rubro, o que nos dizem as sondagens.
No campo Democrata, ou ela ou ela. Quer isto dizer que Hillary Clinton continua, como no início, imparável. Daí que o mago das vitórias de W. Bush, Karl Rove, tenha vindo nesta semana dizer o evidente. Que o seu principal adversário, Barack Obama, precisa de pelo menos uma vitória nos três primeiros escrutínios, em Iowa, New Hampshire (NH) e Carolina do Sul (CS), ou então “finito”.
Assim, surge no palco a outra ela, a 9ª pessoa mais poderosa do mundo, segundo a “Forbes”, Oprah Winfrey, a última cartada do senador negro que não tem o apoio maioritário dos “afro-americanos”, terreno esse da família Clinton.
Mas se no Iowa, Obama tem mais dois pontos que Hillary, no NH e CS, a mulher de Bill ganha em passeio. E nas sondagens em 28 estados, Hillary anda em média na casa dos 35% e Obama nos 20%. É um duelo em que, se houver inversão, Oprah terá sido a chave.
Nos republicanos, tudo ao molho. Giuliani aparece como o mais bem posicionado para derrotar o candidato Democrata; Mc Cain numa queda vertiginosa desde que o seu staff se apercebeu que ele era um perdedor e o abandonou; Fred Thompson nada e não disparou; Mitt Romney, como já o tinha escrito, apostou na estratégia correcta e gastou em televisão nos três primeiros estados para surgir como cavalo vencedor; e agora surge o furacão Huckabee, governador do Arkansas, em crescimento diário e a galgar posições. Giuliani só ganha na SC, Romney em Iowa e NH, mas com Huckabee a morder.
Se dos Democratas será uma ela o factor decisivo, a incógnita é saber quem é o ele republicano da equação para a corrida à Casa Branca.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Hillary: Lady Macbeth
Qual é o preço do poder para esta mulher? Quanto vale a ambição? Shakespeare foi o melhor psicanalista dos dilemas, dos conflitos internos, das personagens ávidas de poder. Basta ler Macbeth, Rei Lear ou Ricardo III.
Hillary Clinton é a personagem que mais se assemelha a este universo do criador de Romeu e Julieta. Em Macbeth, é a mulher dele que o instiga a cometer o mais vil dos crimes para beber o triunfo do poder. Aliás, Akira Kurosawa quando se inspirou neste drama para fazer um filme genial chamou-lhe o “Trono de sangue”.
Não é que Hillary tenha morto ninguém – pelo menos que se saiba – mas a determinação e o seu sonho de poder levaram-na a engolir uma quantidade de sapos praticamente inimaginável.
Muitos dizem que, actualmente, ela é a mais bem preparada de todos os candidatos à presidência norte-americana. Mas resta saber quão confiável ela é.
Carl Bernstein escolheu-a para a retratar impiedosamente no seu último livro, tal como o desiludido com os Clinton, George Stepanoupoulos já o tinha feito há uns anos atrás.
Hillary sabia tudo. Todos os podres do seu marido Bill. Suportou-os pelo peso de uma ambição. Engoliu Gennifer Flowers, envolveu-se na morte misteriosa de um amigo do casal nos tempos do Arkansas, no caso Whitewater, ouviu Paula Jones, até “limpou” a mancha no vestido azul de Mónica Lewinsky e foi sempre quem controlou subtilmente os fios da marioneta que ela sempre apoiou e ajudou a criar. Bill tocava saxofone e brilhava, Hillary, em silêncio, manipulava.
Bill era simpatia, frivolidade, jovialidade. Hillary era despótica, profissional, gélida.
Bill é adorado na Europa pela esquerda globalizada, mas continua mal visto nos EUA que só lhe perdoarão a desconstrução da Casa Branca pelos seus escândalos sexuais daqui a cem anos.
Hillary, está bem preparada, ninguém lhe pode negar isso, é uma Ségolène com cafeína. Porém, não apaixona. É um produto estilizado, credível enquanto marca, mas é pura razão sem coração. Se eu fosse norte-americano fugia dela…
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