Confesso que sempre simpatizei com Jorge Coelho.
Ao longo dos anos moderou a imagem, seguindo o politicamente correcto do marketing político, mas nunca moderou as emoções.
Os seus amigos adoram-no, os militantes socialistas acham-no fundamental e a alma do PS ainda depende dele.
Quando era jornalista que acompanhava o PS, nas iniciativas Governo em Diálogo, havia sempre um jantar de Guterres com os presidentes de câmara do distrito que visitava.
Jorge Coelho, e o seu assessor António Capinha, optavam por jantar com os jornalistas. «É mais divertido com vocês e já conheço os autarcas todos», dizia-nos, bem disposto. Lembro-me bem do serão na pousada Flor da Rosa, no Crato.
Ele era a corrente de transmissão dos militantes a um PM que gostava do diálogo, mas que por vezes estava distante das bases do PS.
Quando era director da Política Moderna, fiz-lhe a última entrevista, que foi capa, enquanto ministro. Dois dias depois, caía a ponte de Entre-os-Rios e Coelho abandonava o Governo. Ficou muita obra por fazer e que na altura ambicionava e me mostrou.
Manteve a discrição nos grandes palcos, mas bastava espreitar um congresso do PS para se saber que o mais aplaudido era ele.
O PS vai sentir a sua falta com a ida para a Mota-Engil. E Coelho vai perder alguma magia e um toque de pitoresco que sempre quis manter.
Carlos Andrade perguntou bem: «estão a contratar uma gazua, ou um homem extremamente competente?». Eu diria, as duas coisas.
Mas quando a construtora ganhar alguma coisa, instalar-se-á logo a dúvida de como o conseguiu.
Jorge Coelho político é Anakin Skywalker. Jorge Coelho gestor terá um lado Darth Vader. Como é que ficará para a história?
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Jorge Coelho
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
A paixão da História
A “Meios e Publicidade” foi a primeira a anunciar a criação da Visão/História.
Foi a primeira coisa que li nessa manhã. Mas fiquei com as expectativas frustradas.
Sou consumidor mensal certo de quatro revistas de história: A National Geographic História, a Clio, a Historia y Vida e La Aventura de la História. Todas espanholas e nada parecidas com a nossa “História” que sempre foi um projecto, desde o início, mais preocupado em ser académico do que para consumo de massas.
E ainda compro a “L`Histoire” e a “História”, brasileira.
Por isso, esperava que a Visão aparecesse com algo parecido com o que os nossos vizinhos fazem tão bem.
Afinal, nem a periodicidade é certa. Será pontual, quando se justificar. Os portugueses que gostam de história vão ter que continuar a desenvolver o castelhano.
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quarta-feira, 9 de abril de 2008
As duas melhores máximas sobre Hillary
Eu escolheria duas frases para explicar tudo o que aconteceu em um ano a Hillary Clinton, justificando a sua incapacidade inata de despertar afectos.
«Ela é o melhor homem para o lugar de “comander-in-chief”» Jack Nicholson, que é seu apoiante
«Se Hillary fosse um estado, seria o Ohio. Longe de qualquer extravagância, carente de todo o glamour», análise de editorial americano
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terça-feira, 8 de abril de 2008
Blogosfera alive
Na próxima quinta-feira é promovido um debate, by Unicer, sobre o tema: «Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?».
In loco ou via Net – uma vez que haverá transmissão de vídeo em directo - assistiremos a estas ‘conversas’. Ver notícia na Briefing de hoje.
Boa iniciativa.
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
Hillary sem Penn
Por causa de um problema da sua vida empresarial, incompatível com as ideias da candidata que aconselhava, Mark Penn deixou o comando da campanha de Hillary Clinton.
Os maus diriam que seria o regresso da velha máxima de que os ratos…
Não vejo dessa maneira, mas reconheço que Penn teve um estranho papel numa candidata com tudo para ganhar a nomeação democrata. Nomeadamente, em algo em que ele é especialista.
Mark Penn é um caçador de microtendências. Observa a paisagem social, com a perspectiva de encontrar antes dos outros algo que seja um “tsunami social”.
Como explicava há pouco tempo o “La Vanguardia”, «todo o acontecimento que hoje está a modelar o nosso mundo, começou em algum pátio traseiro, quem sabe mesmo à frente dos nossos narizes».
Penn não descortinou as microtendências que empurraram Obama para um movimento social que há décadas não se via nos EUA.
Um especialista em crise. Também acontece.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008
Atlântico
Fui director de uma revista de política mensal, a Política Moderna, durante três anos. Foram 35 números interessantes e excelentes tempos, encerrados por ter um desafio que não me permitia fazer jornalismo.
Daí que seja com mágoa que veja o encerramento da Atlântico, do Paulo Pinto de Mascarenhas, pelo menos neste formato.
Eu era um dos 2500 consumidores. Às vezes gostava muito, outras não gostava nada, mas vai fazer falta.
Tal como há pouco tempo, um dos responsáveis por um dos mais destacados sucessos do Governo Sócrates, me dizia que fazia falta a Política Moderna.
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quarta-feira, 2 de abril de 2008
Pormenores da RTP
Podem dizer o que quiserem, mas Menezes tem razão.
O que diz a ERC dá razão aos protestos do PSD e justifica ataques à maneira como o PS controla os media.
E ninguém comenta este facto, que é de diplomacia pura e de respeito institucional, e que vou revelar pela primeira vez.
Quando Menezes foi à última entrevista que deu a Judite de Sousa, enquanto líder da oposição, na RTP, acompanhado de Romano de Castro, Virgílio Costa, Luís Montenegro e José Paulo Fafe, nenhum responsável da direcção de informação ou de programas o esteve a receber.
A imagem de um líder de oposição tem responsabilidades protocolares que uma instituição como a RTP deve conhecer e respeitar.
Não respeitou. São pormenores, mas os pormenores, para mim, são muito importantes.
José Sócrates, com quem partilhei muitos minutos simpáticos, aos domingos, nos bastidores dos estúdios da 5 de Outubro, quando era só comentador, tinha sempre uma funcionária das relações públicas da RTP a recebê-lo. São pormenores.
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terça-feira, 1 de abril de 2008
Bem português
Não é só no Faz Figura* que se come bem.
Desde 1997 que frequento o Sinal Vermelho, depois o Lisboa à Noite, dos simpáticos e eficientes sr. Vítor e sr. César, ali no Bairro Alto.
Sempre me senti ali bem e isso é meio caminho andado para se conquistar um cliente habitual. Esta sexta feira ali estive – desta vez no Sinal - com amigos, dois deles que já não via há alguns anos mesmo, mas todos jornalistas ou ex-jornalistas.
Boa conversa sobre o mercado, recheado com algumas “cachas” que vão marcar esta semana, outra vez. Algumas bem sonantes.
Mas a grande “cacha” é que, finalmente, a Câmara de Lisboa autorizou o arranque das obras do novo projecto destes mestres de cerimónias da boa comida lusa.
Entre os dois restaurantes, situados na Rua das Gáveas, vai nascer um espaço de petiscos e vinhos portugueses. “Um complemento” como já há uns tempos me tinha dito o sr. Vítor.
Vai ser um sucesso, por certo. E até faltava isto no Bairro Alto.
*O Faz Figura é cliente da YoungNetwork
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segunda-feira, 31 de março de 2008
De como os media influenciam
1.Na sexta-feira antes da famosa manifestação de milhares de professores, Teixeira dos Santos soltava que haveria folga para uma possível baixa de impostos.
Na segunda-feira, Sócrates desmentia-o e dizia que Portugal ainda não tinha condições para o que os portugueses mais anseiam.
Na semana passada, o Governo anuncia descida do IVA e Sócrates abre a porta a descida de impostos no próximo ano. Não esquecer, ano de eleições.
Pergunta: algum jornal lembrou esta cronologia?
2.O PSD apresentou um novo logótipo. Como vários jornais demonstraram, o símbolo não mudou, evoluiu.
Tal como o do PS já tinha “serenado” quando o punho cedeu espaço à rosa, a seta e o laranja do PPD/PSD entram num mar azul.
É normal os media ouvirem referências do passado dos partidos. Tal como o PS tem um poeta, o PSD tem um advogado que se acha poeta e “sai de casa com um poema no bolso” (como contava o DN há uma semana), mas não é poeta.
Eu quando vejo o não-poeta também me lembro logo de algumas coisas, mas não digo até porque lhe reconheço ser um homem culto. Mas no afã de desprezar Menezes, aliás como tem feito com a maior parte dos últimos líderes do PSD, Miguel Veiga disse que o símbolo lhe lembrava uma “gasolineira”. E com isto se faz ruído.
Pergunta: alguém se lembrou de perguntar a uma das grandes referências do PSD – Eurico de Melo (não esquecer, apoiante de Menezes) – bem mais importante para as bases do que o não-poeta, o que ele achava do novo símbolo?
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sexta-feira, 28 de março de 2008
Mulheres
Gosto.
É um dado importante que são fundamentais também na política. Aquele aforismo muitas vezes repetido e que todos conhecem ilustra-o bem.
Não sou grande apologista da exploração da companheira na acção política, por muito bonita que ela seja como era a Bárbara Guimarães.
Mas têm um papel importante na dulcificação da imagem mais severa do homem que decide, toma decisões e tem de ser duro.
Cavaco, antes de ser candidato presidencial, já estava a viver uma fase “lulinha paz e amor” (como Duda Mendonça criou para Lula).
E a capa do Expresso com os “netinhos” foi a coroa de glória, e uma magnífica manobra de quem a concebeu.
Agora, Maria – minha professora de português na Católica e que baseou esse ano em três grandes escritores de língua portuguesa: Machado de Assis, Fernando Pessoa e Agustina –brilhou como muito poucas primeiras-damas brilharam no estrangeiro.
Com capa em todos os jornais, sem esquecer para as classes C/D os gratuitos, Maria deu a Aníbal uma das mais belas lembranças de que este casal – goste-se ou não – guardará na sua memória.
Kanimanbo*.
*Obrigado, em Changane
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quinta-feira, 27 de março de 2008
TV PSD (mais)
Ontem recebi vários telefonemas sobre a informação que corre em bastidores políticos, e eu reproduzi, de que o PSD estava a pensar em ter uma televisão. A citação no Jornal de Negócios ajudou a ampliar o efeito do post.
O mais notável telefonema que recebi foi de um jornalista, com quem nunca tinha falado, de um jornal nacional.
Fez-me duas perguntas notáveis: uma é se a ideia de Luís Filipe Menezes era a de avançar para o 5º Canal e a segunda quem seriam os empresários que poderiam estar por trás do projecto.
Fiquei com a certeza de uma coisa: este jornalista não leu o meu post neste blog (logo aqui em baixo), apenas ouviu por alto e nem percebeu o que se pretendia.
Repito:
1º - “Corre em bastidores” – logo é um rumor que tem de ser confirmado, não é uma notícia
2º - “uma televisão como outros partidos europeus têm”. Logo, não é o 5º canal nem um canal por cabo. É “web cam” que acompanha a acção política do líder e do PSD. Espreitem para os partidos espanhóis…
3º - “é uma ideia positiva” – eu aplaudo e aconselharia esta medida. O PSD tem meios para o fazer e profissionais qualificados no seu gabinete de comunicação e imagem, como o Vítor António.
Agora, não me liguem mais sobre isto, por favor, que tenho outras coisas para fazer.
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Newsletter da Briefing lançadíssima
As newsletters da Briefing e da Meios & Publicidade chegam a muita gente (Carla Borges Ferreira da Meios avançou à Presspectives o número de 15 mil leitores diários). E além de chegarem a muita gente, um sinal ainda mais forte, toda a gente as lê.
Tanto uma como outra cumprem o objectivo de colocarem os leitores a par da agenda do mercado, investindo pouco mais de cinco minutos diários na leitura. Excelente.
Neste blog muitas vezes têm sido citadas e pelos melhores motivos. Hoje, sai uma crítica dirigida à Briefing, e que também se estende à própria YoungNetwork, tal é o número de vezes que repetimos os mesmos verbos nos títulos dos comunicados.
Na newsletter de hoje da Briefing o verbo lançar é utilizado sete (!!!) vezes, dividindo-se em seis "lança" e um "lançado". A saber:
- Metro lança...
- Aeiou lança...
- Superbock lança...
- Mega FM lança...
- Sapo lança...
- Exchange lança...
e
- Concurso para o quinto canal lançado...
Feita a crítica, fundamental para se ter credibilidade na hora de elogiar, espero que jornalistas da Briefing e consultores da Youngnetwork nos consigam surpreender nos próximos títulos.
PS: A Meios só nos oferece dois "lança" hoje.
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Três dias de Algarve
Estive em Vale do Lobo no Algarve nestes últimos dias, no Ria Park, hotel que aconselho vivamente, mas de preferência sem a equipa do Sporting lá também!!!
Gosto de sair de Lisboa, gosto de mudanças. Venho sempre cheia de novas ideias quando volto. E como um consultor de comunicação é-o sempre, mesmo em momentos de lazer a consultoria invade-nos. Ela está no meio de nós.
E por mais que irrite quem esteja comigo, e acreditem que irrita, não consigo ficar caladinha com os exemplos de boa e má comunicação todos à minha volta a chamar por mim!
Partilho dois:
- “Buying and selling we don’t talk about it we do it!” – slogan de empresa imobiliária inglesa. Fortíssimo. Mas de facto a língua inglesa ajuda… Em português ficava mesmo brega.
- Nelitos – dos melhores restaurantes onde fui nesta zona de Almancil/ Quinta do Lago/ Vale do Lobo. Serviço cinco estrelas (é verdade no Algarve, serviço fantástico!), comida óptima, espaço engraçadíssimo, carta de vinhos fora de série… mas NELITOS… vou para a Quinta do Lago há imensos anos, o restaurante está mesmo ali e nunca lá tinha ido porque… NELITOS…
PS – Mas aguentei-me caladinha o jantar todo! Ou quase…
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