Fui director de uma revista de política mensal, a Política Moderna, durante três anos. Foram 35 números interessantes e excelentes tempos, encerrados por ter um desafio que não me permitia fazer jornalismo.
Daí que seja com mágoa que veja o encerramento da Atlântico, do Paulo Pinto de Mascarenhas, pelo menos neste formato.
Eu era um dos 2500 consumidores. Às vezes gostava muito, outras não gostava nada, mas vai fazer falta.
Tal como há pouco tempo, um dos responsáveis por um dos mais destacados sucessos do Governo Sócrates, me dizia que fazia falta a Política Moderna.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Atlântico
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quarta-feira, 2 de abril de 2008
Pormenores da RTP
Podem dizer o que quiserem, mas Menezes tem razão.
O que diz a ERC dá razão aos protestos do PSD e justifica ataques à maneira como o PS controla os media.
E ninguém comenta este facto, que é de diplomacia pura e de respeito institucional, e que vou revelar pela primeira vez.
Quando Menezes foi à última entrevista que deu a Judite de Sousa, enquanto líder da oposição, na RTP, acompanhado de Romano de Castro, Virgílio Costa, Luís Montenegro e José Paulo Fafe, nenhum responsável da direcção de informação ou de programas o esteve a receber.
A imagem de um líder de oposição tem responsabilidades protocolares que uma instituição como a RTP deve conhecer e respeitar.
Não respeitou. São pormenores, mas os pormenores, para mim, são muito importantes.
José Sócrates, com quem partilhei muitos minutos simpáticos, aos domingos, nos bastidores dos estúdios da 5 de Outubro, quando era só comentador, tinha sempre uma funcionária das relações públicas da RTP a recebê-lo. São pormenores.
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terça-feira, 1 de abril de 2008
Bem português
Não é só no Faz Figura* que se come bem.
Desde 1997 que frequento o Sinal Vermelho, depois o Lisboa à Noite, dos simpáticos e eficientes sr. Vítor e sr. César, ali no Bairro Alto.
Sempre me senti ali bem e isso é meio caminho andado para se conquistar um cliente habitual. Esta sexta feira ali estive – desta vez no Sinal - com amigos, dois deles que já não via há alguns anos mesmo, mas todos jornalistas ou ex-jornalistas.
Boa conversa sobre o mercado, recheado com algumas “cachas” que vão marcar esta semana, outra vez. Algumas bem sonantes.
Mas a grande “cacha” é que, finalmente, a Câmara de Lisboa autorizou o arranque das obras do novo projecto destes mestres de cerimónias da boa comida lusa.
Entre os dois restaurantes, situados na Rua das Gáveas, vai nascer um espaço de petiscos e vinhos portugueses. “Um complemento” como já há uns tempos me tinha dito o sr. Vítor.
Vai ser um sucesso, por certo. E até faltava isto no Bairro Alto.
*O Faz Figura é cliente da YoungNetwork
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segunda-feira, 31 de março de 2008
De como os media influenciam
1.Na sexta-feira antes da famosa manifestação de milhares de professores, Teixeira dos Santos soltava que haveria folga para uma possível baixa de impostos.
Na segunda-feira, Sócrates desmentia-o e dizia que Portugal ainda não tinha condições para o que os portugueses mais anseiam.
Na semana passada, o Governo anuncia descida do IVA e Sócrates abre a porta a descida de impostos no próximo ano. Não esquecer, ano de eleições.
Pergunta: algum jornal lembrou esta cronologia?
2.O PSD apresentou um novo logótipo. Como vários jornais demonstraram, o símbolo não mudou, evoluiu.
Tal como o do PS já tinha “serenado” quando o punho cedeu espaço à rosa, a seta e o laranja do PPD/PSD entram num mar azul.
É normal os media ouvirem referências do passado dos partidos. Tal como o PS tem um poeta, o PSD tem um advogado que se acha poeta e “sai de casa com um poema no bolso” (como contava o DN há uma semana), mas não é poeta.
Eu quando vejo o não-poeta também me lembro logo de algumas coisas, mas não digo até porque lhe reconheço ser um homem culto. Mas no afã de desprezar Menezes, aliás como tem feito com a maior parte dos últimos líderes do PSD, Miguel Veiga disse que o símbolo lhe lembrava uma “gasolineira”. E com isto se faz ruído.
Pergunta: alguém se lembrou de perguntar a uma das grandes referências do PSD – Eurico de Melo (não esquecer, apoiante de Menezes) – bem mais importante para as bases do que o não-poeta, o que ele achava do novo símbolo?
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sexta-feira, 28 de março de 2008
Mulheres
Gosto.
É um dado importante que são fundamentais também na política. Aquele aforismo muitas vezes repetido e que todos conhecem ilustra-o bem.
Não sou grande apologista da exploração da companheira na acção política, por muito bonita que ela seja como era a Bárbara Guimarães.
Mas têm um papel importante na dulcificação da imagem mais severa do homem que decide, toma decisões e tem de ser duro.
Cavaco, antes de ser candidato presidencial, já estava a viver uma fase “lulinha paz e amor” (como Duda Mendonça criou para Lula).
E a capa do Expresso com os “netinhos” foi a coroa de glória, e uma magnífica manobra de quem a concebeu.
Agora, Maria – minha professora de português na Católica e que baseou esse ano em três grandes escritores de língua portuguesa: Machado de Assis, Fernando Pessoa e Agustina –brilhou como muito poucas primeiras-damas brilharam no estrangeiro.
Com capa em todos os jornais, sem esquecer para as classes C/D os gratuitos, Maria deu a Aníbal uma das mais belas lembranças de que este casal – goste-se ou não – guardará na sua memória.
Kanimanbo*.
*Obrigado, em Changane
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quinta-feira, 27 de março de 2008
TV PSD (mais)
Ontem recebi vários telefonemas sobre a informação que corre em bastidores políticos, e eu reproduzi, de que o PSD estava a pensar em ter uma televisão. A citação no Jornal de Negócios ajudou a ampliar o efeito do post.
O mais notável telefonema que recebi foi de um jornalista, com quem nunca tinha falado, de um jornal nacional.
Fez-me duas perguntas notáveis: uma é se a ideia de Luís Filipe Menezes era a de avançar para o 5º Canal e a segunda quem seriam os empresários que poderiam estar por trás do projecto.
Fiquei com a certeza de uma coisa: este jornalista não leu o meu post neste blog (logo aqui em baixo), apenas ouviu por alto e nem percebeu o que se pretendia.
Repito:
1º - “Corre em bastidores” – logo é um rumor que tem de ser confirmado, não é uma notícia
2º - “uma televisão como outros partidos europeus têm”. Logo, não é o 5º canal nem um canal por cabo. É “web cam” que acompanha a acção política do líder e do PSD. Espreitem para os partidos espanhóis…
3º - “é uma ideia positiva” – eu aplaudo e aconselharia esta medida. O PSD tem meios para o fazer e profissionais qualificados no seu gabinete de comunicação e imagem, como o Vítor António.
Agora, não me liguem mais sobre isto, por favor, que tenho outras coisas para fazer.
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Newsletter da Briefing lançadíssima
As newsletters da Briefing e da Meios & Publicidade chegam a muita gente (Carla Borges Ferreira da Meios avançou à Presspectives o número de 15 mil leitores diários). E além de chegarem a muita gente, um sinal ainda mais forte, toda a gente as lê.
Tanto uma como outra cumprem o objectivo de colocarem os leitores a par da agenda do mercado, investindo pouco mais de cinco minutos diários na leitura. Excelente.
Neste blog muitas vezes têm sido citadas e pelos melhores motivos. Hoje, sai uma crítica dirigida à Briefing, e que também se estende à própria YoungNetwork, tal é o número de vezes que repetimos os mesmos verbos nos títulos dos comunicados.
Na newsletter de hoje da Briefing o verbo lançar é utilizado sete (!!!) vezes, dividindo-se em seis "lança" e um "lançado". A saber:
- Metro lança...
- Aeiou lança...
- Superbock lança...
- Mega FM lança...
- Sapo lança...
- Exchange lança...
e
- Concurso para o quinto canal lançado...
Feita a crítica, fundamental para se ter credibilidade na hora de elogiar, espero que jornalistas da Briefing e consultores da Youngnetwork nos consigam surpreender nos próximos títulos.
PS: A Meios só nos oferece dois "lança" hoje.
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Três dias de Algarve
Estive em Vale do Lobo no Algarve nestes últimos dias, no Ria Park, hotel que aconselho vivamente, mas de preferência sem a equipa do Sporting lá também!!!
Gosto de sair de Lisboa, gosto de mudanças. Venho sempre cheia de novas ideias quando volto. E como um consultor de comunicação é-o sempre, mesmo em momentos de lazer a consultoria invade-nos. Ela está no meio de nós.
E por mais que irrite quem esteja comigo, e acreditem que irrita, não consigo ficar caladinha com os exemplos de boa e má comunicação todos à minha volta a chamar por mim!
Partilho dois:
- “Buying and selling we don’t talk about it we do it!” – slogan de empresa imobiliária inglesa. Fortíssimo. Mas de facto a língua inglesa ajuda… Em português ficava mesmo brega.
- Nelitos – dos melhores restaurantes onde fui nesta zona de Almancil/ Quinta do Lago/ Vale do Lobo. Serviço cinco estrelas (é verdade no Algarve, serviço fantástico!), comida óptima, espaço engraçadíssimo, carta de vinhos fora de série… mas NELITOS… vou para a Quinta do Lago há imensos anos, o restaurante está mesmo ali e nunca lá tinha ido porque… NELITOS…
PS – Mas aguentei-me caladinha o jantar todo! Ou quase…
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Haxixe
Vem isto a propósito do lançamento de Haxe, escrito por Manuel Arouca. O livro, baseado em factos reais, surge sobre “instigação” de Manuel Pinto Coelho, conhecido médico e presidente da Associação para um Portugal Livre de Drogas.
O livro lê-se bem, escrita light, em formato de quase guião – a pensar no filme que Catherine Le Roux irá realizar. Numa primeira análise diria que o importante do livro é a mensagem que passa – aliás a razão do próprio livro. A mensagem está colada às informações e às posições que Manuel Pinto Coelho tem sobre as drogas, e está bem sustentada e sumarenta nas páginas onde Elsa, a psicóloga, se embrenha a fundo na pesquisa sobre o haxixe dos nossos dias. Aí é Manuel Pinto Coelho transvertido de Elsa que está a falar. Numa segunda análise corrigiria e diria que é a mensagem aliada à forma. O livro está escrito para endereçar pais e jovens, tentando abranger uma alargada franja de leitores. E é este um instrumento mais eficaz – assim como será o filme – para atingir os objectivos de informar a população sobre os perigos do consumo de drogas leves. Mais eficaz do que estudos, entrevistas, notícias em jornais, que muito deste público não leria.
Parabéns ao Manuel Pinto Coelho, que teve a ideia, Manuel Arouca, que escreveu, e à Primebooks, que editou e promoveu.
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Armandino Geraldes esclarece
Ao final da tarde de sexta-feira, dia 14 de Março, recebo uma chamada do Armandino da BAN por causa deste texto. Na verdade, o comunicado lançado pela agência tem um sentido ligeiramente diferente da notícia da Briefing, embora a frase não seja de interpretação fácil.
O Armandino queixou-se que o meu texto é a antítese do seu percurso profissional, marcado pela credibilidade e pela discrição.
A minha crítica foi para Diogo Simão, e só como consequência para a BAN. Fiz questão de ressalvar a opinião que tenho do Armandino no próprio texto.
O post corre o risco de ser injusto porque analisa uma notícia que tem uma ligeira nuance de escrita que altera a interpretação (mas como disse, a frase do comunicado não é de fácil interpretação) e porque a mensagem “não enganamos jornalistas” é genérica para um modo de actuação correcto das fontes profissionais e não específica para a BAN.
Já antes existiram outras manobras onde este pensamento se aplicaria com maior rigor.
Assim, reformulo para todos os profissionais de comunicação.
Repeat after me. “Nós não enganamos jornalistas”.
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terça-feira, 25 de março de 2008
TV PSD
Corre nos bastidores que Luís Filipe Menezes está a pensar criar uma televisão do PSD, como existe em outros partidos europeus.
Não se sabe quem a vai gerir nem criar, porque há muitos cães a um osso.
Mas fora as quezílias de bastidores do costume, é uma boa ideia de uma instituição que se deve adaptar à modernidade. E só deve ser aplaudida por isso.
Prevejo que os que gostavam de ter poder e não têm vão dizer que é a televisão de uma “gasolineira” e outros disparates do costume…
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O "Último Hurrah" (tão actual)
Uma vez em conversa com amigos, um deles disse-me que era cinéfilo. Perguntei: já viste algum filme do John Ford? Não, respondeu-me.
Então, não és cinéfilo, apenas gostas de ir ao cinema, sentenciei.
Quem nunca viu “How green was my valley”, “My darling clementine”, “O homem que matou Liberty Valance”, “A Desaparecida/The Searchers”, “Young Mr Lincoln” ou o “Último Hurrah” nunca vai perceber porque o cinema é uma arte indispensável à compreensão da vida e do mundo.
No “Último Hurrah”, Ford conta a história de Frank Skeffington (FS), um político “old school”, desempenhado pelo prodigioso Spencer Tracy, na sua última campanha – que perde.
Enfrenta um mentecapto, apoiado pelo dinheiro dos banqueiros e por um jornal, que pela primeira vez usa as técnicas modernas de televisão.
Perfis de herói da guerra e brilhante estudante e uma reportagem “pessoal” (hoje tão comentadas) com a mulher (a ler um cartão atrás da câmara), filhos e um cão (devidamente alugado pelo spin doctor da altura) para criar a família perfeita. FS, mantinha-se no contacto pessoal e nas paradas mobilizadoras. Apaixonava os seus, mas a aragem de um “candidato perfeito” transmitida pelos media, derrota-o inapelavelmente.
FS pergunta ao sobrinho: «qual é o desporto com mais audiência?». Resposta: «o basquetebol é o que tem mais pagantes…». «É a política. Sabem todos os nomes e números de todos os jogadores», comenta a velha raposa.
Depois, num plano mais à frente FS explica o que faz um político: «o truque é saber o que as pessoas querem e depois aquilo com que se conformam. Podemos prometer sempre a primeira parte, mas só temos de cumprir a segunda».
«Mas e se as pessoas quiserem coisas diferentes, como é que lhes agrada?», pergunta a sobrinha.
«Aí dependo do melhor amigo do homem: o meio-termo».
Juntamente com o “All the king`s men” (Corrupção do poder, em português, do Robert Rossen), o “Último Hurrah” é indispensável para quem acha que anda no mercado da comunicação política.
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quarta-feira, 19 de março de 2008
Presspectives: DE e JN, Carla Borges Ferreira e tatuagens
Este mês na Presspectives não perca o duelo Diário Económico vs Jornal de Negócios na luta pelo BCP. Carla Borges Ferreira conta-nos notícias do Meios & Publicidade. Tempo ainda para escrever sobre generais romanos. Leia aqui.
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