terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O ano do rato


Texto que escrevi para a Meios e Publicidade, integrado no artigo 10 ideias para 2008 e publicado na passada sexta-feira.

O ano do rato

Nestes textos de tendências de final de ano sobrevaloriza-se os próximos doze meses. É característico do Homem. O período de tempo que mais nos interessa é sempre o futuro próximo – a próxima hora, o dia seguinte, a agenda da semana que aí vem.

Contudo, as tendências não se esgotam num ano, fazendo mais sentido balizá-las em triénios, quadriénios e, até, décadas. Donde o que escrevo aplica-se nuns casos a 2008, noutros a anos sucessivos.

Dois acontecimentos que marcarão 2008 são, indiscutivelmente, os Jogos Olímpicos em Pequim e as eleições americanas. Tratam-se de pontos de partida. Nos Estados Unidos, espera-se a vitória dos democratas para permitir a reviravolta diplomática nas relações com o resto do Mundo. Enquanto no Oriente, pede-se que a montra olímpica seja mais um passo para nos aproximar da China, naquele que será segundo o seu calendário o ano do rato.

Um pouco por todo o lado, espera-se que a Internet continue a galgar terreno, com o investimento da publicidade a passar pela primeira vez a rádio: oito contra 7,9%, de acordo com a ZenithOptimedia. O investimento na Net aumentará a uma taxa seis vezes maior que nos outros Media.

Por sua vez, o crescimento das comunidades online será uma evidência e obrigará a comunicação a adaptar-se. A dispersão do público causada pela transferência da audiência de meios tradicionais para os social Media – blogs, youtube, myspace, facebook, hi5, linkedin, etc. – obrigará a novas estratégias e ferramentas para acertar nos alvos.

Em Portugal, o advento da Televisão Digital Terrestre (TDT) traduzir-se-á em mais canais – fechados e abertos –, a par da proliferação de canais na Internet, mais regionais e mais direccionados.

Algumas ameaças, muitas oportunidades.

Venture Media compra Elite e Hotéis&Viagens

A Venture Media comprou a revista Elite, Negócios & Lifestyle e a Hotéis&Viagens.

Ver notícias ali e acolá.

Ver coincidências aqui.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Quanto mais transparência melhor

A APCT vai, a partir de 2008, ter mais atenção à venda de assinaturas para o mesmo assinante. O interesse é verificar se a venda é em bloco, e portanto menos valiosa do ponto de vista publicitário, ou se cada jornal distribuído é efectivamente lido por um ou mais leitores. Ver notícia da Meios & Publicidade aqui.

Outro dado importante: tenho apanhado na entrada de várias empresas alguns gratuitos, que ali se acumulam sem serem tocados. Será que os números de distribuição têm em conta estas sobras? Os gratuitos costumam considerar o número de distruibição como número de leitores...

A ter em conta para anunciantes e comunicadores.

Manobras

Irei passar sempre a descrever manobras de spining bem feitas – e mal feitas – uma espécie de memória de algo que, por vezes, me atribuíam noutros tempos. Com o nome que está no título.
Esta, mais uma vez, é do mago da comunicação política: Nicolas Sarkozy, o próprio, sem spin doctors por trás.
Como diz o L`Express, o «primeiro presidente americano francês».
Depois do divórcio – péssimo para um homem de Estado – nada melhor que uma nova relação que suscite empatia e invejas.
Então Sarko pensou: porque não a Carla Bruni, ex-super modelo e agora cantora?
Captados por dezenas de fotógrafos na Disneyland de Paris, aí estão juntos, a suscitar os sonhos de quem compra as revistas “rosa”, também há muitas delas em França.
Para ver mais aqui.
Sarko promete muita manobra, a primeira aqui publicada foi o seu “jogging” em Nova Iorque com a t-shirt preferida: a da NYPD.

Alguém me contou...

Que um pequeno grupo de comunicação, que nunca deu um passo maior do que podia dar – e a isso chama-se racionalidade na gestão – foi vendido na semana passada.
São revistas de pequena tiragem de boa qualidade, especialmente a com mais anos no mercado. O negócio deixou bastante satisfeito o meu amigo, que as conduz com discrição e sabedoria desde os seus primórdios.
Os parabéns pelo negócio, que as revistas de meios deverão anunciar nos próximos tempos, e o desejo que continue a estar no mercado editorial português. Tenho quase a certeza que novos projectos estarão na forja, a YoungNetwork seguirá com atenção.

A última

Para quem quiser saber as últimas sondagens americanas consulte www.americanresearchgroup.com e confirma o post anterior.
Nos Democratas, Hillary com grande vantagem sobre Obama, que precisa mesmo de uma vitória numa das três primárias.
Nos republicanos, Huckabee ao lado Giuliani, Romney que apostou forte nos primeiros estados pode surgir como cavalo vencedor.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Ela ou ela, ou ele

Na recta final das primárias americanas o que podemos dizer que mudou desde o início, que expectativas ainda estão ao rubro, o que nos dizem as sondagens.
No campo Democrata, ou ela ou ela. Quer isto dizer que Hillary Clinton continua, como no início, imparável. Daí que o mago das vitórias de W. Bush, Karl Rove, tenha vindo nesta semana dizer o evidente. Que o seu principal adversário, Barack Obama, precisa de pelo menos uma vitória nos três primeiros escrutínios, em Iowa, New Hampshire (NH) e Carolina do Sul (CS), ou então “finito”.
Assim, surge no palco a outra ela, a 9ª pessoa mais poderosa do mundo, segundo a “Forbes”, Oprah Winfrey, a última cartada do senador negro que não tem o apoio maioritário dos “afro-americanos”, terreno esse da família Clinton.
Mas se no Iowa, Obama tem mais dois pontos que Hillary, no NH e CS, a mulher de Bill ganha em passeio. E nas sondagens em 28 estados, Hillary anda em média na casa dos 35% e Obama nos 20%. É um duelo em que, se houver inversão, Oprah terá sido a chave.
Nos republicanos, tudo ao molho. Giuliani aparece como o mais bem posicionado para derrotar o candidato Democrata; Mc Cain numa queda vertiginosa desde que o seu staff se apercebeu que ele era um perdedor e o abandonou; Fred Thompson nada e não disparou; Mitt Romney, como já o tinha escrito, apostou na estratégia correcta e gastou em televisão nos três primeiros estados para surgir como cavalo vencedor; e agora surge o furacão Huckabee, governador do Arkansas, em crescimento diário e a galgar posições. Giuliani só ganha na SC, Romney em Iowa e NH, mas com Huckabee a morder.
Se dos Democratas será uma ela o factor decisivo, a incógnita é saber quem é o ele republicano da equação para a corrida à Casa Branca.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Presspectives: Crocs, Isabel Canha, Roma e newsmagazines


Editamos desde finais de 2006 a Presspectives, uma e-zine de comunicação. Na edição deste mês pode ler um artigo a explicar o fenómeno das Crocs, a entrevista de Isabel Canha, directora da Exame e um trabalho de investigação sobre capas das newsmagazines portuguesas, da autoria de Eva Mota, consultora do Grupo YoungNetwork. Não perca também o livro Roma S.A., bem como a nossa coluna indiscreta SSCCHHIIUUUUU. Ver edição completa aqui.

De comandante a capitão na dança das cadeiras

António José Teixeira é o novo director da SIC Notícias, depois de ter sido apeado do cargo de director do Diário de Notícias por João Marcelino.

Ricardo Costa tinha, há pouco tempo, saído de lá para director-geral adjunto da SIC.

Nuno Santos chega a Carnaxide, vindo da RTP, para assumir a direcção de programação da SIC, SIC Internacional, SIC Radical e SIC Mulher.

Francisco Penim larga a cadeira para Nuno Santos e vai para director coordenador de conteúdos da Impresa Digital.

Duas notas para já:

1. Haverá mais mexidas em breve, como consequência destas.

2. A Penim saiu-lhe a fava. Impossível não ler a despromoção nas entrelinhas. E como diz um amigo meu, de quem fui assessor, "não há que ter problemas em passar de comandante a capitão. Não pode é ser no mesmo barco."

«Pycckuú»

Por acaso sei ler isto, porque aprendi dois anos de russo. Mas como é que os portugueses estão preparados para lidar com um mercado em crescimento como o “Russkí”, russo?
Moscovo foi este ano palco da Milionaire Fair (Feira Milionária), com a presença de 250 “griffes”, iates, carros cravejados de diamantes ou tabuleiros de xadrez com peças de ossos de animais pré-históricos.
A imaginação não tinha limites, o luxo inundou Moscovo, porque é ali que existem 53 mil milionários e uma ânsia de gastar só comparável com os árabes e os novos capitalistas chineses.
Como é que Portugal está preparado para lidar com estes novos mercados com potencial de crescimento desmesurado?
Como habitualmente, adivinho eu. Com salamaleques ao dinheiro e sem perceberem nada de uma sociedade que nada tem a ver com a cultura latina.
Assim, para lá das entregas desenfreadas de computadores nas escolas, se houvesse um cheque do Governo ou uma dedução nos impostos dos pais que ponham os filhos a aprender línguas “exóticas” como russo, árabe ou mandarim , veríamos que numa geração estaríamos em pé de igualdade com quem neste momento vai muito mais à nossa frente.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

«Vamos dar tudo, gente»

Às vezes, ao ouvir este incentivo de um personal trainer numa aula de RPM, pergunto-me quantos dos colegas na arte de tentar suar o máximo já sabem que o Governo se preocupa com eles.
Pois é, o Governo, bem, aposta na prática física para melhorar a qualidade de vida dos portugueses. Para isso, decidiu legislar a redução do IVA dos “health clubs” de 21 para 5 por cento.
O problema é que os frequentadores de ginásios – no meu caso a cadeia “Holmes Place” - já receberam uma cartinha a anunciar os ”acertos anuais” nas mensalidades.
Assim, perguntei a uma recepcionista o que queria dizer esse acerto. Respondeu que seria o habitual aumento de todos os anos. Mas a o IVA baixou 16%, disse eu.
Aqui, o erro de marketing é dos ginásios, que se anunciassem uma pequena redução continuariam a ganhar milhões e não ficariam sujeitos a processos. Coisa que o Estado devia desencadear contra os violadores da sua lei.
De contrário, continuaremos a «dar tudo» sem mensalidade mais baixa, ao contrário do que o Governo pretende. E sem mais «gente» nas aulas, porque os preços aumentam pela cartelização do sector. Digam lá que estes cavalheiros não precisam mesmo de um processozinho por fraude fiscal?

Vai um cigarrinho?

Não posso deixar de questionar a total falta de questionamento acerca da nova lei do tabaco que entra em vigor dia 1 de Janeiro.

“Cadê” as manifs na rua? A ode à liberdade dos fumadores nos Media? O debate na TV? A discussão pública e privada?

O que justifica o avançar desta lei fundamentalista (e digo fundamentalista sem qualquer tom depreciativo) de forma tão pacífica?

A sua comunicação. Ou neste caso, a falta dela.

Têm sido recorrentes as medidas governamentais tomadas nesta e noutras áreas, que se fazem de mansinho, sem levantar grandes ondas e comunicando o mínimo dos mínimos, a ver se passa despercebido…

Como profissional de comunicação e colocando-me do lado do Governo, percebo esta estratégia. É mais simples, mais rápido, mais eficaz. Mas também somente possível porque o país está numa espécie de entorpecimento mental que há-de ser diagnosticado e tratado. No entanto a médio prazo, e esperando que acordemos todos deste estado (quase) vegetativo, não comunicar, de forma recorrente, em democracia, nunca foi opção. Ou será que é?

Entretanto e para queimar literalmente os últimos cartuchos, vai um cigarrinho?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Poupar papel

Para quem não sabe, são gastos 49 triliões de folhas de papel por dia. Para quem tem preocupações ambientais, portanto, o susto deve ter sido grande.
A Xerox, empresa que busca o lucro, mas sente o apelo ecológico, resolveu lançar uma inovação típica de filmes de espionagem, como dizia a “Isto É Dinheiro”. A empresa já registou a patente de uma forma de imprimir textos e imagens num tipo especial de papel que, algumas horas mais tarde, apaga automaticamente todo o conteúdo tornando a folha branca reutilizável centenas de vezes.
Uma bela maneira de satisfazer os accionistas e apresentar a responsabilidade ambiental como cravo na lapela.