Na generalidade, todos perceberam o que quis realçar e constatar.
Inspirei-me no post sobre os óculos – que, tenho a certeza, não acaba com a carreira política de Rodrigo Saraiva – numa entrevista à Veja do PM finlandês, Matti Vanhanen (que usa óculos), sobre o caso de sucesso que é a gestão do seu país.
Queria realçar as figuras de Estado mais marcantes da Europa Ocidental e EUA, presidentes e PM`s.
Houve quem não percebesse. Eu se há coisa que me reconhecem é memória de elefante, outra coisa que me reconhecem é ler muito e, nomeadamente, sobre política internacional, onde tive o primeiro cargo de chefia em 1995.
Não me esqueci de Costa (ao contrário do que afirma um senhor CMC, que não imagino quem seja, no blog câmara de comuns), tal como não me esqueço, do já diversas vezes aqui citado, melhor político espanhol da actualidade, Alberto Ruiz Gallardon, que conheço pessoalmente (é o presidente da câmara de Madrid). Nem me esqueci do Chile, do Luxemburgo, etc. Apenas não era relevante para o que escrevia.
E, para quem lê a “Jeune Afrique” (eu leio), decidi poupar o leitor com vários nomes de líderes africanos que usam óculos.
Mas, Veltroni (que tinha sido “Síndaco” de Roma) perdeu, Rajoy perdeu outra vez, Giuliani foi trucidado, etc…
Faltou-lhes sorte. E estavam de óculos, é um facto.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Mais óculos
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Os óculos na política
Há pouco tempo falava com um empresário – que usa óculos – sobre a influência dos mesmos na política.
Hoje, políticos de óculos são animais em vias de extinção. Perguntava de qual político vencedor se lembrava nos últimos anos. E a dificuldade era grande.
Ajudei com Romano Prodi, apesar de ter sido um péssimo PM italiano e um vulgar presidente da União Europeia. E reforcei que, de topo, só Helmut Kohl – e tirou-os no final da vida política – e John Major.
Nos EUA, o último a usá-los a tempo inteiro foi Truman – nos anos 40 do século passado - e, mais tarde, episodicamente, Lyndon Johnson. Nestas eleições presidenciais, o único que os utilizou foi Rudolph Giuliani e com triste performance.
Aqui ao lado, Mariano Rajoy – de barba e óculos, uma combinação difícil em comunicação – já soma duas derrotas e quer continuar a somá-las.
O principal motivo técnico deste desuso em marketing político é simples de explicar. Em termos públicos, o político de óculos é o intelectual, respeitado, mas que não conhece a raiz dos problemas e não gosta de ir à “melée”. Explicando melhor: óculos dão consistência intelectual, mas tiram proximidade. E, hoje, numa sociedade mediatizada prefere-se a segunda.
Sócrates, nas últimas eleições, colocou um brilho verde – que não tem – nos “outdoors” e esse era o efeito de marketing que gerava essa proximidade.
Depois, com tanta repulsa que as sociedades vão tendo à actividade política, todas as barreiras são evitáveis. Os óculos são mais uma “fence” que pode ser evitada e os “marketeiros” não hesitam.
Morreram os óculos na política, paz à sua alma.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
A queda de Giuliani
Gosto muito de ler biografias de realizadores de cinema. Um dos meus favoritos, Michelangelo Antonioni, dizia, sobretudo sobre umas das suas obras primas, “O Eclipse”, que «procurava vestígios de sentimentos».
Nas sociedades modernas – e aquele minuto de silêncio na Bolsa por morrer um corretor e a ebulição, logo sem pausas, do mercado de capitais, no filme mencionado, são bons exemplos – faltam factores de ligação, de emoção nas pessoas.
Esse é um dos desafios da comunicação política. Apresentar os “vestígios de sentimentos” dos políticos junto dos eleitores.
Giuliani falhou nos EUA porque, como comentava - penso que o Paul Begala na CNN – quanto mais tempo Giuliani está num sítio mais votos perde. Como só apostou – um dos maiores erros estratégicos em eleições americanas – na Florida, matou-se.
Giuliani foi o único político de óculos, factor de barreira com os olhos – o espelho da alma – de qualquer candidato e de qualquer pessoas.
Apresentou-se com uma placa nova que só plastificava a imagem. Já de si difícil e quase anódina.
Juntando tudo, a derrota surgiu. No entanto, mantenho hoje que os candidatos mais bem preparados para assumir a Casa Branca são Hillary e (era) Giuliani. Mas como diz Kissinger, esse não é o principal critério para se escolher um candidato.
Giuliani investiu forte em publicidade (“ad pepople”) na Florida e ficou em terceiro e desistiu. Esqueceu-se da comunicação política (“PR people”)…Paz à sua alma.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Iowa 1
Mudança é a palavra que comanda os resultados neste minúsculo estado americano.
À direita, Huckabee ganha estatuto de “front-runner”, ele que passou os últimos dias no Iowa com o “ranger do Texas”, Chuck Norris. E o grande derrotado, que vê milhões por um canudo e as aspirações a desvanecerem-se é Mitt Romney (nota:Vasco Pulido Valente dizia que ele seria o próximo presidente dos EUA, não esquecer, mas nunca me pareceu, porque entre republicanos tem elevados índices de rejeição por ser mórmon).
Não nos devemos surpreender com resultado de Giuliani, simplesmente porque ele foi o que menos investiu nestas primárias. A sua estratégia aponta para a super-terça-feira em Fevereiro.
Nos Democratas, a única hipótese de alguma emoção era a vitória de Obama. O que aconteceu. Tudo muito próximo, mas a média nacional dá dois para um de vantagem a Hillary.
Para quem viu em directo o processo de votação, como eu, a única coisa que se pode dizer é que foram várias as gargalhadas. Aquilo é a prova de que aquela democracia tem de mudar bastante. A América parou no tempo nestes “caucus”.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
"Under dog" está "out"
Acabei de fazer um périplo pelas páginas oficiais dos candidatos à Casa Branca e constato uma evidência, para lá da confusão que reina do lado Republicano.
Nos Democratas, Hillary mantém-se à frente e é Edwards que cresce um bocadinho. Nos Republicanos, a maior queda é a de Giuliani. Romney pode ganhar as duas primárias, mas Mc Cain, dado como morto há uns meses, reaparece e Huckabee prova que a direita religiosa pode e manda, rendendo-se a este pastor com uma pobre campanha e fracos recursos.
Mas se visitarem as páginas dos Democratas, vê-se que todos apresentam sondagens a dar-lhes a vitória. Edwards então é super-optimista no Iowa, Obama também ganha e Hillary segue a caravana.
À direita, o mesmo registo, mas é curioso, por exemplo em Mc Cain, o enfoque dado ao crescimento dos últimos dias mostrando, principalmente, uma possível vitória no New Hampshire.
Esta ânsia por mostrar resultados ganhadores exibe à evidência que, nos dias de hoje, o efeito “under dog” em sondagens está fora de moda.
Já ninguém tem pena de “loosers”.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
A última
Para quem quiser saber as últimas sondagens americanas consulte www.americanresearchgroup.com e confirma o post anterior.
Nos Democratas, Hillary com grande vantagem sobre Obama, que precisa mesmo de uma vitória numa das três primárias.
Nos republicanos, Huckabee ao lado Giuliani, Romney que apostou forte nos primeiros estados pode surgir como cavalo vencedor.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Ela ou ela, ou ele
Na recta final das primárias americanas o que podemos dizer que mudou desde o início, que expectativas ainda estão ao rubro, o que nos dizem as sondagens.
No campo Democrata, ou ela ou ela. Quer isto dizer que Hillary Clinton continua, como no início, imparável. Daí que o mago das vitórias de W. Bush, Karl Rove, tenha vindo nesta semana dizer o evidente. Que o seu principal adversário, Barack Obama, precisa de pelo menos uma vitória nos três primeiros escrutínios, em Iowa, New Hampshire (NH) e Carolina do Sul (CS), ou então “finito”.
Assim, surge no palco a outra ela, a 9ª pessoa mais poderosa do mundo, segundo a “Forbes”, Oprah Winfrey, a última cartada do senador negro que não tem o apoio maioritário dos “afro-americanos”, terreno esse da família Clinton.
Mas se no Iowa, Obama tem mais dois pontos que Hillary, no NH e CS, a mulher de Bill ganha em passeio. E nas sondagens em 28 estados, Hillary anda em média na casa dos 35% e Obama nos 20%. É um duelo em que, se houver inversão, Oprah terá sido a chave.
Nos republicanos, tudo ao molho. Giuliani aparece como o mais bem posicionado para derrotar o candidato Democrata; Mc Cain numa queda vertiginosa desde que o seu staff se apercebeu que ele era um perdedor e o abandonou; Fred Thompson nada e não disparou; Mitt Romney, como já o tinha escrito, apostou na estratégia correcta e gastou em televisão nos três primeiros estados para surgir como cavalo vencedor; e agora surge o furacão Huckabee, governador do Arkansas, em crescimento diário e a galgar posições. Giuliani só ganha na SC, Romney em Iowa e NH, mas com Huckabee a morder.
Se dos Democratas será uma ela o factor decisivo, a incógnita é saber quem é o ele republicano da equação para a corrida à Casa Branca.
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sexta-feira, 9 de novembro de 2007
A estratégia de Romney
Numa primeira fase, o ex-governador republicano do Massachussets, Mitt Romney, foi o homem que mais “arrecadou”.
Ele que é relativamente pouco conhecido a nível nacional montou uma estratégia - depois confirmada pelos números que dizem que foi o que mais gastou em publicidade na televisão – que passava por vencer os dois primeiros testes das primárias: Iowa e New Hampshire, para depois alavancar a sua candidatura e surgir como o principal “challenger” a Giuliani.
Basta ir ao www.americanresearchgroup.com para ver como a estratégia está a dar frutos. Nesses dois estados, vence confortavelmente Giuliani.
Nesta semana, dois factores importantes para a área republicana. Fred Thompsom não descola e não encanta, apesar de actor. E Giuliani recebeu apoio de peso: Pat Robertson, um dos tele-evangelistas mais poderosos e conservadores decidiu apoiá-lo. Pode ser decisivo, porque as posições pró-aborto e pró-casamento dos homossexuais de Rudy eram o seu calcanhar de Aquiles naquele eleitorado que suportou Bush.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Manobras I
A filha de Giuliani apoia Obama, bombeiros de Nova Iorque põem imagens comprometedoras de Giuliani no 11 de Setembro no You Tube, a terceira mulher de Giuliani não é muito popular, Giuliani só foi o segundo melhor dos republicanos na arrecadação (o primeiro foi Mitt Romney), agora diz-se que as imagens heróicas de Giuliani no 11 de Setembro foram forjadas… Fred Thompson entrou há uma semana em campanha, depois de o anunciar no Jay Leno. Um actor medíocre, como Reagan, que alguns “think-thanks” republicanos começaram a apoiar discretamente há dois meses…Alguém tem dúvidas?
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