quinta-feira, 17 de abril de 2008

Linda analogia

Pedro Lomba, hoje, no Diário de Notícias, presenteia-nos com esta: "Boa imprensa é um pouco como beleza física: ou se tem ou não se tem". Bonito soundbyte. Soa bem. Pena ser um disparate.

Somos o tunning dos blogs

Fiquei hoje a saber que somos o tunning dos blogs. Ver aqui no blog Diálogos de Comunicação. Agora é a vez da vossa largura de banda ficar entupida. Um abraço para os dois.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A bela Itália (II) e o marketing político

No marketing político há preceitos, teorias e truques gerais, mas tudo varia consoante a cultura dos povos.
Não há soluções e sugestões aplicadas num local que tenham garantidamente aplicação de sucesso noutro lugar do planeta.
Senão, vejamos, como seria a reacção em Portugal, nos EUA, em Inglaterra a estas declarações:
«Itália é um grande país para os investidores…hoje temos menos comunistas e os que ficam negam tê-lo sido. Outra razão de peso para investir em Itália é que temos belas secretárias…raparigas soberbas».
«Desta vez não vou mandar mulheres bonitas para deputadas…temos outras coisas boas para fazer com elas».
Em qualquer parte do mundo, um líder político seria trucidado por estas declarações machistas.
Mas estamos em Itália e estas palavras são de Sílvio Berlusconi.
E isto, para quem conhece Itália, está muito mais próximo da sua cultura do que fórmulas copiadas a Obama.
Por isso ganha. E ainda por cima porque tem o Milão (futebol), a Mediaset (televisão e os canais que mais despem as bailarinas e assistentes de programas) e é milionário.
Itália é a pátria de “La Piovra”, não nos podemos esquecer disso.

A bela Itália (I)

No último comício do PD, Walter Veltroni, discursou: «A Itália fantástica que trabalha, que pensa, que se cansa, que acredita e que quer mudar merece uma política nova».
Veltroni falou em «si, puo fare», copiando Obama e da imprensa internacional – quem a lê – reparou como os meios mais à esquerda, por exemplo, “Le Monde” e “El País” fizeram uma campanha fortíssima a favor do “síndaco” (presidente de câmara) de Roma.
Mas Veltroni não é um homem novo e veio da área comunista onde foi até director do “L`Unitá”, uma espécie de “Avante” da bota. Conseguiu irritar Berlusconi, porque em campanha nunca referiu o nome dele (algo impensável para um “umbiguista”), mas não chegou.
O mago das campanhas da Benetton, Oliviero Toscani, declarava na quinta feira ao El País (mas por trabalho, ainda não tinha referido): «Morreremos vestidos na última moda, mas idiotas».
«O produto de pior qualidade em Itália é a política. Os piores profissionais do país são os políticos. Por isso Itália está assim».
Veltroni, apesar de ter unido a esquerda no Partido Democrático, não passou. Berlusconi está muito mais perto da alma italiana do que um intelectual de óculos.
Aliás, já repararam que quem usa óculos não passa e perde? Explicarei porquê, oportunamente.

Mas que grande notícia!


Cabaço à presidência já! O número um criativo na EuroRSCG americana é nosso. Conheci-o há seis anos quando a YoungNetwork fez a comunicação da fusão entre a Grey e a Home, da qual resultaria a GreyHome. Num rectângulo onde rareia o talento criativo na publicidade, olhar para o exemplo do Zé Ricardo é motivo para nos regozijarmos. Que prazer me deu ler esta notícia. A história mais completa aqui, na Meios.

Embala-nos Smith que eu gosto

Leio que há “bastantes agências a perder dinheiro” – Jorge Marques, presidente da Strat, in Briefing.

And? What’s the point?

As que perdem durante pouco tempo, recuperam mais à frente.

As que perdem durante muito tempo fecham, saem de jogo, diminuem a concorrência para as outras. Talvez haja agências de publicidade a mais, talvez estejam sobredimensionadas, talvez sejam ineficientes.

Ficam as outras, poucas ou bastantes, que já faziam dinheiro ou que perdiam até há pouco tempo, as que vivem segundo Darwin e se adaptam.

A “mão invisível” de Adam Smith a embalar o mercado.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Duda Mendonça em Portugal

Nos próximos tempos, chegará a Portugal o melhor “marqueteiro” brasileiro: Duda Mendonça.
O homem que ao fim de três derrotas conseguiu levar Lula ao Planalto.
A escola brasileira de comunicação política é muito marcada pela publicidade. As suas “trutas” são “ad people”, muito poucas foram RP, passaram pelo jornalismo ou assessoria política.
Experiências diferentes mas que se podem cruzar.
E Duda, pelo menos, não é consultor de vão de escada promovido a mago pela ignorância de alguns.
Virá em breve a Portugal, vamos ver se trabalhará com alguém...

Eleições sentimentais

…as de Maurício.
Há um escritor espanhol que poderia ser mundialmente mais importante do que é, se mantivesse a bitola dos seus dois primeiros livros: “A verdade sobre o caso Savolta” e o genial “A cidade dos prodígios”.
Eduardo Mendoza é catalão e o seu espaço natural é Barcelona.
“Maurício ou as eleições sentimentais” é a última obra publicada por cá, que li de um fôlego.
A sua escrita continua divertida, sarcástica e crítica. Desta vez uma ligeira trama política para reflectir sobre a Catalunha, antes da conquista das Olimpíadas de 1992.
«Um governo sem ideologia tem de manter um nível muito alto de eficiência e honradez, e isso não está ao alcance de ninguém»; «A Catalunha é ingovernável. Durante séculos funcionámos como nos apeteceu, sem corpo político. Estamos habituados a viver na periferia de um Estado incompetente e a sobreviver à base de pactos secretos, acordos tácitos e de tramóias dissimuladas, sob o véu de um nacionalismo sentimental, autocompassivo e autocomplacente».
Por acaso, no domingo, no “El País”, a “Quarta Página”, era um artigo de opinião sobre a crise actual da Catalunha. A cidade que fascina, um farol em que muitos ambicionam viver, está de rastos e falta-lhe capital humano.
Sobre Barcelona, no livro citado, por acaso, Mendoza põe na boca de um dos seus personagens sobre o pós-Olimpíadas: «No fim os ricos ficarão mais ricos, e os pobres ficarão na mesma, mas encantados com o espectáculo».

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Jorge Coelho

Confesso que sempre simpatizei com Jorge Coelho.
Ao longo dos anos moderou a imagem, seguindo o politicamente correcto do marketing político, mas nunca moderou as emoções.
Os seus amigos adoram-no, os militantes socialistas acham-no fundamental e a alma do PS ainda depende dele.
Quando era jornalista que acompanhava o PS, nas iniciativas Governo em Diálogo, havia sempre um jantar de Guterres com os presidentes de câmara do distrito que visitava.
Jorge Coelho, e o seu assessor António Capinha, optavam por jantar com os jornalistas. «É mais divertido com vocês e já conheço os autarcas todos», dizia-nos, bem disposto. Lembro-me bem do serão na pousada Flor da Rosa, no Crato.
Ele era a corrente de transmissão dos militantes a um PM que gostava do diálogo, mas que por vezes estava distante das bases do PS.
Quando era director da Política Moderna, fiz-lhe a última entrevista, que foi capa, enquanto ministro. Dois dias depois, caía a ponte de Entre-os-Rios e Coelho abandonava o Governo. Ficou muita obra por fazer e que na altura ambicionava e me mostrou.
Manteve a discrição nos grandes palcos, mas bastava espreitar um congresso do PS para se saber que o mais aplaudido era ele.
O PS vai sentir a sua falta com a ida para a Mota-Engil. E Coelho vai perder alguma magia e um toque de pitoresco que sempre quis manter.
Carlos Andrade perguntou bem: «estão a contratar uma gazua, ou um homem extremamente competente?». Eu diria, as duas coisas.
Mas quando a construtora ganhar alguma coisa, instalar-se-á logo a dúvida de como o conseguiu.
Jorge Coelho político é Anakin Skywalker. Jorge Coelho gestor terá um lado Darth Vader. Como é que ficará para a história?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A paixão da História

A “Meios e Publicidade” foi a primeira a anunciar a criação da Visão/História.
Foi a primeira coisa que li nessa manhã. Mas fiquei com as expectativas frustradas.
Sou consumidor mensal certo de quatro revistas de história: A National Geographic História, a Clio, a Historia y Vida e La Aventura de la História. Todas espanholas e nada parecidas com a nossa “História” que sempre foi um projecto, desde o início, mais preocupado em ser académico do que para consumo de massas.
E ainda compro a “L`Histoire” e a “História”, brasileira.
Por isso, esperava que a Visão aparecesse com algo parecido com o que os nossos vizinhos fazem tão bem.
Afinal, nem a periodicidade é certa. Será pontual, quando se justificar. Os portugueses que gostam de história vão ter que continuar a desenvolver o castelhano.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

As duas melhores máximas sobre Hillary

Eu escolheria duas frases para explicar tudo o que aconteceu em um ano a Hillary Clinton, justificando a sua incapacidade inata de despertar afectos.

«Ela é o melhor homem para o lugar de “comander-in-chief”» Jack Nicholson, que é seu apoiante

«Se Hillary fosse um estado, seria o Ohio. Longe de qualquer extravagância, carente de todo o glamour», análise de editorial americano

terça-feira, 8 de abril de 2008

Blogosfera alive

Na próxima quinta-feira é promovido um debate, by Unicer, sobre o tema: «Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?».

In loco ou via Net – uma vez que haverá transmissão de vídeo em directo - assistiremos a estas ‘conversas’. Ver notícia na Briefing de hoje.

Boa iniciativa.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Hillary sem Penn

Por causa de um problema da sua vida empresarial, incompatível com as ideias da candidata que aconselhava, Mark Penn deixou o comando da campanha de Hillary Clinton.
Os maus diriam que seria o regresso da velha máxima de que os ratos…
Não vejo dessa maneira, mas reconheço que Penn teve um estranho papel numa candidata com tudo para ganhar a nomeação democrata. Nomeadamente, em algo em que ele é especialista.
Mark Penn é um caçador de microtendências. Observa a paisagem social, com a perspectiva de encontrar antes dos outros algo que seja um “tsunami social”.
Como explicava há pouco tempo o “La Vanguardia”, «todo o acontecimento que hoje está a modelar o nosso mundo, começou em algum pátio traseiro, quem sabe mesmo à frente dos nossos narizes».
Penn não descortinou as microtendências que empurraram Obama para um movimento social que há décadas não se via nos EUA.
Um especialista em crise. Também acontece.