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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Eleições sentimentais

…as de Maurício.
Há um escritor espanhol que poderia ser mundialmente mais importante do que é, se mantivesse a bitola dos seus dois primeiros livros: “A verdade sobre o caso Savolta” e o genial “A cidade dos prodígios”.
Eduardo Mendoza é catalão e o seu espaço natural é Barcelona.
“Maurício ou as eleições sentimentais” é a última obra publicada por cá, que li de um fôlego.
A sua escrita continua divertida, sarcástica e crítica. Desta vez uma ligeira trama política para reflectir sobre a Catalunha, antes da conquista das Olimpíadas de 1992.
«Um governo sem ideologia tem de manter um nível muito alto de eficiência e honradez, e isso não está ao alcance de ninguém»; «A Catalunha é ingovernável. Durante séculos funcionámos como nos apeteceu, sem corpo político. Estamos habituados a viver na periferia de um Estado incompetente e a sobreviver à base de pactos secretos, acordos tácitos e de tramóias dissimuladas, sob o véu de um nacionalismo sentimental, autocompassivo e autocomplacente».
Por acaso, no domingo, no “El País”, a “Quarta Página”, era um artigo de opinião sobre a crise actual da Catalunha. A cidade que fascina, um farol em que muitos ambicionam viver, está de rastos e falta-lhe capital humano.
Sobre Barcelona, no livro citado, por acaso, Mendoza põe na boca de um dos seus personagens sobre o pós-Olimpíadas: «No fim os ricos ficarão mais ricos, e os pobres ficarão na mesma, mas encantados com o espectáculo».

quinta-feira, 13 de março de 2008

Big Brother na bola

Há pouco tempo falei de como o Barcelona está a ser criativo na obtenção de mais receitas em “merchandising”.
Hoje, avanço uma ideia de clubes brasileiros, inspirada nas mega audiências de programas de “voyeurismo”. O BBB (Big Brother Brasil) já vai na 8ª edição.
Os clubes, através da Internet, criaram canais próprios de televisão. Por exemplo, a TV Timão (nome popular do Corinthians) no primeiro dia teve 1,1 milhões de acessos e espera alcançar 30 mil assinantes fixos nos próximos meses.
No Rio, a Fla TV (do Flamengo), obteve 1,2 milhões de visitas e esperam 500 mil assinantes até ao final do ano.
Em Minas Gerais, a TV Galo (do Atlético Mineiro) e a Grémio TV (no Rio Grande do Sul) também pretendem o mesmo: mais receitas.
Em todos os casos, 10% serão para distribuir entre jogadores e staff técnico.
Agora, falta revelar quais os serviços em que apostam: interiores dos quartos, as superstições de cada jogador, as viagens entre os estádios, os banhos de imersão depois do treino, conversas despudoradas durante o estágio enquanto se joga bilhar, imagens dos técnicos na discussão da construção da equipa.
Claro que deste espectáculo todas as torcidas gostam. Será sucesso absoluto. E não é de espantar que por cá, até a televisão vimanarense seria um espectáculo com o “Special One” Cajuda e a TV Pasteis de Belém fenomenal para analisar o trabalho técnico-táctico de Jorge Jesus.
Mas os nossos clubes dormem na modernidade. Se calhar, preferem o Second Life que já morreu há um ano.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Barcelona na vanguarda

Ainda há pouco tempo falava com o João da possibilidade das direcções dos clubes portugueses mandarem alguém lá fora, aos grandes clubes do mundo, para aprender e conhecer as “best practices”.
Ao ler o El Pais de quarta via-se o seguinte: Barça alugará o mítico Camp Nou por 40 mil euros aos que desejem jogar nele.
É uma medida do departamento de “mercadotecnia” do clube e é dirigida a empresas e organizações que «desejem oferecer uma experiência única aos seus trabalhadores ou associados».
Vamos ao “pack” básico:
.4º mil euros para um total de 35 jogadores, mas ainda se podem inscrever mais 15, a 600 euros por cabeça.
.Cada participante receberá um uniforme oficial do Barcelona, com o seu nome estampado na camisola.
.Incluída a contratação de um árbitro, serviço de “megafonia” para anunciar as equipas, foto de recordação e um diploma “eu joguei no Camp Nou”. Mas ainda se podem contratar extras:
.Podem assistir todos os que quiserem, por 60 euros por cabeça, que têm direito a visita guiada ao estádio, seguir o jogo e entrar no cocktail oferecido a todos os jogadores no final da partida.
.Pode-se contratar o autocarro oficial do clube (800 euros)
.Jogar em horário nocturno, por mais 2800 euros.
.Comprar DVD oficial do jogo a cargo dos profissionais do canal privado do clube, e que custa 6 mil euros.
Não esquecer que o Sporting quando fez o jantar do centenário, no relvado, esgotou. E como aqui temos leitores que gostam de desporto e, alguns, fortemente ligados a clubes aqui fica a minha contribuição.
Adaptando os preços a Portugal, seria um sucesso comercial para os clubes portugueses. Que bem precisam de dinheiro em caixa.