O Primeiro Ministro italiano anunciou a sua ida ao célebre “Porta-a-Porta” da RAI. Falava-se que iria anunciar as negociações para a salvação da Alitalia e dos seus 20 mil postos de trabalho.
Porém, ao seu lado não estava ninguém relacionado com o sector da aviação (directamente), mas sim a nova Miss Itália, Miriam Leone (não sei se seria algum trocadilho com aviões).
Foi a Miss quem começou a defender a reforma educativa de Berlusconi, e como golpe surpresa do apresentador Bruno Vespa ainda apareceu a medalhada em Pequim, em esgrima, Valentina Vezzali.
Ao PM deu um florete e desafiou-o para um combate. Berlusconi, misto cavalheiro, misto D. Juan respondeu: «não a poderia tocar nem sequer com uma flor».
Ela retorquiu: «Presidente, eu deixaria tocar-me por si».
Com isto a sua popularidade subiu para 60 por cento.
Esqueci-me de dizer que Berlusconi não falou nada sobre a Alitalia nem sobre a Itália.
O circo em Itália compensa.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
O circo de Berlusconi
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Anónimo
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
A bela Itália (II) e o marketing político
No marketing político há preceitos, teorias e truques gerais, mas tudo varia consoante a cultura dos povos.
Não há soluções e sugestões aplicadas num local que tenham garantidamente aplicação de sucesso noutro lugar do planeta.
Senão, vejamos, como seria a reacção em Portugal, nos EUA, em Inglaterra a estas declarações:
«Itália é um grande país para os investidores…hoje temos menos comunistas e os que ficam negam tê-lo sido. Outra razão de peso para investir em Itália é que temos belas secretárias…raparigas soberbas».
«Desta vez não vou mandar mulheres bonitas para deputadas…temos outras coisas boas para fazer com elas».
Em qualquer parte do mundo, um líder político seria trucidado por estas declarações machistas.
Mas estamos em Itália e estas palavras são de Sílvio Berlusconi.
E isto, para quem conhece Itália, está muito mais próximo da sua cultura do que fórmulas copiadas a Obama.
Por isso ganha. E ainda por cima porque tem o Milão (futebol), a Mediaset (televisão e os canais que mais despem as bailarinas e assistentes de programas) e é milionário.
Itália é a pátria de “La Piovra”, não nos podemos esquecer disso.
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A bela Itália (I)
No último comício do PD, Walter Veltroni, discursou: «A Itália fantástica que trabalha, que pensa, que se cansa, que acredita e que quer mudar merece uma política nova».
Veltroni falou em «si, puo fare», copiando Obama e da imprensa internacional – quem a lê – reparou como os meios mais à esquerda, por exemplo, “Le Monde” e “El País” fizeram uma campanha fortíssima a favor do “síndaco” (presidente de câmara) de Roma.
Mas Veltroni não é um homem novo e veio da área comunista onde foi até director do “L`Unitá”, uma espécie de “Avante” da bota. Conseguiu irritar Berlusconi, porque em campanha nunca referiu o nome dele (algo impensável para um “umbiguista”), mas não chegou.
O mago das campanhas da Benetton, Oliviero Toscani, declarava na quinta feira ao El País (mas por trabalho, ainda não tinha referido): «Morreremos vestidos na última moda, mas idiotas».
«O produto de pior qualidade em Itália é a política. Os piores profissionais do país são os políticos. Por isso Itália está assim».
Veltroni, apesar de ter unido a esquerda no Partido Democrático, não passou. Berlusconi está muito mais perto da alma italiana do que um intelectual de óculos.
Aliás, já repararam que quem usa óculos não passa e perde? Explicarei porquê, oportunamente.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
A velha Itália
Na península da bota vive um dos mais belos e atraentes países do mundo. Mas que parece parado há muitos anos.
Esta semana a “Newsweek” fazia capa com o lixo que invade, sobretudo, Nápoles e altera a face desse país sexy que é Itália.
Tem a taxa de natalidade mais baixa da Europa e continua a ser governada por uma geração de gerontes. Os mesmos que se sucedem há anos no poder sem conseguir formar um Governo estável e duradouro.
Se já passaram à história Craxi e Andreotti, a vaga de Berlusconi ainda está viva. E ele é bem o símbolo dessa Itália. Com solário, implantes de cabelo e branqueamento dos dentes, o facto é que ele tem 71 anos de idade. Não parece, mas tem. Tem apenas menos um ano que John Mc Cain, que dizem que é muito velhinho para governar um Estado.
Logo, a esquerda que fez um “re-brand” e se modernizou, e agora está aglutinada no Partido Democrático, sob a égide do super-popular Walter Veltroni, apanhou a boleia de Obama e lançou o “Si, puo fare”, a tradução do “yes, we can”.
Mas Veltroni que só fala em “mudança” nos seus comícios, foi mais longe. O sistema eleitoral é diferente do nosso, e, lá, Veltroni candidatou-se em três círculos eleitorais com um sinal positivo. Ele vai nos três em número 2, porque a encabeçar a lista vão jovens com menos de trinta anos.
É a renovação em marcha, uma nova geração que se quer agarrar, uma mudança de estilo num país anquilosado que só vibra com a “squadra azurra”, o “cavalinho rampante” e algumas marcas de roupa que os jogadores de futebol são pródigos em exibir.
A revolução cultural da esquerda está em marcha. Obama deu pontapé-de-saída e vamos ter muitos Obamazinhos à solta por aí.
Até já Sócrates diz: “sim, nós podemos”…
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