Como a “Sábado”, hoje, na secção indiscretos publica três “insides” saídos aqui do nosso blog, e como nos faz a gentileza de nos citar, num deles, penso que irei contribuir para mais um indiscreto.
Ontem, ali pela Bica do Sapato, ao jantar, estavam juntos dois amigos de longa data. O Miguel Relvas que, possivelmente por ser um bom estratega, esteve a dar algum contributo a António José Seguro que, por opção, tem estado discreto só marcando terreno com o seu blog e a coluna mensal no Expresso.
Duas personalidades a acompanhar num futuro próximo. Com a certeza de que Seguro precisaria de muito nervo de Relvas.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Relvas Seguro
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
A mudança do dia
Na semana passada, por ocasião do almoço do Lisbon International Club, em que o convidado do clube presidido por Manuel Ramalho foi o ministro Mário Lino, tive a ocasião de saber algumas novidades da Lusa.
Eu, antes do almoço, estive junto do João Marcelino, director do Diário de Notícias, a ouvir alguns projectos e ideias da nova equipa da Lusa, liderada pelo meu bom amigo Luís Miguel Viana que, de facto, está a construir uma grande equipa e com resultados muito positivos.
Entusiasmado, estava o António Costa que nos contava a sua experiência. Hoje, vejo na Briefing, em peça assinada pelo Rui Camarinha e Carlos Martinho, logo reputo de credível a notícia, que o António vai deixar a sub-direcção de informação da agência do Estado e aceitar a liderança do Diário Económico.
É um bom jornalista, credível, a quem desejo felicidades nesta nova tarefa, agora que a Económica foi comprada por Nuno Vasconcelos.
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terça-feira, 8 de julho de 2008
Tim Maia e a comunicação
Acabei de ler há pouco tempo a biografia de Tim Maia, escrita na prosa escorreita, ágil e sempre divertida de Nelson Motta, seu amigo de muitos anos.
Foi mão amiga governamental que me trouxe o livro, a meu pedido, porque ainda não está publicado por cá. Tim Maia é um dos cantores e criadores mais marcantes da música brasileira e a sua vida é um misto de loucura, deboche, muita alegria e genialidade à flor da pele.
Grande comunicador, mas mau exemplo para o conselho em comunicação. Numa das suas mais famosas entrevistas disse: «não bebo, não fumo, não cheiro, mas minto um pouquinho».
Se há regra letal em comunicação é mentir. Quem mente aos media, perde credibilidade. Quem não tem credibilidade não gera confiança. Se não há confiança na fonte (profissional ou amadora), não há notícia.
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Shakespeare e o poder
Se há escritor que compreendeu a cabeça dos homens, esse, é William Shakespeare.
Para quem gosta das problemáticas do poder, as suas obras são tratados de como montar uma estratégia e conquistar ou manter o poder.
Rei Lear, Ricardo III, Macbeth, Hamlet, Júlio César e em menor escala A Tempestade (que é o meu favorito por sinal) são indispensáveis para a compreensão da motivação e percepção dos conflitos psicológicos interiores de quem ama o poder.
Vi anunciada uma nova versão do Rei Lear em cinema, com Anthony Hopkins, sendo as três filhas Gwineth Paltrow, Naomi Watts e Keira Knigthley. Não sei quem irá fazer de Cordelia.
Mas recomendo, em cinema, a melhor versão de Rei Lear: “Ran”, de Akira Kurosawa. Que também fez a melhor versão de sempre de Macbeth, um filme genial com o título “Trono de Sangue”.
Já agora, este fim-de-semana estive a ver a edição especial do “Kagemusha”, do Kurosawa também. Se o filme já tinha visto pelo menos duas vezes, recomendo o documentário sobre o financiamento do filme – por parte de Coppola e especialmente Geoge Lucas – e o tempo em que o realizador japonês aguardou, fazendo aguarelas – que depois ofereceu aos seus mecenas – com a totalidade do “story board” do filme que realizou. Deve ter sido o melhor “story board” que já vi.
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segunda-feira, 7 de julho de 2008
As gravatas
Há duas semanas foi o PP espanhol, agora o PSOE, a reunirem-se em Congresso. Um, mais turbulento e com fortes divisões que foram aparadas para a foto final, no outro, a tranquilidade de quem tem poder.
Em comum: a ausência de gravatas. Rajoy, não usando a sua clássica gravata vermelha da sorte, prefere não usar nenhuma. Zapatero, tal como Manuel Chaves e José Blanco (na primeira linha do congresso como demonstraram diversas fotos em jornais espanhóis) estavam desportivos e sem pano à frente do peito.
Por cá, primam esses elementos decorativos nas “toilettes” masculinas, sobretudo na política, como se isso fosse garantia de credibilidade, rigor e seriedade.
A nossa sociedade ainda vive destas misérias, Espanha, há muito uma potência, segue em frente, a trabalhar. E a comunicação política espanhola aconselha a aproximar e dessacralizar a actividade política.
Ao fim e ao cabo, os políticos são homens normais, como os que votam neles. Espanha já percebeu. Portugal “obriga” os seus políticos a morrer de calor.
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Eleições a acompanhar são em França e S. Paulo
O PSF vai proporcionar mais um belo espectáculo.
Três concorrentes para o lugar que François Hollande vai deixar. A sua ex-companheira e mãe dos seus filhos, Ségoléne Royal, Martine Aubry, “maire” de Lyon e ex-ministra de Lionel Jospin e Bertrand Delanoe, “maire” de Paris.
Já tinha escrito que é das cidades que pode vir o futuro de algumas lideranças europeias. Aqui há apenas 30% de hipóteses de isso não acontecer.
No Brasil, Lula tem o maior dilema da sua vida política. A quem vai passar os mais altos índices de popularidade que um inquilino do Planalto já teve. Depois dos seus “compagnons de route” terem sido cilindrados em processos judiciais (José Dirceu, António Pallocci), ele só tem três hipóteses: uma fora do PT (Ciro Gomes, que não é de fiar), outra no Governo (Dilma Roussef, mas com pouca notoriedade), ou Marta Suplicy que se vai candidatar à gestão da maior cidade da América do Sul.
Para isso, conta com a divisão de egos no PSDB dividido entre Aécio Neves (que apoia Geraldo Alckmin) e José Serra (que aposta em Gilberto Kassab do DEM – ex PFL, mas agora já diz que também está com Alckmin) que estão a usar S. Paulo para se estudarem e anularem no caminho para Brasília.
Dois combates a acompanhar de perto.
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O melhor do Brasil
Se alguém quer ver algumas das melhores reportagens, debates, imagens sensação e ver o arquivo de novelas e “seriados” brasileiros fica com uma informação: www.memoriaglobo.com.br
Espreitem o duelo de morte, de 1989, entre Fernando Collor de Mello (fortemente apoiado por Roberto Marinho e a Globo nessa altura, mas já ninguém se lembra) e Lula.
Espreitem a campanha pelas “directas já” que pediu o fim da ditadura dos generais e abriu o Brasil à democracia.
Qualquer pessoa pode ter acesso aos conteúdos da Globo desde a sua fundação, em 1965. E com mais extras sobre a programação.
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sexta-feira, 4 de julho de 2008
O jogo de Cavaco
Quem anda na política sabe que Cavaco Silva tem uma agenda própria.
Mantém-se amigo dos seus amigos, mas na hora das decisões segue o seu caminho como político frio que sempre foi.
Continuo a achar que o Presidente da República preferia ter outro líder do PSD no lugar de Manuela Ferreira Leite.
Não porque lhe deseje mal, mas enquanto referencial de estabilidade do centro-direita e de cada vez mais portugueses, preferia ter outro papel enquanto “player”.
De resto, é público e notório que, para muitos, Manuela é vista como um Cavaco de saias. O que na acção política é perigoso, porque qualquer posição que tenha pode vir a ser confundida, pela generalidade dos eleitores. E Cavaco não quer essa dedução.
Por isso, foi interessante de ver como um dos principais cavaquistas não se pronunciou abertamente, tendo ao que me dizem só patrocinado na sombra um candidato.
Esse cavaquista a que me refiro chama-se Manuel Dias Loureiro, seu ex-secretário-geral e que continua a ser um homem muito ouvido lá para os lados de Belém.
Curiosamente, se sobre as directas no PSD não se pronunciou e nem foi a Guimarães ao Congresso, não teve qualquer hesitação em patrocinar a biografia autorizada (ao contrário do que diz a autora) de José Sócrates.
«Sócrates faz bem a Portugal», disse nessa cerimónia onde não esteve presente qualquer ministro.
Não tenho dúvidas que Cavaco subscreve – apesar de não o poder dizer – o que diz o seu fiel escudeiro. Cavaco tem um segundo mandato para conquistar. Precisa da direita e de muito PS.
Sócrates prefere-o a Manuel Alegre, tal como um dia Cavaco preferiu Mário Soares.
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Cidadão do Rio de Janeiro
Contaram-me que Miguel Relvas, braço-direito de Pedro Passos Coelho, será, em Setembro, condecorado pelo “prefeito”, César Maia, como cidadão honorário do Rio de Janeiro.
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O, mas O soundbyte
«É inadmissível que se transfira para o “mercado” deveres morais que são dos governantes»
Federico Mayor Zaragoza
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quinta-feira, 3 de julho de 2008
Henrique Monteiro e o futuro do jornalismo
O director do “Expresso” nesta edição da e-zine do Grupo YoungNetwork, a Presspectives, diz duas doisas fundamentais para o futuro do jornalismo em Portugal.
«As pessoas querem ter informação: informação rigorosa e concreta, antevisões e explicações. Ninguém toma decisões sobre a sua vida com base num espectáculo de variedades. A informação séria, o bom jornalismo continuarão com uma importância ímpar, por muito entretenimento que exista».
Eu acrescento: quando se fala em renovações gráficas de jornais, quando ouço que se tenta proporcionar uma leitura mais rápida confesso que acho ridículo. Os bons jornais têm bons textos e boa informação, não apenas fotos e dez linhas. Têm, acima de tudo, profundidade.
E Henrique Monteiro disse mais: «Acredito que haverá gratuitos para ler em dez minutos. Mas os gratuitos nunca terão possibilidades de ter jornalismo topo de gama».
Concordo. Os gratuitos conquistaram o mercado em Portugal das audiências que não compravam jornais. As pessoas que andam no metro com quatro gratuitos na mão nunca compraram o Público na vida.
E mais: os gratuitos nunca terão «jornalismo topo de gama» também por um motivo: é que quem lê os gratuitos não está interessado em jornalismo topo de gama e não quer perder o seu tempo com complicações.
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Manuela e o casamento dos homossexuais
Como já é hábito o “Público” dá grande destaque à ILGA pelos ataques proferidos a Manuela Ferreira Leite sobre o casamento dos homossexuais e os seus direitos legais.
Confesso que estou-me marimbando e há outros problemas que verdadeiramente interessam os portugueses.
Convidava a nova líder do PSD a citar Boris Johnson, o novo Presidente de Câmara de Londres.
Perguntaram-lhe qual era a posição dele sobre o mesmo assunto. Politicamente incorrecto, como sempre, respondeu no seu estilo “casual”: sou tão favorável a isso como ao casamento de um homem e três mulheres ou ao casamento de dois homens e um cão.
Ganhou Londres e também se estava marimbando para quem não tem nada que discutir.
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Subtileza-mor
"Eu não me resigno", in RTP, 02/07/2008, José Sócrates.
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