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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A ciência-chave para um consultor de comunicação

The Wire é uma das melhores séries americanas dos últimos anos, com carimbo HBO. Sobre a luta constante entre polícias e traficantes de droga em Baltimore, estado de Maryland.
Na terceira temporada, que acho ainda não passou em Portugal, e que acabei de ver há dias, para lá de uma divagação psicológica de «como se pode proteger um homem de si próprio», aparece um consultor de comunicação a fazer um media-training (apenas uma ferramenta na actividade do conselho em comunicação) a um proto-candidato a “mayor”. Conselhos:

.Fale mais calmamente
.Tente fixar o olhar nos interlocutores
.Faça-os pensar que eles são importantes
.Use expressões quentes e abertas
.Nada acutilante que morda

Sempre defendi que os momentos de lazer são fundamentais para se ter boas ideias e aprender sempre algo mais. Recomendo “The Wire” por ser uma série genial e por se aprender muito sobre a natureza humana. A ciência-chave para um consultor de comunicação.

PS: Há duas semanas, o Carlos Martinho – um bom jornalista da “Briefing” – fez uma nota chamando a atenção de que os blogues de comunicação estavam a escrever pouco sobre comunicação. Referia-se, naturalmente, aos profissionais e com currículo no sector. Concordo com ele, faço também um “mea culpa” e prometo que, dentro da disponibilidade possível, entrarei mais por um campo em que posso dar algum contributo teórico e prático.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

«Cuidado com o que dizes»…

Gosto de ciclismo, apesar da crise que atravessa. No domingo espreitei pela primeira vez o Tour este ano. Vi um tipo explosivo, de quem já tinha ouvido falar pelo espectáculo que deu no “Giro” e pelas picardias constantes com Contador, a nova referência da modalidade.
Exactamente nesse momento em que comecei a ver no Eurosport a etapa, estava a ler no ” El Pais” uma entrevista com esse tipo explosivo.
Italiano, 24 anos, Ricardo Ricco. E até parece que o melhor jornal espanhol acertou no escolhido para a conversa. Ricco explodia na primeira etapa de montanha e ganhava a etapa.
Em palavras também não as mede. «Creio que falta um tipo como eu que anime o ambiente, um agitador. Senão, isto é um cemitério».
O seu ídolo é Marco Pantani dominador das montanhas durante anos, carismático e que fez muita falta ao pelotão internacional pelo seu estilo sempre ao ataque, como foi Vinoukorov, uns anos depois.
A Ricco, chamam-lhe o “Cobra”, porque antes de atacar olha nos olhos, cara-a-cara, os seus rivais. «Como uma cobra antes de distribuir o seu veneno».
A curiosidade é que já tem um consultor em comunicação, o que é fundamental para se acautelar e definir a imagem para o seu futuro, que pode ser auspicioso.
Essa perita em conselho de comunicação é…a sua mãe. Parece que lhe liga todos os dias e o aconselha sempre com a mesma frase: «cuidado com o que dizes».

terça-feira, 8 de julho de 2008

Tim Maia e a comunicação

Acabei de ler há pouco tempo a biografia de Tim Maia, escrita na prosa escorreita, ágil e sempre divertida de Nelson Motta, seu amigo de muitos anos.
Foi mão amiga governamental que me trouxe o livro, a meu pedido, porque ainda não está publicado por cá. Tim Maia é um dos cantores e criadores mais marcantes da música brasileira e a sua vida é um misto de loucura, deboche, muita alegria e genialidade à flor da pele.
Grande comunicador, mas mau exemplo para o conselho em comunicação. Numa das suas mais famosas entrevistas disse: «não bebo, não fumo, não cheiro, mas minto um pouquinho».
Se há regra letal em comunicação é mentir. Quem mente aos media, perde credibilidade. Quem não tem credibilidade não gera confiança. Se não há confiança na fonte (profissional ou amadora), não há notícia.