segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Duas peças de estratégia

Fica cada vez mais percebido que o PS não quis chamar Dias Loureiro ao Parlamento para não incomodar Cavaco Silva.
Eram umas tréguas e paz institucional.
A segunda peça estratégica é que tenho a convicção que são próximos de Manuela Ferreira Leite – e que fortemente a apoiaram – que estão a lançar Marcelo. Objectivo: não querem Pedro Passos Coelho, que está a construir tudo com pés e cabeça e que teve um fim-de-semana – nomeadamente Expresso e Correio da Manhã sábado – fenomenal em comunicação. E, no DN de ontem, apenas constatou um facto de quem não tem nada a esconder.

Austeridade emocional *

A política portuguesa tem ciclos. Tem fases mais austeras e com maior autoridade - governos de Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates – seguidas de fase de maior emoção e afeição, António Guterres e Pedro Santana Lopes.
Parece que quando os portugueses ficam cansados de um pai, se voltam para a emotividade de uma mãe. São os ciclos e basta reparar como isso acontece por cá.
Na oposição a Sócrates, não há emoção nem afectividade, muito menos esperança. Manuel Ferreira Leite é ícone de uma austeridade com credibilidade (foi essa imagem que quis criar), mas muito pobrezinha de ideias e a rumar para o abismo do disparate, como o que aconteceu na semana passada.
Para quem viu alguns fóruns populares, os portugueses não reagiram tão mal como isso, pois o nosso país continua herdeiro de um conservadorismo salazarista que tem algum fascínio por ditadores.
Porém, o que é certo é que cada vez mais se sente que José Sócrates tem a vida facilitada à direita e só tem mesmo de se preocupar com a chantagem diária – com ameaças de saída do PS ou constituição de um novo partido – por parte de Manuel Alegre.
Além do mais, a política portuguesa vive uma austeridade emocional (expressão que retiro com a devida vénia a Ana Sá Lopes) que leva a que muitos eleitores ainda não saibam em quem votar.
Assim, a tendência será a abstenção, ou, como voto útil, votar em Sócrates, pois é preferível o certo ao incerto. A réstia de esperança ao mais frio dos infernos.

*Artigo publicado no OJE

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hora Tchiga! *


Mais Guiné-Bissau.

No que aos clientes diz respeito escolhemos a discrição. Se o assunto é política ou public affairs redobramos a discrição. Foi esta a cartilha que escolhemos. Os clientes valorizam. Vêem-nos chegar, explicar que a estrela são eles, que estamos apenas comprometidos em ajudar, e se ao princípio estranham a novidade, os meses passam e habituam-se à ideia de não lerem notícias sobre a parceria na Imprensa. É uma nova forma de comunicar a área cá. Sem espalhafato. Em benefício dos clientes.

A falar, a posteriori, e como excepção, descrevemos genericamente o que fazemos. Sem qualquer problema de tornar público os nossos interesses em cada momento se a isso fossemos obrigados, mas sem o fazer, muito menos como primeira acção de comunicação.

Sem ferir este princípio, que gosto, e juntando-lhe um outro, que é o de comunicar trabalho realizado e não um conjunto de intenções, que tarde ou nunca se concretizam, revelo pela primeira vez que fizemos parte da equipa que levou Carlos Gomes Júnior à esmagadora vitória nas eleições para primeiro-ministro da Guiné-Bissau. Os resultados foram anunciados hoje e o número de deputados aponta a 67, já que 67% dos votantes colocaram a impressão digital à frente do nome do candidato do PAIGC no boletim.

Felicito o novo primeiro-ministro, que obtém um resultado histórico, numa eleição em que Carlos Gomes Júnior e o PAIGC reconquistam o poder.

* Está na hora, em crioulo.

PS: Além da relação na esfera profissional, foi com muito agrado pessoal que conheci Carlos Gomes Júnior e Óscar "Can Can" Barbosa, Secretário para os Assuntos Internacionais do PAIGC.

Doutrina americana

Quando Luís Paixão Martins decide ser doutrinário... sai-lhe muito bem.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Abram alas para o Noddy




Quem diria que seria Manuela Ferreira Leite e o seu fiel escudeiro a abrir mercado para as agências de comunicação regressarem em força à política. Autarcas, opositores internos, membros do aparelho, apoiantes e alguns conselheiros tentarão fazer o contrário da líder na comunicação.

Pacheco Pereira arrisca-se a ficar conhecido no meio como o Noddy, tal a maneira como está a abrir alas para os profissionais. Com as portas a escancararem-se assim nem me importo de ser o Sonso ou o Mafarrico.

Vamos brincar à democracia

Hoje temos. Amanhã não. Depois de amanhã sim. Na sexta não outra vez. Para não fartar.

Em queda livre.

Advérbios de modo não combinam com ritmo



Esta aprendi há muitos anos, logo na minha fase experimental na comunicação. Advérbios de modo cortam o ritmo e a eficácia da mensagem. A evitar.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Aperto-de-mão (iii)

E há regras universais de networking que não vale a pena atirar para o baú. Sei que é tentador ser um broadcaster, sentarmo-nos à frente do PC, comunicar com o mundo, “postar” no blog, actualizar o linkedin e o facebook, twittar para 500 seguidores, mas não chega. Construir relações pessoais é muito mais do que isso.

Desligue o laptop, levante-se, saia para a rua, é hora de dar uns apertos-de-mão. Vá a conferências, marque almoços, seja membro de uma Associação ou Câmara de Comércio, participe em eventos onde estejam parceiros e prospectos, e visite os seus clientes.

Networking. Play it for real!

Aperto-de-mão (ii)

A melhor comunicação é aquela que mistura várias disciplinas e várias ferramentas de comunicação. Devemos olhar para os desafios dos clientes e criar soluções que o ajudem a concretizar os objectivos dos seus negócios. O modelo análise - definição de objectivos - estratégia - plano de acção deve incorporar as soluções de comunicação que melhor servem os clientes, sejam elas relações públicas, Web, publicidade, marketing directo, ponto de venda ou outras.

Dentro das relações públicas, a mesma coisa. As redes sociais e a comunicação 2.0 não servem por si só os clientes, na esmagadora maioria dos casos. São mais uma “arma” a utilizar, nalgumas vezes a principal, e que será apoiada por outras.

Aposta certa

O projecto que o do fundo da Comunicação patrocinou, Até onde vais com 1000 euros, ganhou o prémio Grande Vencedor Super Bock Super Blog Awars 2007-2008.

O do fundo da Comunicação entrou com os mil euros vezes dois para as viagens. Sabe bem quando se acerta na aposta.

Aquele riso

Quando por vezes lemos sobre ganhos de contas que afinal são trabalhos pro-bono...

É mais honesto nesses casos dizer algo como isto.

Aquele sorriso

Destaque da Briefing de hoje, na newsletter:

"Nos Estados Unidos chamamos aos rankings [de agências de comunicação] os 'book of lies", Bill Carlson, presidente da Tucker/Hall e da Public Relations Organisation International.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Aperto-de-mão (i)

Quando temos um martelo nas mãos olhamos para tudo como se fossem pregos. Nos Media Sociais é fácil perceber isso. São vistos, às vezes, por quem os usa, como panaceia para toda a comunicação, no presente e no futuro.

Uma rápida análise à situação actual dos Media Sociais em Portugal:

1. Já são massivamente utilizados lá fora, cá ainda são de nicho;
2. Os meios tradicionais têm aos dias de hoje muito maior audiência e (não que a influência decorra apenas dos números da audiência) influenciam muito mais pessoas;
3. Há gerações inteiras (sobretudo acima dos 40 anos) que não estarão presentes em redes sociais nem agora nem no futuro. E essas também consomem e também votam;
4. A tendência de utilização é exponencial cá e no resto do Mundo;
5. O potencial de comunicação quer pelas audiências quer pelas inúmeras possibilidades é gigante;
6. Alguns utilizadores e prescritores (como nós, por exemplo) já utilizam, experimentam e aprendem, mas os clientes estão bastante mais atrasados neste processo.

Dito isto, as redes sociais na forma como envolvem o emissor e o receptor, nas ferramentas utilizadas, na mensagem escolhida, enfim, no processo de comunicação são disruptivas. Mas não são disruptivas na estratégia de comunicação, onde devem ser integradas com outras formas eficazes de falar com os públicos e envolvê-los.

Temos o exemplo claro: apesar da grande campanha que Barack Obama fez na Web e nos Media Sociais, não esquecer os milhões e milhões de dólares investidos em comícios, convenções e anúncios de TV.