Ontem, em directo na CNN, vi Barack Obama construir uma das mais belas peças de oratória que ouvi em muito anos.
Em directo da Carolina do Norte, o senador do Illinois homenageava a avó que não suportou o cancro e não viu o resultado que o neto terá hoje.
Relembre-se que a mãe de Obama também morreu de cancro e ele não pôde acompanhar os seus últimos dias. Desta vez, Obama interrompeu a campanha para visitar a sua avó.
Obama falou dos americanos que não são mediáticos e não aparecem nos jornais. Mães, pais, avós, que lutam para a sobrevivência e sucesso das suas famílias, «os heróis esquecidos da América».
Neste último dia, Obama cresceu dois pontos nas sondagens nacionais.
PS: há algum tempo que o Nuno Gouveia – que construiu um grande blog sobre as eleições americanas – aceitou o meu repto e escreveu sobre a relação dos media com os gigantescos “staffs” dos candidatos. Ainda estou para também teorizar sobre o mesmo, vai ficar para o pós 4 de Novembro.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Obama e «os heróis esquecidos da América»
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terça-feira, 18 de março de 2008
Política/Internet: um espaço conflitual
Nas últimas eleições espanholas, apenas 15 por cento dos candidatos tinham um espaço pessoal na net. Mas os dois grandes partidos, PSOE e PP, apostaram forte nos novos meios de comunicação.
O problema é que, como provam estes números do El Pais, os políticos ainda duvidam – ou desconhecem – as potencialidades da net. Mas, hipocritamente, usam-na para (tentar) ganhar novos públicos que, ao mesmo tempo, desconfiam dos políticos.
O habitual “navegador” na net não liga a política e também desconfia do sistema que a envolve.
Os políticos têm de encarar as novas plataformas mediáticas como arena das suas disputas. Hoje, não sei se vale mais uma foto no “Público” ou um vídeo no “You Tube”, mas inclinar-me-ia para o segundo.
O estudo referia que 58 por cento dos internautas espanhóis têm menos de 35 anos, e os que têm entre 16 e 24 anos dedicam mais 22 por cento do seu tempo à net do que à televisão.
Números interessantes que nos EUA são utilizados à séria. Repare-se que a net trouxe uma capacidade de mobilização e arrecadação de fundos de que o grande triunfador é Obama.
Todos os candidatos americanos recorreram às novas ferramentas, os mais amadores pagaram por isso. É conhecido o caso de Denis Kucinich que ao montar o seu Face Book deparou, por falta de controlo, com um transsexual que se projectou através dele e proporcionou um dos momentos mais hilariantes de campanha.
A política deve usar e abusar da Internet. Ainda faz soundbyte, entra em território virgem e pode cativar o eleitorado mais jovem, o mais desapegado das lutas pelo poder. De conflitual a pacífico, será esse o sentido desta relação no futuro.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
A queda de Giuliani
Gosto muito de ler biografias de realizadores de cinema. Um dos meus favoritos, Michelangelo Antonioni, dizia, sobretudo sobre umas das suas obras primas, “O Eclipse”, que «procurava vestígios de sentimentos».
Nas sociedades modernas – e aquele minuto de silêncio na Bolsa por morrer um corretor e a ebulição, logo sem pausas, do mercado de capitais, no filme mencionado, são bons exemplos – faltam factores de ligação, de emoção nas pessoas.
Esse é um dos desafios da comunicação política. Apresentar os “vestígios de sentimentos” dos políticos junto dos eleitores.
Giuliani falhou nos EUA porque, como comentava - penso que o Paul Begala na CNN – quanto mais tempo Giuliani está num sítio mais votos perde. Como só apostou – um dos maiores erros estratégicos em eleições americanas – na Florida, matou-se.
Giuliani foi o único político de óculos, factor de barreira com os olhos – o espelho da alma – de qualquer candidato e de qualquer pessoas.
Apresentou-se com uma placa nova que só plastificava a imagem. Já de si difícil e quase anódina.
Juntando tudo, a derrota surgiu. No entanto, mantenho hoje que os candidatos mais bem preparados para assumir a Casa Branca são Hillary e (era) Giuliani. Mas como diz Kissinger, esse não é o principal critério para se escolher um candidato.
Giuliani investiu forte em publicidade (“ad pepople”) na Florida e ficou em terceiro e desistiu. Esqueceu-se da comunicação política (“PR people”)…Paz à sua alma.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Hillary: Lady Macbeth
Qual é o preço do poder para esta mulher? Quanto vale a ambição? Shakespeare foi o melhor psicanalista dos dilemas, dos conflitos internos, das personagens ávidas de poder. Basta ler Macbeth, Rei Lear ou Ricardo III.
Hillary Clinton é a personagem que mais se assemelha a este universo do criador de Romeu e Julieta. Em Macbeth, é a mulher dele que o instiga a cometer o mais vil dos crimes para beber o triunfo do poder. Aliás, Akira Kurosawa quando se inspirou neste drama para fazer um filme genial chamou-lhe o “Trono de sangue”.
Não é que Hillary tenha morto ninguém – pelo menos que se saiba – mas a determinação e o seu sonho de poder levaram-na a engolir uma quantidade de sapos praticamente inimaginável.
Muitos dizem que, actualmente, ela é a mais bem preparada de todos os candidatos à presidência norte-americana. Mas resta saber quão confiável ela é.
Carl Bernstein escolheu-a para a retratar impiedosamente no seu último livro, tal como o desiludido com os Clinton, George Stepanoupoulos já o tinha feito há uns anos atrás.
Hillary sabia tudo. Todos os podres do seu marido Bill. Suportou-os pelo peso de uma ambição. Engoliu Gennifer Flowers, envolveu-se na morte misteriosa de um amigo do casal nos tempos do Arkansas, no caso Whitewater, ouviu Paula Jones, até “limpou” a mancha no vestido azul de Mónica Lewinsky e foi sempre quem controlou subtilmente os fios da marioneta que ela sempre apoiou e ajudou a criar. Bill tocava saxofone e brilhava, Hillary, em silêncio, manipulava.
Bill era simpatia, frivolidade, jovialidade. Hillary era despótica, profissional, gélida.
Bill é adorado na Europa pela esquerda globalizada, mas continua mal visto nos EUA que só lhe perdoarão a desconstrução da Casa Branca pelos seus escândalos sexuais daqui a cem anos.
Hillary, está bem preparada, ninguém lhe pode negar isso, é uma Ségolène com cafeína. Porém, não apaixona. É um produto estilizado, credível enquanto marca, mas é pura razão sem coração. Se eu fosse norte-americano fugia dela…
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