A justiça portuguesa tem um défice de comunicação irreparável.
É que se alguém perguntar a qualquer português o que pensa dela, a resposta é simples: «é lenta».
Esta imagem provoca danos insuperáveis, sobretudo quando todos os dias somos brindados via media por novelas provocadas por casos judiciais.
Reparem como o jornal diário mais lido do país (o Correio da Manhã-CM), ao fazer bem o seu trabalho e seguindo as histórias que os seus leitores mais lêem, ajuda na compreensão deste fenómeno.
Há processos que nunca morrem, justiça que nunca é feita, protagonistas – que com ou sem razão – são dizimados na praça pública por uma lei que tarda em sem aplicada.
O povo gosta de lei e ordem, mas derrete-se de prazer também ao ver figuras mediáticas – nomeadamente ricos e poderosos - trucidadas pelas notícias.
Ontem, reparem na primeira página do CM: manchete dizia “clã Oliveira e Costa contra accionistas do BPN”. Há várias semanas que o folhetim se adensa e o povo já adivinha que a culpa vai morrer solteira.
Outra, “Procurador faz prova de dois crimes de Carlos Cruz”. Milhões de caracteres para descrever um eventual crime e afinal parece que só Carlos Silvino irá pagar.
A fechar, “irmã de Carolina Salgado mentiu ao DIAP”, mais um processo sem fim anunciado.
O que temos em comum? Um presidente de um banco, uma figura da televisão, duas “senhoras” ligadas a uma história de futebol.
E o que os une ainda mais? O tempo longo de espera da decisão dos juízes e as histórias de faca e alguidar intermináveis.
É por essas e por outras que a imagem da Justiça precisa de muito melhor decisão. E melhor comunicação também.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
A comunicação da Justiça *
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Por uma nesga
Não tenho ainda opinião formada sobre a questão de Alcântara, mas ver o Zé a tomar a causa dos contentores, o homem dos 40 processos contra a Câmara (valha que agora tudo corre bem, e ninguém precisa de abrir processos), e a conceder, benevolente, esta* mordomia, não ajuda.
*via Red Light District
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Anónimo
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21:57:00
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Dúvidas que só o avô sabe
Estava na dúvida com o "está assentado" no texto abaixo e liguei ao meu avô.
Não é. O correcto é "está assente" - já corrigido.
Habitualmente é assim nos verbos com duplo particípio passado:
- Forma regular (...ado;...ido) com os auxiliares ter e haver;
- Forma irregular com os auxiliares ser e estar.
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19:13:00
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Quando o dever chama
Mui estimados leitores,
Tenho-vos tratado mal. Ligo-vos pouco.
Nunca fui homem de me desculpar pela falta de tempo, nem de prometer que agora é que é desta.
Escrever-vos está assente na minha descrição de funções. E tenho-o feito menos do que deveria.
Do alto da minha baixa patente, quero-vos diz que a razão é menos prosaica do que vós podereis pensar.
Pensa o leitor que peno pelo muito trabalho que grassa na agência, que a ausência confirma a presença num outro lugar, num outro objectivo.
(Sinto-me mais cansado, a dormir menos, consequência de noites mais longas)
O problema é mais oriental. Quis o mundo que eu vivesse na mesma altura que os criadores da série Call of Duty.
Comprei o último, seria o quinto da série se o tratassem dessa forma corriqueira, há dois fins-de-semana.
(Há um ano cheguei a casa com uma ps3 debaixo do braço - esta altura do ano é propícia a gastos como este e eu sou bastante influenciável pela comunicação das marcas - e perguntou a Ana: “Tu não tinhas dito que não ias comprar, porque não tinhas tempo?”…pois…mudei de ideias)
E a razão da excitação é que sou bom, e todos temos que ter alguma expertise na vida, para fazer disso vida ou para partilhar no Squidoo do Seth. Descobri que sou bom, muito bom no World at War como já era no Modern Warfare. Ter 290 mil soldados à minha frente no ranking online não me retira a confiança, até porque o meu rácio um soldado caído por cada queda minha é um número respeitável.
Há a métrica de não contratar gestores com handicap no golfe inferior a 15 porque para lá chegar não basta jogar sábado e domingo. Devia haver a métrica de só contratar consultores de comunicação cujo ranking no Call of Duty seja superior ao soldado 250 mil.
(Não sei por quanto mais tempo estarei disponível)
Tentarei ser breve e voltar à minha vida de blogger, sejam os tiros mais certeiros e as noites mais descansadas.
Subscrevo-me com consideração por todos.
Este vosso soldado,
João Duarte
PS: Para os outros mancebos, se quiserem adicionar-me, o meu nome na rede social ps3 é alsurus.
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Lá vai Lisboa…
Não gosto muito de falar sobre a câmara de Lisboa porque podem dizer que sou parte interessada e não sou. Aliás, mantenho excelente relação com os dois principais opositores nas próximas autárquicas.
Mas vejo que um “novo” elevador, igual ao que gerou polémica em 2001, vai arrancar e será financiado pelo Casino de Lisboa.
E onde está Sá Fernandes? O homem que mais o contestou no tempo de João Soares, procurando o mediatismo fácil, algo em que é especialista.
Ao lado do elevador, reforçado com mais pelouros pelo PS. Agora o elevador já não é polémico…Tal como o terminal de contentores novo também já não é…Tal como se houvesse outro Túnel, igual ao Marquês, também, por certo, já não seria polémico.
Que azia a sua presença deve ter causado a Miguel Sousa Tavares e a Gonçalo Ribeiro Teles no “Prós e Contras”, depois de o terem apoiado loucamente. Ele é o Juca Pirama – do Salvador da Pátria, uma novela da Globo popularizada por Sássá Mutema – que não parava de ameaçar: “Meninos, eu vi!», até chegar ao poder.
Só uma nota: «o meu único interesse é Lisboa», dizia Sá Fernandes. Será que alguma alma caridosa ou algum pobre de espírito ainda acredita neste homem?
É que já nem Louçã…
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André dos Açores
Na nova composição do Governo regional de Carlos César, tenho uma novidade que muito me agrada: André Bradford – meu vice-presidente da associação de estudantes de Comunicação Social na Universidade Católica – meu amigo e pessoa de grande talento é o novo secretário regional da Presidência.
Muitas felicidades e cumprimentos também para a Mariana, a mulher. De quem fui “padrinho televisivo”.
Um político a acompanhar.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
«Um problema…o povo»
No Polvo II, durante uma conversa num terraço em Trapani, o advogado Terrasini conversa com o banqueiro Nicola Antinari sobre uma festa popular que se está a ouvir na rua.
«São belas as festas populares, não?», pergunta o advogado. Responde o banqueiro: «sim, são muito belas, mas têm um problema…o povo».
O problema na política que vive muito de círculos fechados é que na maior parte das vezes esquece o povo. E o problema das empresas é que algumas vezes esquece o povo.
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Kamu Suna Ballet Company
Neste sábado, optei por não ligar ao Sporting e forçado por amiga dirigi-me ao Teatro Camões para ver um ballet desta companhia no título.
Amar a Terra era a mensagem a ser transmitida ajudada por uma banda rock os Klepht, pelo contratenor Manuel Brás da Costa e por mais músicos.
A base da comunicação era de Dostoievski. «é preciso amar a Terra até ao fim, até aos extremos das suas margens – até ao Céu; é preciso amar o Céu até ao fim, até aos extremos limites do Céu, até à Terra». Foi um espectáculo agradável.
Olhei para o patrocinador exclusivo do Teatro, a Fundação EDP, e questiono-me onde andariam uma série de pessoas ligadas à arte se não houvesse mecenas.
Até porque, como dizia Ricardo Pais ao DN, «Sócrates tem esvaziado a cultura». Uma sociedade que não liga à cultura é uma sociedade fechada e de trogloditas.
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Miguel Rodrigues dos Santos e José Sousa Tavares
Acaba de ser lançado o novo livro de José Rodrigues dos Santos, “A vida num sopro”. Contam-me que qualquer semelhança com o “Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares é mera coincidência.
Seiscentas e dezasseis páginas de romance de Rodrigues dos Santos a 23 euros pela Gradiva contra 640 de Sousa Tavares a 29 euros pela Oficina do Livro.
Portugal, nos anos 30, é onde se passa a trama de Rodrigues dos Santos. Já em “Rio das Flores”, segundo a sua sinopse, são “(…) trinta anos de história do século XX as que correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil”.
Consta que ambos são histórias de família, com amores e desamores onde se desafiam os valores tradicionais de época.
Li o “Rio das Flores”, não gostei.
Lerei pela primeira vez Rodrigues dos Santos e veremos, se, como afirmava o filósofo Heráclito, não é mesmo possível banhar-se duas vezes no mesmo Rio…
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Duas peças de estratégia
Fica cada vez mais percebido que o PS não quis chamar Dias Loureiro ao Parlamento para não incomodar Cavaco Silva.
Eram umas tréguas e paz institucional.
A segunda peça estratégica é que tenho a convicção que são próximos de Manuela Ferreira Leite – e que fortemente a apoiaram – que estão a lançar Marcelo. Objectivo: não querem Pedro Passos Coelho, que está a construir tudo com pés e cabeça e que teve um fim-de-semana – nomeadamente Expresso e Correio da Manhã sábado – fenomenal em comunicação. E, no DN de ontem, apenas constatou um facto de quem não tem nada a esconder.
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Austeridade emocional *
A política portuguesa tem ciclos. Tem fases mais austeras e com maior autoridade - governos de Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates – seguidas de fase de maior emoção e afeição, António Guterres e Pedro Santana Lopes.
Parece que quando os portugueses ficam cansados de um pai, se voltam para a emotividade de uma mãe. São os ciclos e basta reparar como isso acontece por cá.
Na oposição a Sócrates, não há emoção nem afectividade, muito menos esperança. Manuel Ferreira Leite é ícone de uma austeridade com credibilidade (foi essa imagem que quis criar), mas muito pobrezinha de ideias e a rumar para o abismo do disparate, como o que aconteceu na semana passada.
Para quem viu alguns fóruns populares, os portugueses não reagiram tão mal como isso, pois o nosso país continua herdeiro de um conservadorismo salazarista que tem algum fascínio por ditadores.
Porém, o que é certo é que cada vez mais se sente que José Sócrates tem a vida facilitada à direita e só tem mesmo de se preocupar com a chantagem diária – com ameaças de saída do PS ou constituição de um novo partido – por parte de Manuel Alegre.
Além do mais, a política portuguesa vive uma austeridade emocional (expressão que retiro com a devida vénia a Ana Sá Lopes) que leva a que muitos eleitores ainda não saibam em quem votar.
Assim, a tendência será a abstenção, ou, como voto útil, votar em Sócrates, pois é preferível o certo ao incerto. A réstia de esperança ao mais frio dos infernos.
*Artigo publicado no OJE
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Hora Tchiga! *
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Doutrina americana
Quando Luís Paixão Martins decide ser doutrinário... sai-lhe muito bem.
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