quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PR vs. Media nas eleições americanas

O Nuno Gouveia tem sido louvado pelo seu trabalho sobre as eleições americanas aqui.
Ontem, depois de ele ter comentado um post meu sobre os estrategas dos dois candidatos, propus-lhe – sem violar o seu “contrato” com a LPM que lhe proporcionou a ida à Convenção Republicana – que discorresse num post sobre um tema que com certeza interessará ao seu patrocinador, a mim e a outros que visitam blogs de comunicação.
Como é que ele sentiu ao vivo a relação entre os media e os múltiplos profissionais – com diversas competências – de PR ao serviço de uma campanha que dura quase ano e meio.
Aqui revelei que dos 200 (duzentos!) principais assessores de Obama, 100 eram de Chicago.
E isso é um assunto a que sobretudo os media portugueses vão ter de se habituar.
Eu tenho a minha ideia, que será por certo a do Nuno.
Depois comentarei, uma vez que ele já prometeu que postava sobre o assunto.

Soundbyte de Comunicação

Grande soundbyte do Telmo C, no Sem Filtro, que eu teria puxado para título do seu post: "Existe mas não é minimamente conhecido? Então, não existe..."

Se tirarmos o minimamente, a expressão ainda ganharia maior força.

Existe mas não é conhecido? Então... não existe!

Voltarei ao tema dos soundbytes em breve.

Nota: Comento neste post o soundbyte em si, e não o contexto.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sir Richard Branson


É já na próxima semana que Sir Richard Branson estará em Portugal. A YoungNetwork fará a comunicação da visita do criador da Virgin ao nosso país. Um enorme privilégio. Foi uma luta fratricida dentro do Grupo para ver quem seria a equipa escolhida para o projecto.

Cardápio de um consultor sedutor (II)

Para construir a mensagem que envolve os elementos do cardápio informativo, o consultor deve garantir a resposta a seis questões:

. O quê (facto)
. Quem (sujeito)
. Quando (momento)
. Onde (lugar)
. Como (modo)
. Porquê (motivo)

Bons consultores fornecem informação que interesse aos leitores dos Media. O jornalista é o narrador, proporcionando ao emissor uma credibilidade que só o third part effect dá.

Nota: A primeira parte deste post foi escrita no blog Piar, respondendo a este desafio.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Duelo de estrategas nos EUA

Gosto destes duelos, quando os estrategas máximos das grandes campanhas se picam. Neste caso, sobre a palavra mudança.
Steve Schmidt, estratega de McCain, diz: «para Obama a mudança é uma palavra bonita, uma táctica de campanha, é uma estupidez».
David Axelrod, de Obama, diz: «o problema de McCain é que utiliza muito a palavra mudança, mas na prática as suas políticas resultam demasiado familiares. Isso não é mudança, é mais do mesmo».
Ambos os estrategas – estrategas à séria e que sabem mesmo o que é estratégia -, Schmidt mais tarde, já descobriram a palavra-chave destas eleições americanas.
Porque quem percebe de estratégia, rapidamente define e consegue arranjar um conceito, como antes expliquei aqui.
Agora, é matarem-se para mostrar quem é o melhor vendedor de mudança.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Boa comunicação é...

...evitar amplificar mensagens negativas que outros escrevem.

Ainda o silêncio

Agora, que tudo aguarda a intervenção e o prazer de ouvir a voz de Manuela Ferreira Leite, confesso que me dei ao trabalho de ir ver alguns aforismos sobre o silêncio.

Os que não se aplicam a Manuela:
«Se nos mantivermos calados, pensarão que somos filósofos» Sydney Smith
«O silêncio é a virtude dos imbecis» Francis Bacon
«Cada gota de silêncio é a chance para que um fruto venha a amadurecer» Paul Valery

Os que se aplicam a Manuela
«O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar» Josh Billings
«Fique calado e em segurança, o silêncio nunca o trairá» O`Reilly
«Abençoados os que nada têm a dizer e não se deixam persuadir a dizer» James Russell Lowell

Hoje, numa forma sábia, o líder da JSD, Pedro Rodrigues, em entrevista ao Semanário, diz tudo numa síntese fenomenal, cito-o: «O silêncio é bom conselheiro, mas nem sempre é de ouro».

Antevejo, para segunda-feira, artigos a elogiar o discurso de Manuela de domingo no Público, Diário Económico e Correio da Manhã e depois colunistas como Vasco Graça Moura, Pacheco Pereira – os amigos do costume – e Vasco Pulido Valente que está com Manuela como também esteve com Marques Mendes.
Mas com a comunidade blogger a disparar. Vamos ver…

Boa comunicação é...

...ter um doce no bolso para oferecer em momento aziago.

Quem tem medo do jornalista mau?

Por Vera Toucinho*

No nosso dia-a-dia de consultores, os jornalistas são uma peça fundamental. Mas como todos, uns são mais afáveis, outros mais duros, uns são mais directos, outros mais astutos. Também têm dias bons e outros péssimos. Mas independentemente da postura de cada jornalista, o que muitos consultores (e clientes) ainda não perceberam – e têm que perceber rapidamente – é que o ponto de partida para esta relação bilateral começa com uma boa história, com uma informação relevante. É aqui que começamos a falar a sua língua e a ser, no sentido inverso, uma peça importante também para eles.

Um consultor tem que ser um facilitador. Tem de ser o caminho e não um fim ou um mero recurso. É isto que dita, ou não, uma cooperação duradoura. Abordar um jornalista com informação irrelevante é fazê-lo perder o seu tempo. Abordar o jornalista várias vezes com informação irrelevante é maçá-lo. Insistir é irritá-lo.

Antes de abordar um jornalista, o consultor deve fazer um exercício e ultrapassar dois problemas habituais:

1) Memória Curta (por não se lembrar das regras básicas que aprendeu nos primórdios da universidade)

2) Capacidade de argumentação (explicar ao cliente o que faz ou não sentido, o que interessa ao jornalista e aos leitores de um jornal/revista)

A informação que temos para passar a um jornalista tem que ter, pelo menos, uma destas características:

- Valor noticioso
- Pertinência e/ou Actualidade
- Abrangência / Relevância para o leitor / impacto para o país
- Abordagem certa para o tipo de meio
- (E o mais importante) Consciência de tudo isto

Portanto, da próxima vez que pegar no telefone, pense bem no que tem a dizer ou oiça-o do outro lado: “hoje não te posso atender”.

* Senior Consultant YoungNetwork

Colunista convidada

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Porque uma agência de comunicação – e o seu líder – nunca terão boa imprensa


1 O obscuro, a imagem de Darth Vader vende mais.

Se perguntarem à maior parte dos fãs de Star Wars quem é a personagem chave, a resposta é simples: Darth Vader.

2 A imprensa não quer volatilizar e fragilizar o seu papel de gatekeeper.
Quanto maior a força de uma agência maior é o temor nas redacções, que permanecem anquilosadas, na influência das mesmas.

3 Os media portugueses acham que o lobista é sinónimo de putrefacção e corrupção, logo têm má reputação.
Enquanto os media não perceberem que o lobi regulado é um sinal de transparência, os media continuarão a contribuir para a opacidade do sistema político e de poderes variados.

4 Jornalistas continuam a achar que as agências são seus inimigos.
Como já expliquei internamente, o lado pedagógico dos consultores de comunicação é tentar promover a cooperação. As agências são parceiras e ajudam o trabalho dos jornalistas. Têm uma relação de confiança com a fonte (pela relação com os clientes) que muitos jornalistas não conseguem. Logo, estão para ajudar e não para dificultar.

5 O poder traz a solidão e cada vez mais inimigos
Quanto maior for a força de uma estrutura maior é a probabilidade de se criar invejas. Então em Portugal!

Assim, tanto ao Luís Paixão Martins como ao António Cunha Vaz, não era difícil de prever que as peças sobre eles não fossem brilhantes.
São dois dos mais importantes players do sector, portanto, o seu peso – e de todas as outras agências de comunicação sérias – e a sua acção ainda são encarados de forma muito duvidosa.
É um trabalho que os profissionais de comunicação deste sector têm de ter em conta mesmo no dia-a-dia do seu trabalho.
Também tenho a certeza que se recorressem a outros “especialistas” a aconselhar consultores – uma nova fórmula que desconhecia, mas pretendo acompanhar – não teriam melhores resultados.
A imprensa (ainda) não gosta das agências de comunicação.

Tandem Paixão Martins-Cunha Vaz

Escrevo esta nota, e logo alguém liga a dizer-me que o António Cunha Vaz tem sido visto nos comícios do MPLA. Será que temos tandem Paixão Martins-Cunha Vaz em Angola?

Quem se mete com a Sábado leva*

Já António Cunha Vaz tinha sido brindado com dois perfis na Sábado (referiam-se ao homem que assessorava Luís Filipe Vieira, primeiro, e Luís Filipe Menezes, depois), chegou a vez de Luís Paixão Martins. E, na linha das anteriores, a Sábado chama o lado negro para actor principal.

Uma diferença nisto de representações. A Sábado gosta mais (ou menos?) de António Cunha Vaz, já que o puxou para chamada de capa na altura - "o homem que fabricou Luís Filipe Menezes", recordo numa citação livre. Desta vez Paixão Martins perde o espaço para a interessante vida poligâmica, para o abc de Rebelde Way e para o assaltante de bancos comum.

Algumas notas sobre a peça:

- O nosso sector tem destas coisas: Cada perfil que sai, embora de pessoas diferentes, é sempre do homem mais poderoso, ou do mais influente ou da agência mais poderosa.

- A simbologia do lobby para os Media portugueses: Sombrio, muito sombrio. As fotos da Sábado repetem a fórmula das do Público a Cunha Vaz. Entradas escuras carregadas de negro.

- Confirmo que a boa conversa vale dinheiro.

- A Sábado não perde uma contradição: LPM vota nos seus candidatos, "ou seja quem lhe paga assessoria", mas esclarece "é preciso que eu queira". Deixa a Sábado nas entrelinhas: portanto, quer sempre, desde que seja seu candidato. Fait-divers da revista.

- "Lobista puro que vive do que faz e cobra": se lobista é termo nada grato para a opinião pública, para a área onde LPM se move não é negativo, até traz mais clientes.

- "Confirmo que sou a agência do regime..": apesar de Luís Paixão Martins dizer com condescendência esta frase, segundo a Sábado, fico sem saber qual o verdadeiro significado. Espero que não seja o de dizer de outra forma que é bom estar com o partido do Governo para ter as portas abertas para ter acesso directo e, eventualmente, sem concurso aos grandes projectos do Governo, administração pública e empresas públicas.

- Fico também a saber uma alcovitice, que não me aquece nem arrefece. Existe mais do que uma situação de conflito laboral no Tribunal de Trabalho entre LPM e colaboradores.

- Uma nota final, pessoal, para a foto da última página: não gosto da posição das mãos em baixo nas fotos, e raramente funcionam. Um lado mais angelical para contrastar com as da entrada?

Para acabar. Quando li esta nota de LPM já se previa que o nosso colega de blogosfera antecipava que o que vinha aí não era coisa boa.

* O título é uma plágio à Sábado, que plagiou Jorge Coelho, e neste caso nem se aplica porque se há coisa em que um bom comunicador, que LPM é sem margem de discussão, não se mete é ele próprio em entrevistas de perfil na Sábado.

Então o António é que está em Luanda?

Chega-me ao móvel um SMS de fonte jornalística: "em véspera de eleições angolanas o Cunha Vaz é que está em Angola?"