sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quem tem medo do jornalista mau?

Por Vera Toucinho*

No nosso dia-a-dia de consultores, os jornalistas são uma peça fundamental. Mas como todos, uns são mais afáveis, outros mais duros, uns são mais directos, outros mais astutos. Também têm dias bons e outros péssimos. Mas independentemente da postura de cada jornalista, o que muitos consultores (e clientes) ainda não perceberam – e têm que perceber rapidamente – é que o ponto de partida para esta relação bilateral começa com uma boa história, com uma informação relevante. É aqui que começamos a falar a sua língua e a ser, no sentido inverso, uma peça importante também para eles.

Um consultor tem que ser um facilitador. Tem de ser o caminho e não um fim ou um mero recurso. É isto que dita, ou não, uma cooperação duradoura. Abordar um jornalista com informação irrelevante é fazê-lo perder o seu tempo. Abordar o jornalista várias vezes com informação irrelevante é maçá-lo. Insistir é irritá-lo.

Antes de abordar um jornalista, o consultor deve fazer um exercício e ultrapassar dois problemas habituais:

1) Memória Curta (por não se lembrar das regras básicas que aprendeu nos primórdios da universidade)

2) Capacidade de argumentação (explicar ao cliente o que faz ou não sentido, o que interessa ao jornalista e aos leitores de um jornal/revista)

A informação que temos para passar a um jornalista tem que ter, pelo menos, uma destas características:

- Valor noticioso
- Pertinência e/ou Actualidade
- Abrangência / Relevância para o leitor / impacto para o país
- Abordagem certa para o tipo de meio
- (E o mais importante) Consciência de tudo isto

Portanto, da próxima vez que pegar no telefone, pense bem no que tem a dizer ou oiça-o do outro lado: “hoje não te posso atender”.

* Senior Consultant YoungNetwork

Colunista convidada

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