sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Boas notícias

Para quem já foi jornalista, ler em papel é outra coisa. Por isso, fiquei muito satisfeito com a vinda da “Folha de S. Paulo”, do “Washington Post” e do regresso da “Isto É” a Portugal.
Os últimos jornais brasileiros que vinham para Portugal, “O Globo” e o “Estadão”, chegavam com dois dias de atraso e deixaram de vir em 1999. A “Folha”, numa edição fac-similada vem no próprio dia mas ainda sem os magníficos suplementos de fim-de-semana. O “Washington Post” a mesma coisa (ambos se podem comprar no Saldanha Atrium, pelo menos).
A “Isto É” que já não nos chegava há dois anos também é um bom regresso para se fazer contraponto com uma das melhores “news magazines” do mundo, a “Veja”. Ainda não vem a “Isto é Gente” nem a “Isto é Dinheiro”, mas são três boas notícias para quem é devorador de imprensa internacional. Em papel.

Tens problemas? Fala com a Judite

Depois da tonteria de quarta, a reacção firme de Scolari ontem coloca-o no caminho certo. A actuação de Scolari/Federação foi na linha do que defendemos aqui ontem. Um dia mais tarde, mas a tempo.

A Conferência do final de tarde deu o mote para o "mea culpa" e a entrevista a Judite Sousa rematou. Antes disso, os jogadores emitiram um comunicado de apoio, uma boa ideia com uma ou outra expressão a despropósito: "hino à liderança" e "seleccionador do povo", por exemplo.

A Federação fez o seu papel lançando a abertura de um inquérito que vai dar em nada, e para UEFA ver.

Na entrevista, onde Scolari "puxou" do castigo recente ao selecionador francês para balizar junto da UEFA o que deverá ser o seu castigo, o seleccionador falou ao coração dos portugueses para fechar o seu círculo de apoio. Que jeito dão estas entrevistas da Judite...

Depois da entrevista de ontem, Scolari não deverá falar mais no tema. Público, jogadores e Media portugueses estão convencidos. Agora é continuar a trabalhar a UEFA.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Como apagar o que toda a gente viu



A reputação não depende da crise, mas da forma como se reage à crise.

O episódio de ontem entre Scolari e um jogador sérvio não dignifica a nossa selecção. Mas não foi o primeiro, nem será o último. O que "destrói" a imagem do sargentão não é o soco falhado, mas a conferência de imprensa subsequente (dou "de barato" a flash-interview que é um momento muito difícil, que incluo na categoria "a quente").

Desafio:
- No final do jogo de ontem, e depois de um empate comprometedor, Scolari tentou agredir um jogador adversário.
- Na conferência de Imprensa considerou normal a situação e negou a tentativa de agressão.

Análise:
- A tentativa de soco é desculpável? É.
- A má educação da flash-interview é desculpável? É.
- Negar a agressão na conferência de Imprensa, já com os episódios de há 30 minutos digeridos, é desculpável? Não.

Objectivo:
- Aliviar castigo da UEFA a Scolari.
- Aguentar imagem de Scolari junto dos públicos-alvo.

Públicos-Alvo:
- UEFA
- Opinião Pública
- Jogadores
- Media

Estratégia:
- Scolari devia ter assumido o erro na conferência de Imprensa. Algo como: "Reagi a quente. Apesar de provocado, não foi correcto o que fiz. Estou preparado para qualquer decisão da UEFA. Peço desculpa aos portugueses, aos meus jogadores e ao público".
- "Matar" o assunto para que a discussão pública não fosse apenas sobre a tentativa de agressão.
- A par disto, a máquina de comunicação da Federação (se é que existe) devia começar a trabalhar nos bastidores: ver antecedentes de Scolari, ver castigos da UEFA a treinadores em situações semelhantes, analisar dados estatisticos, fazer sair informação com estes dados, etc..
- Incidir comunicação à volta do jogo no erro grosseiro do árbitro no golo contra Portugal.
- Fazer chegar informação aos públicos-alvos de acordo com esta estratégia.

Assim, como está a ser conduzido, deixam nas "mãos" da sorte a consequência do incidente. E lá vamos ver a equipa liderada pelo cabo Murtosa nos próximos jogos.

Também nós em boa companhia

Luís Paixão Martins escreveu um simpático post no seu blog sobre o nosso do fundo da Comunicação. Agradeço e retribuo o elogio: tal como no blog de LPM, queremos contribuir para que o mercado tenha uma percepção clara do que são as RP, opinando, esclarecendo e formando os nossos leitores.

Estaremos juntos nesta missão e em boa companhia.

Como queremos ser lembrados?

Na terça-feira, fiz doze anos a trabalhar em comunicação política, em diferentes áreas. A primeira lição de liderança que aprendi, de uma líder e mulher excepcional, foi a seguinte: “o Rui está na sua vida profissional para ser competente, eficaz, profissional, não para fazer amigos. Esses, já os tem do banco da escola e da universidade. Se fizer mais, melhor, mas nunca se preocupe com isso”.
É isso que devemos reflectir: queremos ser recordados como?
O porreiro, bom homem, simpático, mas mole, que não evolui e não sai da cepa torta e de quem ninguém lembra de nada relevante. Ou o duro – quando é preciso -, difícil, de quem nos podemos queixar, mas que dizemos que é um profissional excelente e de que daqui a 20 anos ainda nos lembramos por ter aprendido algo com ele?
Se se identificam com o primeiro modelo, típico do nacional porreirismo, do “modestinho”, ciumento, invejoso e que espalha as suas medíocres lamúrias pelos cantos obscuros de qualquer empresa, em vez de estar à procura de melhorar todos os dias, o meu conselho é que mudem, porque ainda vão a tempo. Ou então é porque estão no local errado.
Eu, há muito, que já aprendi a segunda opção. Prefiro ser lembrado assim.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Rentrée

Terminaram as férias. Chove. Regressou o trânsito caótico. As pessoas andam com um semblante mais carregado. O stress e a adrenalina voltam a pairar no ar.

Estamos no mês de Setembro. O mês de todos os acontecimentos, das novidades, das avaliações e revisões de estratégias nas empresas, de demissões e admissões de novos recursos, de balanços de semestres e preparação de recta final de ano. Entramos no mês onde tudo se decide e em que é fundamental decidir e agir rápido!

No mês em que José Veiga parece finalmente assumir querer candidatar-se à presidência do Benfica; no mês em que nos aproximamos (ou não) do desfecho do caso Maddie; no mês em que se lança mais um jornal gratuito (de qualidade, diga-se); no mês em que a Selecção portuguesa de futebol será ou não classificada para o Euro 2008; no mês em que a ASAE continua a fechar estabelecimentos a torto e a direito; no mês em que Sócrates entrega ainda mais computadores; no mês em que finalmente se começam a questionar os limites de velocidade impostos em algumas zonas de Lisboa; no mês em que a corrupção por todos os motivos e mais algum volta a estar na ordem do dia; no mês em que assistimos emocionados a tipos de 200 quilos a chorar com o hino nacional e em que sentimos orgulho por eles e por nós e pelo país inteiro.

Chegámos a Setembro! Finally!

Absurdo cacofónico

Deixa-me Amar. É este o nome da nova aposta da TVI para o prime-time, uma novela como seria de esperar. Estranha-se que os responsáveis pela escolha do nome não tenham reparado no ruído que a cacofonia da expressão gera.

Uma cacofonia, e pela letra do dicionário, é "um som desagradável ou uma palavra obscena que resulta da ligação das letras finais de uma palavra com as letras iniciais da palavra seguinte".

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Paulo Teixeira Pinto volta a atacar

Paulo Teixeira Pinto deixou o teatro de guerra e voltou-se de novo para a advocacia. Discreto, mas já com escritório montado. É ali para os lados da Avenida da Liberdade.

Audiência e circulação paga

Aos olhos dos anunciantes existem dois eixos que norteiam as suas decisões quando investem em Imprensa escrita: audiência e circulação paga. Precisam das audiências para saber quem lê e quantos lêem. Utilizam a circulação paga para aferir o "peso" de cada meio, verificando o número de pessoas que estão dispostas a pagar para ler aquele jornal ou aquela revista. Ou seja, para definir a audiência mais importante, aquela que esteve disposta a gastar dinheiro para ler o meio.

Daqui resulta que os gratuitos - hoje estreou o Global Notícias - perdem na vertente publicitária para os pagos, já que os seus leitores não tiveram qualquer custo para obter o jornal - desconto aqui o custo de estender o braço. Por isso, não se consegue afirmar se estavam efectivamente interessados em receber o jornal e se o chegaram a ler.

Também nas RP é fulcral estudar as audiências e as circulações pagas para atingirmos os objectivos de comunicação, traçar estratégias para endereçar a audiência e, consequentemente, obter resultados. As consultoras de comunicação são parte interessada no estudos de audiência e nos resultados da APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragens). Queremos saber com rigor a quantas pessoas chegou a informação, e a que segmento de pessoas chegou.

Assim, é de aplaudir o que Alberto Rui Pereira, presidente da APCT, quer para o mandato do próximo triénio:

- Aumentar periodicidade da divulgação dos dados: de trimestral para bimensal (ainda assim, aqui a ambição terá de ser mensal);

- Medir circulação online: número de pageviews, visitantes únicos, quanto tempo os leitores permanecem em cada página;

- Verificar pacotes: muitos deles enfermam do mesmo mal que os gratuitos (é uma oferta, neste caso não do Jornal, mas de um empregador ou patrocinador).

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Cofina: Vamos às compras?

O mercado publicitário cai na Imprensa escrita, mas a Cofina cresce. No primeiro semestre de 2007 e em comparação homóloga com o ano anterior, o grupo de Paulo Fernandes aumentou as receitas (+3%) e os lucros (+2,4%), sobretudo à custa das receitas de publicidade, que cresceram 12,9%. A boa gestão compensa. E agora, com o bolso cheio, vamos às compras? Há quem aposte que o próximo negócio está por dias. Quem olha para os títulos do grupo e, por estes dias, andou atento aos Media conseguirá somar dois mais dois...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Já é oficial: segunda estreia

O nosso blog do fundo da Comunicação tem estreia aguardada para a próxima segunda-feira. Os três autores vão estar activos todas as semanas, e esperamos que todos os youngnetworkers também.

Até agora esteve em versão beta, para testes e para consumo interno.

Decidimos só lançar depois da silly season. Segunda, aí estará.

Trocámos BBC por CNN

Decidimos colocar a CNN como tv oficial do blog, em substituição da BBC News. Ver em baixo.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Controlo da memória

Boa entrevista hoje, a de Paul Moreira, jornalista de investigação, no DN . Excelente sobretudo a importante nota que qualquer profissional de comunicação deve reter: controlo da memória. A memória dos públicos-alvos é muito curta, daí a importância de criar os soundbytes, cujo erosão pelo tempo é menor. Menos brilhante a descrição sobre spin doctors: "São conselheiros em comunicação, são responsáveis de relações públicas, são pessoas que transmitem informações paralelas a dizer, por exemplo, que tal empresa ameaça suspender a publicidade no canal se tal reportagem for divulgada, como aconteceu comigo, e depois essa informação revelou-se falsa". A credibilidade é o maior bem de qualquer spin doctor. Perdê-la significa estar fora do jogo.