sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Palavra de semi-deus

"Não sei para onde vou. Mas vou à frente"

Seth Godin, in Visão

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Lena paga para ver

O Grupo Lena, liderado por Martim Avillez Figueiredo, está a pagar para ver, para ver melhor como o mercado publicitário reage à crise financeira - depois será económica - mundial. Para já o projecto está em stand by. E já não chegará às bancas em Fevereiro, como inicialmente estava previsto.

Quer ser o Ipod do seu sector?

Como fazer que uma coisa seja cool é a questão mais hot dos tempos que correm.

Noah Kerner e Gene Pressman, na última edição da Executive Digest, falam do tema de forma descontraída e muito pragmática:

“As empresas adoram procurar o cool no quintal alheio. Na década de 1950 todos queriam ser a General Motors. Na década de 1960 queriam ser a Xerox, depois a IBM, a seguir a Nike, e a lista continua. Actualmente, o paradigma mudou para outra marca famosa. Hoje, toda a gente quer ser o... iPod do seu sector!

Quem não quer estar por trás de uma ideia original e extraordinária que revolucionou sozinha um modelo de negócio?

Mas, tal como nos disse a lenda da publicidade Martin Puris, esta abordagem costuma ser o primeiro passo para não sermos o iPod do nosso sector. Espreitar para o quintal do vizinho normalmente é um substituto do pensamento próprio. Logo é uma maneira garantida de ficar em segundo lugar.

Da próxima vez que alguém lhe disser que quer ser o iPod do sector, pergunte-lhe o seguinte: antes de inventar o iPod, o Steve Jobs andava por aí a dizer que queria ser o Sony Walkman do sector?”

Muito bom…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sistema e Gomorra

Acabei de ler Gomorra na segunda e vi o filme ontem. Livro muito interessante, filme apenas interessante. Algumas imagens fenomenais, mas para quem leu sabe a pouco.
Mas é um documento fantástico sobre a Máfia dos pobres, a que sobrevive com 700 euros por mês, que é uma organização grandiosa e multinacional, mas depois tem os pobres e remediados que alimentam aquela máquina.
Só uma curiosidade do livro que passo a citar: «Camorra é uma palavra inexistente, uma palavra de esbirro. O termo com que se definem os pertencentes a um clã é Sistema».
Quem diria?...Sistema...

Mais Marketing

Inicia-se a 27 de Outubro, no Centro de Congressos de Lisboa, a X Semana Nacional de Marketing (http://www.appm.pt/snm/).

A acompanhar com interesse, principalmente devido à presença de Martin Lindstrom que virá a Lisboa para debater o tema das sensações emocionais nas marcas.

Este especialista em branding, fundador e CEO da BBDO Interactive Ásia e co-fundador da BBDO Interactive Europe, dá uma interessante entrevista à Marketeer, e faz-nos repensar, pela enésima vez a questão das marcas e de como as vivenciamos. Ok ok, também já me cansam as opiniões de tanga sobre estes temas, mas Martin Lindstrom costuma ser diferente. A aguardar…

«Estamos tão concentrados na visão que nos esquecemos que temos mais quatro sentidos para além desse (…)83% de todas as comunicações apelam apenas a esse sentido, a visão (…) Por vezes, pensa-se que o branding está apenas e só relacionado com a notoriedade e com logótipos mas, na realidade, está relacionado com as emoções (ligações entre pessoas e produtos) e, o mais importante de tudo, com a paixão (fazer com que os clientes se apaixonem pela marca). É isso que faz com que a empresa esteja no caminho certo.»

in Marketeer

Momento dos Açores

Ao contrário dos momentos citados no Buzzófias, para mim o momento mais delirante foi outro.
Para um país que quase veio abaixo com o apoio de Bárbara e de Dinis ao «papá», mas que depois não comentou a primeira página do Expresso com uma «foto na intimidade» de Cavaco a brincar com os netos, beijinhos na tv são sempre de comentar.
Assim, o momento da campanha é quando, ao som de Tony Carreira, Carlos César puxa a sua mulher para dançar terminando como dizem os brasileiros com um «selinho» na boca.
Bonito momento a coroar uma campanha que, segundo os valores a descoberto (mas ninguém referiu o resto), custou dois milhões de euros.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pacheco Pereira

José Pacheco Pereira sempre gostou de teorizar sobre a comunicação social e, sobretudo, dizer mal dela. Foi assim que apareceu do nada.
Todos os media trucidados por ele, acabaram por o promover. E continuam.
Não sei muito bem qualificá-lo. Historiador e homem culto é. Um profundo chato, também.
Em comunicação não sei como defini-lo, mas nunca o faria com a “maldade” do LPM aqui.
Primeiro porque – fora a ironia de LPM – de comunicação o cavalheiro não percebe nada. Consultor “jamais”, “spin doctor” só dele próprio, assessor de imprensa nunca, fonte talvez.
Da política, guardo que desde a sua passagem pela liderança da distrital do PSD de Lisboa ele apanhou todos os trejeitos dos políticos, conviveu de perto com os “lados maus” da política e é um político como outro qualquer. Quanto a faro político, até pelo que me contaram na semana passada num almoço, o que já suspeitava: fraco.
Não tenho nada contra o escriba em questão, gosto de ler Pacheco Pereira na “Sábado” e “Público” onde muitos jornalistas são trucidados pelas habituais crónicas viperinas contra a comunicação social.
Sobre a escolha do candidato do PSD a Lisboa, porque como ainda não sei quem é o candidato oficial – talvez Manuela hoje abra o livro na Constança – nada tenho a dizer.
Mas eu, ao contrário de Pacheco, não apago folhas do meu passado – para o mal e para o bem – e este post está assinado – bem aqui em baixo – por quem tem 13 anos de currículo e hoje está numa agência séria e credível.
E para quem ainda não percebeu, eu vim para ficar.
Aliás, a primeira vez que vi ao vivo Pacheco Pereira foi em 1996, no Congresso de Santa Maria da Feira. Nessa altura (já ninguém se lembra) Pacheco “matava” todos os que usavam telemóveis (essa coisa horrível), por graça nessa vez Pacheco estava num sítio mais afastado e escondido a falar ao…telemóvel (essa coisa horrível).
Pedi ao Beco (Albérico Alves) que imortalizasse o momento. O “Semanário” reproduziu.
São memórias de um consultor de comunicação.

Depois da ameijoa e da corvina, os legumes

Nova ideia de Sá Fernandes: "Os lisboetas deverão poder cultivar a sua horta". O vereador pode puxar dos galões no combate à crise. A ideia da subsistência, tão importante nos dias que correm para enfrentar a crise global, já vem de longe. Antes das leguminosas, já houve o sonho de comercializar a ameijoa e a corvina do Tejo, o azeite e o vinho da Tapada.

A este propósito, como estamos de actividade piscatória camarária no rio? E na Ajuda, continuamos com bom terroir para o vintage?

Também no Público.

Não é novo

Não é uma piada nova, mas não deixa de fazer rir. Jerónimo de Sousa sobre o resultado folgado do PS na Madeira:

- "Não pode deixar de ser lido como um sinal do crescente descontentamento que a política dos governos do PS da República e da Região Autónoma".

Sobre os 3,14% que a CDU obteve:

- Os resultados traduzem "o reconhecimento do papel e intervenção do PCP e da CDU".

Há muita verdade nesta última piada. O resto aqui, na notícia do Público.

Não aprendemos

Portugueses consideram bancos culpados do endividamento.

Não crescemos, continuamos com o espírito irresponsável da adolescência. Escusado responder à questão "quem se endividou?". Fazê-lo, mais do que um ajuste de contas com o passado, seria quiçá o primeiro passo para sair do lodo da vida a crédito. Gastar menos do que se tem, abater a dívida e adaptar o estilo ao orçamento. Seríamos um povo mais são, e, decididamente, menos infantil.

Maminhas firmes II

Lembram-se desta estratégia aqui relatada recentemente? Utilizada agora por Obama, com Colin Powell, trazendo o republicano para o seu lado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Jô, Wilker, Fellini e o improviso na política

Adoro a TV Globo. Esta semana, no Jô, um grande actor, José Wilker, a falar da sua carreira e na maneira de como «é um acto de amor, passar o que está vivendo nem que seja apenas para um espectador».
Porque o actor é um «esquizofrénico, dividido entre o que é e o personagem que está a criar».
E contava como Cácá Diegues – um bom realizador brasileiro – se assemelhava com o que dizia Federico Fellini: «Improviso, claro que improviso. Mas ensaio bastante».
Mais uma achega à máxima de Karl Rove: «Prever muito, improvisar pouco».
Ou, como se sabe na política, os melhores improvisos são os cuidadosamente preparados.

Criar a oportunidade

John Kennedy dizia sempre que o ideograma chinês para crise lançava uma mensagem: sê consciente do perigo, mas reconhece a oportunidade.
Há duas semanas escrevi aqui isto: «o Labour e Gordon Brown em enormes dificuldades, mas com a situação económica a ajudá-lo, a área em que domina».
Hoje, Gordon Brown não está abatido – também não é certo que vá ganhar as próprias eleições – mas tornou-se a principal imagem de um estadista credível e com propostas de referência,
A política é volátil e é, provavelmente, a ciência mais inexacta do universo.