domingo, 12 de outubro de 2008

Activos tóxicos

Desculpem se não estou a ser imaginativo com a história da comédia, mas sou um novato face aos banqueiros de Wall Street, o que me obriga a tentar, neste difícil momento, com uma manobra evasiva, dispersar a atenção.

Amanhã, cabisbaixo, utilizarei a minha melhor retórica para explicar o inexplicável. Tentar convencer os accionistas que com quatro vezes mais pessoas, e com seis vezes mais clientes, estou a distar seis ou oito posições do primeiro lugar.

Em passos langorosos entrarei na reunião extraordinária à espera de discursos lancinantes da outra parte. Espero todos os cenários: voto de confiança com reforço dos prémios, demissão com choruda indemnização ou venda dos activos tóxicos ao Estado.

A acompanhar.

Não é fácil ser relevante este fds

Num fim-de-semana marcado pelo plágio (aqui e ali) da Renova não é fácil ser relevante no nosso sector com outro tema. Temos de ser imaginativos e a comédia é sempre trunfo que podemos lançar para a mesa.

Saiu bem

No Expresso a peça sobre a LPM em Angola. Não falhámos na previsão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Há um fantasma entre nós

Agora que já cá estamos todos, uma supresa.

Nada contra os ghost writers. É comum nos livros "escritos" por caras populares lá fora. Em Portugal ainda não se faz muito, o mercado está por explorar. O ghost writer, o escritor fantasma, recolhe a informação, redige a obra e passa a outro, ao pseudo-autor, que a assina. E esconde-se para garantir que nunca se deixará descobrir, o que é acautelado por a selagem de um contrato, quando bem feito.

Nos blogs também pode acontecer. Há profissionais nas agências e fora delas que o podem fazer, mas obriga a cuidados não vá o embuste ser descoberto.

E se o descuido for de um director incauto? Um director de agência incauto? Do fundo da Comunicação está em condições de adiantar que o director de uma agência de comunicação portuguesa não escreve os seus textos no seu blog, utilizando não um mas vários escritores fantasmas para postar sob a sua assinatura.

A leitura atenta do blog, o ritmo da publicação dos posts, e um inside de um dos ghosts garantem-nos.

Trauteio, com o ruído de fundo da televisão:

"If there's something strange
in your neighborhood
Who ya gonna call?
GHOSTBUSTERS

...

I ain't afraid of no ghosts"

A ver se este sábado sai bem...

Estou a prever que sim.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Requentado

Salvador da Cunha requenta o tema dos rankings e dos seus critérios. Explica também como se chega a esse valor.

Resumindo o que acho:

- Concordo com o critério do fee income. Haverá outros que poderão ser ponderados, mas a primazia deve ser do fee income. Opinião aqui, onde falo de fees de consultoria, que na realidade são o grosso dos fee incomes (e se não forem, então a agência não é de comunicação).

- Não vai haver ranking. Opinião aqui.

Também comentado no meu Twitter hoje.

Ideia progressista

Pensava que as empresas deviam investir em publicidade porque é, potencialmente, compensador para as suas vendas e os seus resultados. Mas são ideias progressistas minhas. Segundo palavras do ministro, citadas pelo Lugares Comuns, "compete aos anunciantes não perder de vista a responsabilidade por uma sociedade de comunicação livre, isto porque a publicidade é a receita principal para os canais de televisão de sinal aberto".

!?!?!?!?

Onde fica o Estoril?

Ok ok, o Bruno Nogueira já teve melhores tempos. Mas geralmente é engraçadíssima a sua rubrica diária no Tubo de Ensaio, que passa na TSF de segunda a sexta, às 9h20m.

“O Estoril é onde um homem quiser”. Oiçam que vale a pena!!

PS – Apenas como nota, na semana passada foi atribuído o nome de Stanley Ho, à avenida da entrada principal do Casino.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Somos todos donos

Montepio Geral e Euro RSCG, vocês são grandes. Muito antes do plano Paulson, muito antes da passagem à segunda, foram vocês que previram. Somos todos donos de um banco. Seguimos, sem licença, sem tossir nem mugir, cegamente, o Simão Tibério. Porque o que está a dar é ser dono de um banco. Um pouco por todo o mundo ocidental. Americanos, da mania das grandezas, são os maiores contribuintes. Perdão, accionistas. Agora sim, temos capitalismo popular.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Campanha nos Açores

Desta Manuela Ferreira Leite não tem a culpa.
O slogan de Carlos Costa Neves, candidato do PSD à liderança do Governo Regional, é “Melhor É Possível”.
Por acaso, exactamente igual ao lema do novo partido MEP (Movimento Esperança Portugal), que também joga com o Melhor É Possível.
Para lá da comunicação, no marketing político o PSD também não está muito feliz.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tabuleta à porta...

...e diz "For Sale"

Buzzófias dá grande "cacha" hoje. O preço pedido é elevado e são os grupos internacionais à espreita.

Desconfio. A informação já é falada à boca pequena por muitos dos quadros da agência. Será a venda spinning?

E volto a desconfiar. Qual o interesse do spinning comparado com a instabilidade que já se vive na agência?

A acompanhar.

“Killer instinct” e a arte da política *

Em Inglaterra, dois “players” de topo a arrancar para a luta que pode levar os Tories finalmente ao poder.
O Labour e Gordon Brown em enormes dificuldades (mediáticas também, onde nunca teve qualquer jeito), mas com a situação económica a ajudá-lo, a área em que domina.
David Cameron é a locomotiva conservadora com mais de 20 pontos de vantagem nas sondagens. Também levou a mulher para o palco (e beijou-a) como Brown, nas respectivas Convenções, tudo teatralmente ensaiado e bem construído para se obter um bom resultado televisivo. Mas sobretudo é o líder que projecta ânimo, energia e capacidade de combate.
E enquanto Brown disparava “não é tempo para novatos”, Cameron ripostava que “a experiência é o derradeiro argumento dos líderes em funções para se manterem no poder”
Quando os protagonistas são de primeira água, o seu “killer instinct” é uma delícia para a arte que é a política.

* este texto é parte do artigo publicado hoje no OJE

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Maminhas firmes


Anos 60, Estados Unidos, emancipação da mulher, soutiens lançados na fogueira*, indústria de lingerie a “arder”.

O movimento feminista de há quatro décadas encontrou no acto simbólico da queima dos soutiens a sua âncora. A libertação da mulher à custa desta peça de vestuário teve consequências graves nas marcas de lingerie. Na linha da frente das activistas tivemos jornalistas, psicólogas, secretárias, actrizes, nas quais se incluía a emblemática Jane Fonda.

Inventado em 1914 e popularizado na década de 50, o soutien teria o seu downturn depois de 60. Sem plano Paulson para salvar a indústria, foi então gizada uma estratégia de relações públicas para estancar a queda e relançar as vendas.

A estratégia assentou em vários pilares, dos quais destaco:

- Tornar o soutien a estrela da lingerie feminina

- Descredibilizar as activistas

- Destacar as vantagens do uso

- Conseguir que uma importante líder do movimento mudasse de lado

A táctica que respondeu à estratégia:

- Desenhos mais atractivos e atrevidos por um lado, modelos de classe e bom gosto por outro

- Endereçou-se as mães da classe média para convencerem as suas filhas da maturidade e feminilidade associadas ao seu uso

- Detectives privados atrás das principais activistas para se descobrir as tendências sexuais de cada uma. Leu-se na Imprensa mais tarde que algumas das activistas eram lésbicas

- Opinião de especialistas alertando para as vantagens estéticas e práticas do uso do soutien

(e a cereja em cima do bolo)

- Jane Fonda viria a mudar de lado. Com sentido de humor a actriz afirmou mais tarde: “reconheci a utilidade do soutien quando os meus seios começaram a perder firmeza”

A estratégia da mudança de lado da barricada é uma das boas armas para trazer a opinião pública para o nosso lado. Se a Jane mudou…

* Não é certo que em 1968 o movimento tenha começado pela queima de soutiens, mas os Media deram-na como certo e amplificaram-na. Assim, o que se passou a seguir foi como se a queima tivesse efectivamente acontecido. Podemos entendê-la como uma simbologia da libertação da mulher.


Bibliografia

- National Organization for Women
- Yahoo answers
- Estratégias e Protocolo para Comunicação Corporativa, Fernando Ramos, Media XXI
- Wikipedia