sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A “spin doctor” do Governo

Manuela escolheu(?) o silêncio. Logo, as expectativas quando é anunciada uma sua intervenção são enormes.
O país está envolvido numa onda de crimes e de maus indicadores económicos, o que põe enormes dificuldades ao Governo.
Vive-se também, neste momento, um clima de tensão entre Belém e S. Bento.
E de que é que Manuela fala?
Do voto dos emigrantes.
Um “spin doctor” do Governo não faria melhor. Ao lançar um novo tema, consegue desviar a atenção dos principais assuntos que afectam os portugueses.
O Governo agradece esta intervenção.

Kagemusha de Kim Jong Il

Todos os meios têm falado do mistério que envolve o “Querido Líder” da Coreia do Norte.
Para mim, não passa de um louco com uma colecção de mais de 2000 mil filmes porno, com um regime anacrónico e com pouco futuro.
Tem-se falado dos sósias de Kim Jong Il, por ele não ter aparecido num desfile militar e porque observadores internacionais dizem que está morto desde 2003.
Em Portugal, chamou-se a “A Sombra do Guerreiro”, “Kagemusha (a sombra) no original japonês, um filme genial de Akira Kurosawa.
Nessa fita, só o neto descobre a farsa quando vai brincar com o avô, deixando toda a corte atónita. O camareiro disfarça começando a rir e prolongando esse gesto por todos os que estavam na sala.
Recomendo a edição especial, com Coppola e Lucas a contarem como apoiaram o projecto, mas sobretudo por algo que nunca vi tão perfeito.
Durante o tempo em que aguardou pelo financiamento, Kurosawa fez aguarelas do “storyboard” que ia dando aos seus mecenas e que recriavam o que ele queria ao pormenor para o filme que tem uma fotografia fenomenal. Num extra estão encadeadas as aguarelas de Kurosawa, deliciem-se.
Enquanto os norte-coreanos tentam sobreviver aos caprichos e loucuras do “Querido Líder”. São as vantagens da democracia.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Pequeno Mundo


Venho sempre com um conjunto de missões no bornal quando viajo para Zagreb. Entre as várias desta semana, incluía-se reunir-me com pelo menos um cliente, numa reunião de trabalho, não de charme, onde pudesse fazer consultoria.

Calhou em sorte - o aleatório é aqui mal empregue, porque houve escolha entre opções e ela obedeceu a critérios - visitar a Microsoft. A reunião tinha por finalidade analisar a intervenção de Venesa Schütz na conferência de Imprensa da última semana. O vídeo da sua apresentação deu suporte à reunião.

Acabada de tomar posse, a nova directora-geral da subsidiária de Gates na Croácia "dava" oficialmente a cara pela empresa, na semana passada. Cocktail com parceiros na segunda e conferência de Imprensa "à pinha" no dia seguinte.

Por estratégia conjunta cliente/consultora o discurso foi dividido em duas partes: a primeira emocional para garantir boas primeiras impressões e ligação à audiência directa - Media - (aqui aproveitou-se o facto da nova directora-geral ter nascido na Croácia, mas ter saído muito cedo para viver com os pais na Alemanha, voltando agora ao seu país) e a segunda marcada pelas grandes linhas de orientação da Microsoft para os próximos tempos.

Na reunião, os dois consultores da Meritor Media analisaram o discurso e, numa reunião falada em inglês mas dominada pelo croata, coube-me a mim examinar, por exclusão de partes (e por razões óbvias, já que na conferência a língua materna foi rainha), a linguagem corporal e a entoação que marcou ou deve marcar o discurso.

Nos momentos de comunicação onde nos demos a conhecer mutuamente, uma coincidência a fazer jus ao mundo pequeno em que vivemos. A Venesa fez parte da equipa do Rodrigo Costa, da Zon, quando ele estava na Microsoft EMEA. Também coincidênca, durante muitos anos não tivémos contacto e reencontrei-o antes de ir de férias no Sheraton, num evento organizado pelo nosso parceiro Lisbon International Club.

A picareta falante do silêncio

Para a sua estratégia(?) do silêncio, Manuela Ferreira Leite já encontrou a sua picareta falante: António Borges.
Fala por tudo e por nada, desdobra-se em declarações e já colocou a líder em cheque por dizer o seu contrário, como na privatização da Caixa Geral de Depósitos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PR vs. Media nas eleições americanas

O Nuno Gouveia tem sido louvado pelo seu trabalho sobre as eleições americanas aqui.
Ontem, depois de ele ter comentado um post meu sobre os estrategas dos dois candidatos, propus-lhe – sem violar o seu “contrato” com a LPM que lhe proporcionou a ida à Convenção Republicana – que discorresse num post sobre um tema que com certeza interessará ao seu patrocinador, a mim e a outros que visitam blogs de comunicação.
Como é que ele sentiu ao vivo a relação entre os media e os múltiplos profissionais – com diversas competências – de PR ao serviço de uma campanha que dura quase ano e meio.
Aqui revelei que dos 200 (duzentos!) principais assessores de Obama, 100 eram de Chicago.
E isso é um assunto a que sobretudo os media portugueses vão ter de se habituar.
Eu tenho a minha ideia, que será por certo a do Nuno.
Depois comentarei, uma vez que ele já prometeu que postava sobre o assunto.

Soundbyte de Comunicação

Grande soundbyte do Telmo C, no Sem Filtro, que eu teria puxado para título do seu post: "Existe mas não é minimamente conhecido? Então, não existe..."

Se tirarmos o minimamente, a expressão ainda ganharia maior força.

Existe mas não é conhecido? Então... não existe!

Voltarei ao tema dos soundbytes em breve.

Nota: Comento neste post o soundbyte em si, e não o contexto.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sir Richard Branson


É já na próxima semana que Sir Richard Branson estará em Portugal. A YoungNetwork fará a comunicação da visita do criador da Virgin ao nosso país. Um enorme privilégio. Foi uma luta fratricida dentro do Grupo para ver quem seria a equipa escolhida para o projecto.

Cardápio de um consultor sedutor (II)

Para construir a mensagem que envolve os elementos do cardápio informativo, o consultor deve garantir a resposta a seis questões:

. O quê (facto)
. Quem (sujeito)
. Quando (momento)
. Onde (lugar)
. Como (modo)
. Porquê (motivo)

Bons consultores fornecem informação que interesse aos leitores dos Media. O jornalista é o narrador, proporcionando ao emissor uma credibilidade que só o third part effect dá.

Nota: A primeira parte deste post foi escrita no blog Piar, respondendo a este desafio.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Duelo de estrategas nos EUA

Gosto destes duelos, quando os estrategas máximos das grandes campanhas se picam. Neste caso, sobre a palavra mudança.
Steve Schmidt, estratega de McCain, diz: «para Obama a mudança é uma palavra bonita, uma táctica de campanha, é uma estupidez».
David Axelrod, de Obama, diz: «o problema de McCain é que utiliza muito a palavra mudança, mas na prática as suas políticas resultam demasiado familiares. Isso não é mudança, é mais do mesmo».
Ambos os estrategas – estrategas à séria e que sabem mesmo o que é estratégia -, Schmidt mais tarde, já descobriram a palavra-chave destas eleições americanas.
Porque quem percebe de estratégia, rapidamente define e consegue arranjar um conceito, como antes expliquei aqui.
Agora, é matarem-se para mostrar quem é o melhor vendedor de mudança.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Boa comunicação é...

...evitar amplificar mensagens negativas que outros escrevem.

Ainda o silêncio

Agora, que tudo aguarda a intervenção e o prazer de ouvir a voz de Manuela Ferreira Leite, confesso que me dei ao trabalho de ir ver alguns aforismos sobre o silêncio.

Os que não se aplicam a Manuela:
«Se nos mantivermos calados, pensarão que somos filósofos» Sydney Smith
«O silêncio é a virtude dos imbecis» Francis Bacon
«Cada gota de silêncio é a chance para que um fruto venha a amadurecer» Paul Valery

Os que se aplicam a Manuela
«O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de refutar» Josh Billings
«Fique calado e em segurança, o silêncio nunca o trairá» O`Reilly
«Abençoados os que nada têm a dizer e não se deixam persuadir a dizer» James Russell Lowell

Hoje, numa forma sábia, o líder da JSD, Pedro Rodrigues, em entrevista ao Semanário, diz tudo numa síntese fenomenal, cito-o: «O silêncio é bom conselheiro, mas nem sempre é de ouro».

Antevejo, para segunda-feira, artigos a elogiar o discurso de Manuela de domingo no Público, Diário Económico e Correio da Manhã e depois colunistas como Vasco Graça Moura, Pacheco Pereira – os amigos do costume – e Vasco Pulido Valente que está com Manuela como também esteve com Marques Mendes.
Mas com a comunidade blogger a disparar. Vamos ver…

Boa comunicação é...

...ter um doce no bolso para oferecer em momento aziago.

Quem tem medo do jornalista mau?

Por Vera Toucinho*

No nosso dia-a-dia de consultores, os jornalistas são uma peça fundamental. Mas como todos, uns são mais afáveis, outros mais duros, uns são mais directos, outros mais astutos. Também têm dias bons e outros péssimos. Mas independentemente da postura de cada jornalista, o que muitos consultores (e clientes) ainda não perceberam – e têm que perceber rapidamente – é que o ponto de partida para esta relação bilateral começa com uma boa história, com uma informação relevante. É aqui que começamos a falar a sua língua e a ser, no sentido inverso, uma peça importante também para eles.

Um consultor tem que ser um facilitador. Tem de ser o caminho e não um fim ou um mero recurso. É isto que dita, ou não, uma cooperação duradoura. Abordar um jornalista com informação irrelevante é fazê-lo perder o seu tempo. Abordar o jornalista várias vezes com informação irrelevante é maçá-lo. Insistir é irritá-lo.

Antes de abordar um jornalista, o consultor deve fazer um exercício e ultrapassar dois problemas habituais:

1) Memória Curta (por não se lembrar das regras básicas que aprendeu nos primórdios da universidade)

2) Capacidade de argumentação (explicar ao cliente o que faz ou não sentido, o que interessa ao jornalista e aos leitores de um jornal/revista)

A informação que temos para passar a um jornalista tem que ter, pelo menos, uma destas características:

- Valor noticioso
- Pertinência e/ou Actualidade
- Abrangência / Relevância para o leitor / impacto para o país
- Abordagem certa para o tipo de meio
- (E o mais importante) Consciência de tudo isto

Portanto, da próxima vez que pegar no telefone, pense bem no que tem a dizer ou oiça-o do outro lado: “hoje não te posso atender”.

* Senior Consultant YoungNetwork

Colunista convidada