domingo, 14 de dezembro de 2008

Oxigénio...

...para Manuela.

Com o passo de Alegre.

Viver da ilusão

Manuel Alegre olha para Barack Obama com uma “desmedida esperança”. Vivem iludidos. O novo presidente não é de circos.

Menos de 100% é pouco

A demogagia da esquerda circence contada ninguém acredita. Um Estado que gasta 50% do PIB e que cresceu desmesuradamente nas últimas duas décadas visto a olho nú, mas também por qualquer estatística do INE, é para Manuel Alegre um monstrinho a alimentar.

Para o poeta o estado do país é "resultado de duas décadas de um sistema capitalista que não foi questionado e que retirou progressivamente poder ao Estado".

Fazer o quê? Está-lhes no sangue.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A coragem dos gestos *

O Governo português, fraco e submetido a qualquer pressão internacional, decidiu não receber o Dalai Lama, quando este passou por Lisboa.
Nicolas Sarkozy, ameaçado de boicotes a várias marcas e empresas francesas na China, não hesitou em se encontrar com aquele líder simpático e que o mundo respeita, sem grandes alaridos e de maneira discreta. Quem marca a agenda é ele e a França e qualquer pressão internacional tem a resposta que merece: nenhuma. Mas o gesto ficou.
Por cá, um estudo sobre a reforma institucional em Portugal – perspectiva das elites e das massas – diz que apenas 28,5 por cento dos eleitores estão satisfeitos com a democracia em Portugal.
O estudo não foi feito esta semana, pois então seria ainda pior o resultado. Lembro-me há uns anos atrás de um trabalho de um semanário que acompanhou uma sexta-feira de trabalho do “beato” Francisco Louçã no Parlamento. E tal como alguns, o líder do BE foi lá apenas assinar o livro de ponto porque tinha mais que fazer. Uma ida ao estrangeiro ou um “treininho” no Holmes Places da Defensores de Chaves, onde habitualmente cultiva o corpo.
Esta semana fica o incrível número de 31 por cento de faltas do líder parlamentar do PSD e mais uma debandada geral numa votação muito importante (a maior parte do PSD).
Depois de escutar as justificações e saber da justiça de elas, Manuela Ferreira Leite só tinha de engatilhar: «comigo, sem justificação, os senhores deputados que faltam não serão candidatos na próxima legislatura».
Manuela mostraria liderança e autoridade. Mas, por cá, não há destes gestos.

*Publicado hoje no OJE

E o Dantas?

O Calafate descreve hoje os tempos idos do Semanário, e faz-nos ter inveja de não ter estado lá, com eles.

Marca os 25 anos com muitos destaques e uma omissão, relembra um leitor atento, anónimo mas parceiro de redacção desses tempos, no comentário ao post.

O Dantas... O que é feito dele?

25 anos de Semanário

O Alexandre e o LPM já se pronunciaram sobre esta efeméride. Vou homenagear o jornal onde comecei – e na altura ainda era lido e tinha números – em 1995, com algumas memórias.
1. A Clotilde. Simpática e muito divertida telefonista.
2. A Paula Gustavo (hoje directora-geral da media Consulting) que foi a 2ª pessoa que eu vi.
3. A minha primeira conversa com o director – o José Mendonça da Cruz – entro tímido na sala dele e ele diz-me: «chama-me Zé e trata-me por tu». Frase que costumo dizer às novas colegas estagiárias da YN para lhes retirar a pressão.
4. O Álvaro Mendonça, um grande director, que teve a coragem de apostar em mim para editor-internacional, acumulando com política (fazia PS na altura), aos 25 anos e ainda com pouca tarimba.
5. O “sargentão” Adriano Oliveira, a boa disposição do Sérgio Vieira e a excentricidade e loucura diária saudável do Eduardo Miragaia.
6. Os meus dois primeiros professores de “notícia”: a Helena Mensurado e o José Teles. A quem ficarei eternamente grato.
7. Os jovens lobos do Álvaro que apostou tudo sem medo: eu, David Dinis (hoje editor executivo do DE), Daniel Adrião (adjunto político do secretário de estado Obras Públicas), Francisco de Mendia (Cunha Vaz), Pedro Santos Guerreiro (director do Jornal de Negócios), Vítor Costa (editor economia Público), Francisco Almeida Leite (DN), Diogo Madeira e Tiago Cortez (Estradas de Portugal), Henrique Botequilha (Lusa). Espero não ter esquecido ninguém nesta ordem aleatória.
8. As duas primeiras pessoas que contratei na vida para trabalharem comigo, de quem muito me orgulho e que têm fantásticas carreiras: a Joana Machado (LPM) e o Diogo Queiroz Andrade (peço desculpa por não saber o nome da empresa, mas está ligada à produção de conteúdos).
9. O clima de grande união e amizade, com muito profissionalismo e também saudável diversão (depois do trabalho).
10. Um abraço ao Rui Teixeira Santos, Paulo Gaião e Dulce Varela, que continuam a fazer navegar o barco. E que eu continuo a ler todas as sextas. Pois no meio de muitos cenários, estão lá boas informações, pois as fontes não são profissionais da comunicação mas são óptimas na área política.
A força das instituições também é feita de memórias dos que contribuíram para a sua história. Estas são as minhas, mas há outras e que, concordo, dariam um livro.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É Natal! É Natal!

Ok ok, ainda não é propriamente Natal. Mas como profissional de comunicação, não posso deixar de me preocupar, com a crescente diminuição de comunicação da data… ou melhor, com a ineficácia crescente da sua comunicação.

O Natal precisa urgente de voltar a comunicar de forma eficaz! Urge um relançamento bombástico da data! Uma imagem ‘lavada’ e mensagens adequadas aos dias de hoje! Tem de se voltar a credibilizar o Natal e a conceder-lhe a notoriedade perdida!

De ano para ano tem-se perdido a magia da ocasião. De ano para ano diminuem os postais festivos que recebemos. De ano para ano diminuem os e-mails de Boas Festas. De ano para ano diminuem os presentes (é a crise, será?). De ano para ano vêem-se menos acções de solidariedade, que apesar de aumentarem em número, perdem-se no ‘ruído’ da azáfama diária. De ano para ano há menos paciência para ruas e centros cheios de gente, refeições fartas, família ajuntada e afins.

Não querendo puxar a brasa à minha sardinha, (essa bela expressão!), o Natal precisa definitivamente de abrir concurso a agências de comunicação, para que o apoiem nesta ambiciosa incursão de definição de nova estratégia de RP e relançamento mediático.

PS – Também se aceitam adjudicações directas na YN

BOM NATAL!

Psicologia dos gestores da massa


Com a crise instalada, muitas são as empresas que cortam. Neste final de ano, uma das faces visíveis da tesourada são as festas de Natal. Não há dinheiro, não há vícios. Cancele-se a festa!

Este acto de gestão, tomado como lógico por gestores e colaboradores, é demasiado questionável.

Primeiro, é contraditório. Porque se corta agora e não se cortou antes, quando os resultados estavam pintados a azul? Apenas porque havia dinheiro para gastar? E as empresas dão, então, um doce aos colaboradores? É este o sentido? Qual a razão por detrás da festa de Natal? É que se não existe nenhuma razão forte para que ela aconteça, cortem. Não apenas este ano, cortem para sempre.

Segundo, é inoportuno. Por outro lado, se existem razões fortes para que ela se faça - tais como motivação, reforço de espírito de grupo, endosso de mensagens, manutenção de quadros, reputação, etc. – e que impactem directa ou indirectamente os resultados, do curto ao longo prazo, vale a pena fazer. E é sobretudo importante fazê-la este ano, quando os colaboradores estão mais desconfortáveis com a situação, mais receosos com o futuro das suas empresas, e respectivas consequências para os seus postos de trabalho. Agora é que eles precisam de alento e segurança, não quando estão a crescer a dois dígitos e o mundo parece perfeito.

Terceiro, é perder a oportunidade. Como muitas empresas vão na onda, este ano impacta mais fazer. É um sinal de quem confia no seu futuro e no futuro dos seus, de quem se sente preparado para sair mais forte da tempestade. O sinal que separa os audazes das avestruzes. Esconder a cabeça não é uma opção.

Quarto, é hipotecar o futuro. O público mais estratégico numa empresa é o interno. Investir nos colaboradores é a forma mais inteligente de chegar aos outros stakeholders. Garantir que os colaboradores estão com a empresa, que passem a sua mensagem e os seus valores ao mercado, que sejam os seus embaixadores em toda a linha, e que estejam alinhados com os objectivos é o melhor seguro para o futuro.

A psicologia não é só de massas, é também de gestores. Gestores que por uma variação de um ou dois pontos percentuais do PIB voltam da Lua para Terra, entre um fechar e um abrir de olhos.

Trabalhar blogs

Na terça à noite, com o JD, fui ao jantar da Plataforma de Reflexão Estratégica – Construir Ideias.
Um facto a salientar: a transmissão em directo do debate em muitos blogs de referência. Publico a lista dos envolvidos que me foi enviada pelo grande responsável, o Vasco Campilho, desta magnífica operação de comunicação.
31 da Armada, Atlântico, A Baixa do Porto, Corta-Fitas, Psicolaranja, Mas Certamente que sim, Câmara de Comuns e o do próprio Vasco Campilho.
Saliento a intervenção de João Salgueiro, a menos forte de Daniel Bessa e a excelente intervenção final do Pedro Passos Coelho. Em grande forma, de improviso, a lançar um programa para Portugal.
Mas é interessante a preocupação e ligação às redes sociais, fica o registo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Verso de contra-capa

No verso da contra-capa do relatório The World in 2009, da revista The Economist, temos uma publicidade directa da Macedónia, que acende a luz na cabeça dos investidores.

A página de pub, crua, sem pudor, reza o seguinte:

. Precisa de cortar custos? Invista na Macedónia (ilustra com uma tesoura)

Depois vem o menu:

. 0% de impostos para lucros reinvestidos
. Trabalho competitivo a 400 euros/mês (salário bruto médio)
. Acesso a base de clientes de 650 milhões (acordos multilaterais e bilaterais com Turquia e Ucrânia de comércio livre)
. Estrangeiros podem alugar ou comprar propriedades directamente

A letras mais pequenas escreve-se, entre outras vantagens para empresas de base tecnológica, estas:

. 0% de impostos sobre as empresas nos primeiros 10 anos (10% nos anos seguintes)
. 5% de impostos sobre o trabalho nos primeiros 5 anos (10% nos anos seguintes)
. Sem IVA ou impostos aduaneiros para as exportações
. Subsídios até 500 mil euros nos custos de construção

Acresce para rematar a política fiscal e monetária. Alguns dos tópicos:

. Estabilidade macroeconómica: inflação baixa e moeda estável
. Taxa de crescimento elevada: 6% no primeiro semestre de 2008

Deixo-vos o site onde farei mais pesquisas: www.investinmacedonia.com

É com estes que temos que competir. Aproveite-se o exemplo.

Comunicação? Excelente. Conteúdo é tão poderoso que vale por si. É deixá-lo fluir.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Prever para quê

O relatório The World in 2009, do The Economist, dá-nos uma visão global do que será o próximo ano.

Mas para quê ler este se o de 2008 não previu a implosão do Lehman, os problemas do Freddie e da Fannie, o colapso da economia, a invasão da Geórgia, o petróleo a 147 no pico do calor e abaixo dos 40 dólares este mês e que Boris, o mayor de um só nome, estaria sentado na City Hall. Além do mais, previu que o mundo seria por esta altura governado por uma mulher.

Mas, como se desculpa o editor, Daniel Franklin, a página 92, se falhámos a crise que acontece uma vez na vida, “tivemos mais sorte noutras áreas”.

A razão fundamental para continuar a ler este documento todos os anos é a de que ele nos dá uma perspectiva de um conjunto de assuntos e eventos que moldarão o mundo nas próximas estações.

PS: Não sei se já está, mas normalmente o report é também traduzido para português.

Música

“Croatia will conclude its accession negotiations with the EU, but membership will be delayed until 2011 at the earliest. The UE feels it may have opened the door too quickly to Bulgaria and Romania, and want to avoid a repeat. The pro-agrarian stance of the Croatian Peasants Party, on whose votes the Croatian Democratic Union-led government relies, could complicate accession talks. Rising productivity will keep economic growth above 3%.”

Números para 2009:

. Crescimento: 3,5%
. Inflação: 3,5%
. População: 4,5 milhões
. PIB per capita: 14.020 dólares (Paridade Poder Compra: 18.120 dólares)

in The World in 2009, The Economist

Ruído

“The Socialist Party (PS) government will press on with a wide-ranging reform of the public sector that has delivered notable budget savings. But the pace of change will slow as the political focus shifts to elections towards end of 2009 and the prospect of more anti-reform protests becomes less palatable. The PS is well placed to exploit opposition weakness and win re-election. The economy will suffer amid a wider EU and global slump.”

Números para 2009

. Crescimento: 0%
. Inflação: 2,2%
. População: 10,7 milhões
. PIB per capita: 22.680 dólares (Paridade Poder Compra: 23.250 dólares)

in The World in 2009, The Economist